segunda-feira, 15 de março de 2010
Ensino padronizado - proposta dos EUA para educação.
Proposta uniformiza diretrizes de ensino para crianças e adolescentes nos EUA; apesar de críticas, plano tem adesão de 48 dos 50 Estados
Folha de São Paulo, 15/03/2010 - São Paulo SP
CRISTINA FIBE DE NOVA YORY
As escolas americanas devem adotar, ainda neste ano, pela primeira vez, uma proposta que padroniza as diretrizes para a educação de crianças e adolescentes no país. Hoje, o controle do currículo escolar é exercido localmente. Com a ajuda de representantes de 48 Estados, um painel de educadores elaborou o pacote, que define os conceitos básicos que os estudantes devem aprender, ano a ano, da educação infantil até o fim do ensino médio, em inglês e matemática. O projeto fica aberto a consulta pública até o dia 2 e deve ser concluído até o fim de maio, para que possa ser adotado, voluntariamente, já no início do próximo ano letivo, entre agosto e setembro. Para Lindsey Burke, analista política do instituto Heritage Foundation, "voluntário" não é a melhor definição. "O problema é que, desde o começo, muito dinheiro federal está sendo usado como estímulo. São US$ 4,3 bilhões sobre os quais a Secretaria de Educação tem o controle. Então deixa de ser voluntário." A verba federal, destinada à melhoria das escolas, é dividida entre os Estados segundo um sistema de pontos, e a adoção dos padrões nacionais pesará na média final. Se adotado, o novo sistema representará importante vitória para o governo de Barack Obama, que vinha apelando para que os Estados agissem para diminuir a desigualdade do aprendizado público. Até agora, apenas Alasca e Texas se recusaram a participar. Burke, como outros críticos à padronização, discorda que ela possa atenuar as desigualdades e argumenta que se trata de uma política "irrealista". "Os Estados é que deveriam determinar a educação", sentencia.
Já Kristen Amundson, que estuda políticas educacionais, acha que o sistema irá, sim, contribuir para a equalização do conhecimento. "Tratam-se de rigorosos padrões, com muito conteúdo. Eles podem ser catalisadores da melhora da educação nacionalmente. A tradição de controle local é forte nos EUA, mas faz sentido a troca para padrões comuns, já que as famílias estão se mudando cada vez mais." Segundo entidades que lideraram a elaboração das novas diretrizes, elas procuram estar "alinhadas às expectativas do mercado e do ensino superior", além de terem sido orientadas pelos "países de melhor performance, para que todos os estudantes estejam preparados para ser bem-sucedidos na sociedade e na economia globais". "Muitos Estados têm expectativas demais em seus padrões acadêmicos, que forçam professores a cobrir muitos assuntos de maneira superficial", disse Gene Wilhoit, diretor executivo do Council of Chief State School Officers (conselho de diretores estaduais de educação), que assina a elaboração do projeto ao lado da National Governors Association (associação nacional de governadores).
"Pensamos, "vamos manter [as diretrizes] compreensíveis, em um número que seja gerenciável. Não vamos colocar mais exigências do que os professores consigam cumprir'", afirmou Wilhoit ao jornal "The New York Times". A discussão sobre estabelecer um currículo escolar mínimo aconteceu no Brasil e se transformou, há 14 anos, na lei de diretrizes e bases para a educação nacional. Segundo Regina de Assis, que participou desses debates no Conselho Nacional de Educação, as diretrizes estabelecidas garantem que alunos de diferentes regiões do país tenham o direito, garantido por lei, de ter um conhecimento básico semelhante. "Nenhum aluno brasileiro pode saber menos que o determinado ali", diz Regina. O currículo mínimo, na opinião de Regina, não é uma amarra. "Existe um núcleo comum sobre o qual não se discute", diz a consultora, para quem as equipes pedagógicas têm autonomia e devem usar a criatividade para ir além do exigido. Colaborou a Reportagem Local
Mentes brilhantes
Na mira dos ensinos público e particular, estudantes superdotados se destacam com inteligência acima da média
Folha de São Paulo, 15/03/2010 - São Paulo SP
DA REPORTAGEM LOCAL
Aos 13 anos, enquanto os garotos de sua idade estavam, em geral, no oitavo ano do ensino fundamental, Guilherme Cardoso passou no vestibular em química na Universidade Federal do Paraná. Em primeiro lugar. Guilherme é o que psicólogos chamam de "superdotado", ou seja, alguém com inteligência acima da média (leia à pág. 5). A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 5% da população mundial tenha esse dom -no Brasil, seriam quase 10 milhões, segundo a conta. Especificamente no Estado de São Paulo, a Secretaria da Educação identificou 1.022 superdotados na rede pública em 2009. E o número está crescendo. Eram 397 em 2008. Não que os alunos estejam ficando mais inteligentes. "Creditamos esse aumento à formação dos professores, orientados para identificar esses talentos", explica Denise Arantes, técnica do centro de apoio pedagógico especializado da secretaria. Na rede pública, uma vez detectados por seus professores, os alunos com alta inteligência são orientados para atividades como a participação em concursos ou o ensino integral. Por enquanto, a maior mudança para Anaís Duarte, 14, de escola estadual, foi no empenho. "Fiquei animada e passei a escrever mais", diz. A garota foi identificada no começo do ano como talentosa na redação. Até agora, diz não participar de nenhuma atividade específica.
Pé no freio - Na rede pública paulista, porém, histórias como a de Guilherme -aquele que entrou na faculdade aos 13 anos- não são possíveis, pois a aceleração do ensino não é praticada. Já no ensino privado, se o aluno poderá pular etapas vai depender de como cada escola lida com a superdotação. Por um lado, "a inteligência emocional nem sempre acompanha a intelectual", ressalta Liliane Garcez, do Instituto de Educação Superior Vera Cruz. Por outro, "para o superdotado, ir para a escola pode ser tão maçante que se torna um sofrimento", afirma Maria Lúcia Sabatella, presidente do Instituto para Otimização da Aprendizagem -que diagnostica alunos com alta inteligência. O curitibano Charles Ribeiro, 17, foi outro que entrou na universidade cedo. Aos 14 anos, foi aprovado em engenharia da computação. Sua escola, porém, não emitiu o atestado de conclusão de ensino médio -e ele não pôde fazer o curso. "Esse tempo não foi desperdiçado", pondera o garoto. "Pude estudar alemão, vai ser um diferencial na minha carreira." Enquanto isso, Charles lida com o preconceito. "Foi complicado na escola", diz. "A diferença entre mim e meus amigos era impactante." Apesar dos mitos em torno dos superdotados, o rapaz já tirou nota vermelha em matemática. Explica: "O ambiente e a motivação influenciam". (DIOGO BERCITO)
Ministro da Educação faz balanço da sua principal linha de ação em sua gestão: o caminho para acabar com o vestibular no país.
Correio Braziliense, 13/03/2010 - Brasília DF
Glória Tupinambás
O futuro do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), sobra de vagas nas universidades federais e possíveis mudanças no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) em 2010. Em visita a Belo Horizonte (MG) esta semana, o ministro da Educação, Fernando Haddad, falou sobre esses temas e traçou um panorama do novo modelo de seleção, lançado no ano passado com a meta de substituir os tradicionais vestibulares. A mudança no formato de ingresso nas universidades foi a mais radical e inovadora já implantada no país desde 1911, quando surgiu a primeira versão brasileira do vestibular. Mesmo entrando para a história da educação como divisor de águas, a versão ampliada do Enem quase naufragou em meio a um turbilhão de problemas e trapalhadas e teve a sua credibilidade arranhada em episódios como a fraude da prova às vésperas da aplicação, o adiamento do teste, o índice recorde de desistência dos candidatos e a divulgação de gabaritos errados. Criado em agosto de 1998 para ser uma simples ferramenta de avaliação do desempenho de estudantes que acabavam de concluir o ensino médio, o Enem despontou, em março do ano passado, como a grande aposta de revolução no sistema de seleção de alunos interessados em vagas no ensino superior. No dia 25 daquele mês, o ministro Haddad propôs uma reformulação no teste para que o novo modelo substituísse os vestibulares das instituições federais de ensino. Os números superlativos davam a medida da importância do novo teste: mais de 4 milhões de candidatos inscritos para a prova que seria aplicada em 1.826 cidades brasileiras para ser adotada por 1.038 universidades, entre públicas e particulares, no lugar do processo seletivo tradicional, ou para compor a nota final dos alunos. Em Minas Gerais, 10 das 11 federais aderiram ao exame. Apenas a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) não deu seu voto de confiança ao sistema.
Entretanto, em 1º de outubro, o cenário de otimismo se converteu em pânico diante da denúncia de vazamento da prova, que seria aplicada nos dias 4 e 5 do mesmo mês. A fraude levou ao adiamento do Enem e, cercado de dúvidas e incertezas, o exame perdeu força entre muitas universidades que desistiram de usar o teste em seus processos seletivos. Os exemplos mais emblemáticos foram protagonizados por instituições paulistas, como a USP, a Unicamp, a Fundação Getulio Vargas e a PUC. Em seguida, foi a vez de os estudantes darem prova das desconfianças envolvendo o Enem. Mais de 40% dos inscritos desistiram de fazer a prova, aplicada em 5 e 6 de dezembro. Sisu - Em janeiro deste ano, o Enem voltou às manchetes de jornais com o lançamento oficial do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que usou a nota do exame para oferecer 47,9 mil vagas em 51 universidades federais e institutos federais de educação, ciência e tecnologia. O modelo pioneiro no Brasil fez sucesso por ser um grande leilão de vagas, em que os candidatos têm a chance de consultar a nota dos demais inscritos em cada curso e, assim, saber as reais chances de aprovação. A novidade, no entanto, foi alvo de especulação por parte dos alunos. Na primeira etapa do Sisu, quase 800 mil se inscreveram no sistema, mas apenas 18,6 mil aprovados fizeram a matrícula na universidade. O problema se repetiu na segunda etapa e o Sisu chegou à terceira fase com 45% das vagas ociosas. Em Minas, o percentual foi ainda maior e chegou a 49,9%, com 2.586 lugares não preenchidos. A sobra de vagas obrigou o Ministério da Educação a adotar uma lista de espera, em que os estudantes não selecionados na terceira e última etapa do Sisu podem manifestar interesse em continuar concorrendo a uma vaga. E, esta semana, o MEC cogitou a hipótese de fazer uma nova rodada de seleção, provavelmente em maio. A possibilidade ganhou ainda mais força depois que o ministério descartou, na última quarta-feira, a realização de uma nova edição do Enem no meio deste ano. Entre tantas novidades e especulação, o ministro Fernando Haddad fez um balanço do Enem em 2009 e falou das previsões de mudança para este ano. Leia abaixo os principais pontos da entrevista.
Ponto a ponto - BALANÇO DO ENEM - “O importante é que o processo de início do fim do vestibular começou. Tínhamos que acabar com o tradicional modelo de processo seletivo, que traz muitos inconvenientes para os estudantes, sobretudo os de baixa renda. Pessoas são submetidas a um método arcaico de seleção, que o mundo todo abandonou há um século.”
O TESTE EM 2010 - “A matriz de conteúdos será a mesma do ano passado. Vamos manter o programa até que as universidades e as secretarias de educação façam alterações tópicas. Isso vai dar tranquilidade a quem está entrando no ensino médio sobre aquilo que vai ter que estudar para ter um bom desempenho na prova.”
DUAS EDIÇÕES - “Para a segurança do sistema, achamos mais adequado fazer, ainda em 2010, uma única edição. A negociação com os órgãos de controle para que houvesse a dispensa de licitação consumiu muito tempo. Então, preferimos não correr o risco de fazer uma licitação nos moldes do ano passado, com chance de ganhar uma empresa sem qualidade e, eventualmente, sem condições de realizar o exame. Também não podemos negligenciar as recomendações da PF.”
DATA DA PROVA - “É provável que seja depois das eleições. Ainda vamos anunciar a data certa, pois temos o problema eleitoral, com dois fins de semana comprometidos em outubro.”
ADESÃO - “Entendo que cada universidade, a seu tempo, vai acabar aderindo. Mas o importante é não haver nenhum tipo de retrocesso, com a volta dos procedimentos anacrônicos que ainda são a regra no nosso país.”
PROBLEMAS DO SISU - “O comportamento dos estudantes que pela primeira vez participaram do sistema nos surpreendeu. Pessoas exploraram os cursos ao buscar a mera aprovação, só para ostentar o status de ser aprovado numa federal sem necessariamente ter a intenção de matrícula. Mas toda novidade está sujeita a isso.”
LISTA DE ESPERA - “Os reitores estão tranquilos com a introdução da lista de espera. Por causa desse comportamento dos alunos, tivemos uma perda de 15 dias no cronograma esperado, mas isso não acarretará nenhum tipo de prejuízo. A nossa expectativa agora é usar todo o mês de março para preencher 100% das vagas.”
MUDANÇAS NO SISU - “O sistema pode sofrer alterações na próxima edição, em virtude dessa surpresa com a atitude dos estudantes. Pode ser que, em vez de três etapas, façamos apenas duas, para evitar justamente um comportamento contraproducente, que impeça a matrícula de quem quer estudar.”
CRÍTICAS - “Reparos, sempre haverá. E, graças a Deus, temos liberdade democrática para que as pessoas possam sugerir e criticar. O importante é não colocar a perder o caminho que estamos seguindo. Mas sugestões, recomendações e críticas são bem-vindas, porque precisamos sempre aperfeiçoar.” "Para a segurança do sistema, achamos mais adequado fazer, ainda em 2010, uma única edição do Enem” Fernando Haddad, ministro da Educação
O número - 1.826 - Cidades brasileiras onde o Enem foi realizado
sábado, 13 de março de 2010
Como se forma um bom aluno - Parte I
Como se forma um bom aluno
Todo pai quer que seu filho vá bem na escola. Só querer não basta. A seguir, oito lições de crianças que se destacam nos estudos
Camila Guimarães com Juliana Arini, Marco Bahé e Nelito Fernandes
Não há pai ou mãe que não sonhe com isso: que seu filho vá bem na escola, encontre uma vocação e faça sucesso. É por isso que os pais brasileiros, ouvidos em uma pesquisa do Movimento Todos pela Educação, disseram participar com afinco da vida escolar de seus filhos. Essa participação, porém, tem suas falhas – como mostra um detalhamento da pesquisa de 2009, feito com exclusividade para ÉPOCA. Em alguns casos, há falta de tempo (a queixa mais comum de quem tem filho em escola particular). Em outros, o principal obstáculo é o desconhecimento do conteúdo ensinado (para quem tem filho em escola pública). A pesquisa também detectou conceitos ultrapassados de como impulsionar o conhecimento. A maioria dos pais presta demasiada atenção às notas e preocupa-se menos em estimular a leitura ou acompanhar se a criança está aprendendo.
Em outras palavras: há mais cobrança que incentivo. É como se os pais considerassem que sua tarefa principal é garantir o acesso à escola – a partir daí, a responsabilidade seria dos professores. Isso é pouco, principalmente num país que não tem avançado satisfatoriamente na área da educação. O nível de ensino das escolas brasileiras, mesmo as de elite, é baixo, na comparação com os países mais avançados. Um relatório do Ministério da Educação, ainda incompleto, mostra que atingimos apenas um terço das metas do Plano Nacional de Educação, entre 2001 e 2008. A evasão escolar no ensino médio aumentou de 5% para 13%. Só 14% dos jovens estão na universidade. Menos de um quinto das crianças até 3 anos frequenta creches.E, no entanto, há ilhas de excelência. Há alunos brilhantes, curiosos, esforçados, interessados, capazes. Não estamos falando de superdotados. São meninos e meninas comuns, de colégios públicos e particulares, pobres ou ricos, que vão para a escola e... aprendem. Mais: formam-se. Estão no caminho de se tornar cidadãos melhores, pessoas melhores, gente de sucesso. Fazer com que uma criança seja assim não está inteiramente ao alcance dos pais. Pesquisas mundiais mostram que o envolvimento paterno responde por, no máximo, 20% da nota final. O restante seria determinado pela qualidade da escola, a relação com os professores, a influência dos colegas e, claro, seu próprio talento. Mas há, em cada um desses fatores, também uma influência dos pais. Cabe a eles analisar a escola, monitorar os professores, perceber o ambiente em que seu filho vive, estimular-lhe os talentos naturais. Talvez não seja possível fabricar bons alunos. Mas, como atestam as experiências dos garotos e das garotas desta reportagem, há boas receitas para ajudá-los a descobrir esse caminho.
1. O PODER DO INCENTIVO - O menino Pedro Manzaro seria um personagem improvável para uma reportagem sobre bons alunos. Aos 7 anos, ele começava o 3o ano sem saber escrever direito e com falhas de leitura. Em breve iniciaria aulas de reforço, com pouco resultado. Pedro era um retardatário na turma de alfabetização. Naquele momento, a diretora do colégio, de uma rede particular de São Paulo, chamou seus pais para uma conversa. Era preciso agir. Quando estão aprendendo as letras, as crianças têm um “clique”, um momento muito pessoal a partir do qual a escrita e a leitura deslancham. O “clique” de Pedro estava demorando demais. Que pai não ficaria apreensivo com uma situação dessas? Foi como Andréia e Sidnei Manzaro se sentiram. Mas logo trataram de agir. A estratégia foi usar a leitura – o menino adorava livros, vivia com eles embaixo do braço, apesar da dificuldade de entendê-los. Na casa da família, já havia a tradição de cada criança (Pedro tem dois irmãos mais novos) ter seu “dia de filho único”, quando os pais ficam só com ele. Durante a recuperação de Pedro, que levou um ano, seus dias de filho único eram sempre passados dentro de livrarias. Andréia passou a ler os livros de aventura, gênero favorito de Pedro, para conversar com ele sobre os vaivéns dos heróis das histórias (ela pegou gosto: está lendo agora o segundo livro da série Píppi Meialonga, sobre uma garota que viaja pelo mundo e odeia a escola).
Hoje, Pedro é considerado um aluno acima da média. Não é um colecionador de notas 10. Mas isso não preocupa ninguém. “O principal é ele gostar do que está fazendo”, afirma Andréia. O sucesso foi resultado de um esforço conjunto. A escola lhe deu atenção especial, com correção cuidadosa dos textos. O hábito da leitura fez outro tanto. Ler estimula a capacidade de compreender um texto, é um hábito fundamental na formação de seres pensantes. Está entre os quatro fatores comuns aos melhores alunos, segundo uma pesquisa feita pelo Ministério da Educação em 2007 (os outros são fazer lição de casa, ter atividades extracurriculares e pais engajados).
O terceiro impulso, crucial, para a recuperação de Pedro foi a torcida dos pais. O incentivo e os elogios deles ajudaram a construir autoconfiança e gosto pelo esforço. “A gente vivia dizendo para ele: ‘Filho, olha o que você conseguiu!’”, diz Andréia. O elogio é capaz de transformar. Mas é preciso ter cuidado com ele. Há uma ciência em seu uso. Segundo pesquisas americanas, crianças que recebem congratulações por seu desempenho e seu talento tendem a ficar mais preguiçosas e menos criativas. Aparentemente, ficam com medo de arriscar, porque um fracasso destruiria a imagem que conquistaram. Crianças que recebem elogios por seu trabalho duro, pelo esforço despendido para chegar àquele resultado têm reação inversa. Tornam-se mais persistentes, desenvolvem gosto pelo risco. E, quando fracassam, atribuem isso a um esforço insuficiente, não à incapacidade. Foi o que aconteceu com Pedro. “Mesmo com os sucessivos erros, nunca ouvi o Pedro se recusar a escrever um texto”, diz Beatriz Loureiro, a professora que acompanhou sua recuperação. Se os pais não sabem reconhecer as paixões naturais dos filhos, inibem o aprendizado, em vez de promovê-lo.
2. O PRAZER DE APRENDER - Guilherme Ortolan, de 9 anos, tem dificuldade de passar para a próxima fase. Não na escola. Essa ele tira de letra. O problema de Guilherme é que, quando joga um de seus games preferidos com o pai, esquece o objetivo. “Ele para o jogo para me dizer que a classificação de um dos bichos na tela está errada: aquele dinossauro não pode ser herbívoro e viver naquela parte da floresta se tem dentes tão pontiagudos, típicos dos carnívoros”, diz o pai, também Guilherme. A paixão do menino pelos dinossauros começou cedo. Ele nem era alfabetizado. Os pais souberam estimular seu interesse. Começaram comprando lagartos de brinquedo. Depois vieram os livros. E as pesquisas na internet. E os recortes de jornais e revistas (muitos deles presenteados pelos professores). A família inteira ficou envolvida pela mania, e Guilherme acabou virando “especialista”. Quando vai brincar com seus dinossauros, ele os organiza por período geológico. Ou por hábitos alimentares.
Esse processo mostra como uma paixão ajuda a estimular a criatividade, ensina a pesquisar por conta própria, tirar conclusões, fazer conexões. Se os pais e professores não sabem reconhecer e estimular as paixões naturais das crianças, se insistem para ela “largar de bobagens e se concentrar no que é sério”, inibem o aprendizado, em vez de promovê-lo. Com Guilherme, aconteceu o contrário. “O repertório dele é superior ao dos colegas”, diz Maria Isabel Gaspar, coordenadora pedagógica da escola em que ele estuda, em Ribeirão Preto, interior de São Paulo. “Não são raras as vezes em que ele já tem informações sobre o que está sendo ensinado na sala de aula.” Esse tipo de aluno – capaz de fazer associações e reflexões mais sofisticadas – as melhores universidades do país procuram. Em seus vestibulares, elas evoluíram da cobrança de acúmulo de informações para a capacidade de solucionar problemas. O Enem, a prova unificada de seleção aplicada pelo Ministério da Educação, segue a mesma linha.
Como se forma um bom aluno - Parte II
Nem sempre o prazer de aprender vem da paixão por algo específico. Muitas vezes, trata-se do prazer de fazer bem feito, uma espécie de orgulho de ter realizado algo. Esse perfeccionismo move Gabriela Vergili, de 13 anos. Na primeira semana de aula, no mês passado, ela e a irmã mais nova, Geovana, chegaram em casa, em São Paulo, com a mesma tarefa (embora estejam em séries diferentes, ambas têm um professor em comum). Elas tinham de descobrir em que data cairia o Carnaval deste ano. Como sempre, as duas sentaram no mesmo horário para fazer o dever (a regra, na casa de dona Mércia, sua mãe, é fazer a lição logo depois do almoço). Geovana, eficiente, descobriu logo a data pedida: 16 de fevereiro. E foi brincar. Gabriela demorou mais. Pesquisou na internet, na enciclopédia Larousse, voltou para a internet. E escreveu um longo texto sobre Quaresma, Equinócio, fases da Lua e concílios religiosos. “A disciplina e a organização da Gabriela a ajudam a ‘aprender a aprender’ qualquer coisa”, afirma Luís Junqueira, professor dela no ano passado. “Por isso ela é tão versátil: tem texto redondo, sabe fazer um documentário em vídeo, vai bem na aula de artes e até na educação física.”
Essa disciplina é um ponto de honra para Mércia. Ela sempre foi rigorosa com os estudos das filhas. Além do horário da lição, à noite ela e o marido chegam do trabalho e tiram dúvidas das crianças. Quando a escola passa uma pesquisa, manda ler um livro, Mércia acompanha por telefone se as obrigações foram cumpridas. Essa rigidez – acompanhada do exemplo, senão o efeito pode ser o oposto – cria comprometimento com o estudo. “Quase sempre a criança vai buscar em casa como ela vai se relacionar com a vida acadêmica”, diz Débora Vaz, pedagoga e diretora de um colégio particular de São Paulo. Gabriela é concentrada para fazer seus deveres, cumpre o combinado com os professores, respeita o sinal da escola, devolve o livro da biblioteca dentro do prazo. Como mostra a pesquisa do MEC de 2007, o dever de casa é outro ponto em comum entre os bons alunos. Vários estudos comprovam que a lição de casa ajuda a assimilar conteúdos. Também é a forma mais fácil de verificar o aprendizado dos filhos. Por isso, os pais devem se envolver – mas não muito. A lição de casa tem de ser feita apenas pelo aluno. “É quando a criança está sozinha para lidar com todo o conhecimento que adquiriu em sala e vai decidir o que fazer com ele”, diz Harris Cooper, um acadêmico da Universidade Duke, Carolina do Norte, que há mais de 20 anos estuda a relação dos pais com a lição de casa. 4. RESISTÊNCIA A FRUSTRAÇÕES - Outra forma de a disciplina se manifestar é na resiliência. O termo designa a propriedade de um corpo de voltar à forma original depois de sofrer uma deformação. Por extensão, passou a ser usado por psicólogos como a capacidade de uma pessoa se recobrar de episódios ruins ou resistir a dificuldades. Em geral, a resiliência é alimentada pela determinação, uma característica encontrada em grande parte dos bons alunos. Um exemplo é Leandro Siqueira, de 16 anos. Ele acorda às 4h30. Pega um trem em Cosmos, Zona Oeste, a região mais pobre do Rio de Janeiro, rumo ao Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Fukow Fonseca (Cefet), uma das melhores escolas técnicas do país. Sai de casa sem tomar café – ou não chegaria a tempo à primeira aula, às 7 horas. Leandro faz a primeira refeição do dia às 12h30, no intervalo do período integral. Chega em casa às 20h30, janta e estuda até as 22 horas. Como seu quarto é pequeno, e a sala geralmente está ocupada, Leandro usa a varanda para ter a concentração de que precisa.
A maratona massacrante se justifica. Quando entrou na escola técnica, numa vaga que disputou com 50 candidatos, Leandro sentiu um baque. Ele sempre havia sido bom aluno, mas o desnível em relação à escola pública de onde vinha era grande demais. Pegar recuperação em três disciplinas não foi o pior. Pelas regras da escola, quem é reprovado duas vezes é expulso. Leandro teve medo de perder sua conquista. “Eu me cobrava muito e ficava pensando no dinheiro que meu pai gasta para eu estar aqui todo dia e almoçar”, afirma, logo depois do almoço num restaurante a quilo, onde gastou R$ 11. Suas notas se estabilizaram acima da média graças à severidade de seu plano de estudos, que inclui mais algumas horas de caderno aos domingos, assistido por uma tia professora de matemática. Os pais de Leandro, um instalador de gás desempregado e uma dona de casa, estudaram até a 8a série. Não conseguem ajudá-lo com os estudos. Mas não poderiam dar lição melhor que o sacrifício que fazem para lhe dar a oportunidade de um bom estudo.
Será possível incutir determinação em alguém? Em termos. A resiliência é, provavelmente, uma característica da personalidade. Mas os pais podem influenciar. Em geral, fazem isso para o lado errado. “Vemos muitos pais lenientes, enchendo seus filhos de facilidades”, afirma Maria Lúcia Sabatella, uma educadora especialista em crianças superdotadas. O resultado são crianças mimadas, com pouca resistência a frustrações. E uma tendência a desistir ante as dificuldades. Por isso, em seu programa dedicado a localizar bons alunos na rede pública, os pais também recebem aulas. Eles aprendem a estimular seus filhos e, especialmente, a não boicotá-los. “Temos de ensiná-los a formar indivíduos autônomos, independentes”, diz Sabatella.
5. O GOSTO DA COMPETIÇÃO - Os trigêmeos Joeverton, Joemerson e Joebert de Oliveira Maia, de 12 anos, foram medalhistas na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) no ano passado. Joeverton foi medalha de ouro. Joemerson e Joebert ficaram com o bronze. Não é preciso dizer que eles são o orgulho do pai, José Jorge Maia, chefe da família de classe média baixa que vive na periferia de João Pessoa. Professor de matemática da rede pública da Paraíba, tudo o que José conseguiu até hoje foi com esforço: a casa onde mora e ter criado os três filhos só com seu salário, já que sua mulher, Selma, também professora, parou de trabalhar para cuidar dos bebês. “Sobrevivo com tudo o que aprendi na escola. É só isso que eu tenho e é isso que eu quero garantir para meus filhos”, diz.
Não é só discurso. José e Selma dão aos trigêmeos, todos os dias, três horas extras de aula, além da lição de casa. É como um treino de atletismo, com esforço repetitivo. José copia provas de olimpíadas de matemática antigas e dá como treino para os meninos. A vontade de vencer, atingir metas mais altas, destacar-se é um poderoso incentivo para os estudos. “Os melhores alunos não têm medo do desafio”, fiz Suely Druk, diretora da OBMEP. As aulas, no terraço da casa simples da família, não são apenas de matemática. Incluem ciências, português e história. Os meninos não se incomodam em suar a camisa. “Sempre foi assim aqui em casa”, diz Joemerson. O reforço ajuda a compensar as deficiências da escola municipal onde estão matriculados no 8o ano do ensino fundamental. “Queria que a escola puxasse mais. Estamos sem professor de história e de inglês”, diz Joebert. A postura de José faz com que os filhos não enxerguem a escola como um fardo, mas como solução. Os três querem se formar em engenharia da computação. Informática passou a ser a paixão dos meninos depois que Joemerson ganhou um computador num concurso de redação, há dois anos. De lá para cá, têm como passatempo navegar em redes de relacionamento, bate-papo e sites de jogos, como qualquer pré-adolescente. A diferença é que eles só fazem isso depois dos estudos.
Como se forma um bom aluno - Parte III
Um caminho alternativo, quase oposto ao da persistência dos trigêmeos Joebert, Joemerson e Joeverton, é a aposta na criatividade. Trata-se de, em vez de perseguir notas, liberar a imaginação. Pode-se construir uma argumentação forte contra a ênfase do sistema de ensino nas notas. Quando uma pessoa (criança, jovem ou adulto) se concentra em demasia no grau que receberá por um trabalho, deixa de apreciar o valor intrínseco dele. Em boa medida, a importância dada à nota é subtraída da alegria de aprender. Por isso é tão revitalizante observar crianças como Larissa Silvestre, de 9 anos, descobrindo o mundo, formulando conceitos, brincando. “A Larissa sempre foi criativa”, afirma sua professora de artes, Maria Luisa de Godoy. “Se eu pedia para ela recortar uma árvore, numa aula sobre contornos, ela me vinha com um varal cheio de roupas. Se eu ensinava a fazer uma peteca de sucata, em cinco minutos a peteca virava outro brinquedo.”
Sua mãe, Arlete de Epifânia, estudou até a 4a série e é cozinheira há 13 anos em uma casa de um bairro nobre de São Paulo. No ano passado, entrou pela primeira vez em um museu, quando a escola de Larissa convidou os pais a acompanhar os filhos numa visita ao Museu de Arte de São Paulo (Masp). “Nunca imaginei que existisse um lugar como aquele e que minha filha fosse capaz de fazer o que ela fez ali”, diz Arlete. De lá para cá, quando tem tempo livre, ela tenta fazer programas que envolvam algum tipo de atividade artística. Se não dá, ajuda a filha a costurar roupinhas para suas bonecas. Parecem atividades que têm pouco a ver com as disciplinas escolares. Não é assim. A sensibilidade de Larissa para as artes faz dela uma criança observadora – o que a favorece na hora de resolver um problema de matemática ou associar fatos históricos. Segundo Maria Lúcia Sabatella, especialista em crianças superdotadas, gente criativa é extremamente concentrada. “Os grandes inventores, os maiores estrategistas, nos negócios ou na guerra, não fazem a sequência lógica de raciocínio”, diz. “Eles são criativos. Seu caminho para chegar à resposta pode até ser mais longo. Mas é singular.”
Esse argumento é contrário à má imagem dos alunos que ficam “rabiscando o papel” em vez de estudar a sério para a prova. “A produção artística exige do aluno um esforço que pode ser maior do que nas outras disciplinas”, afirma Paulo Portella, coordenador do Serviço Educativo do Masp. “A criatividade das artes exige construção de conhecimento – e não a simples repetição deles.” Uma criança com pendor para as artes pode ter um caminho de sucesso até maior que o de um aluno “certinho”, em áreas menos convencionais. Ou pode levar vantagem no próprio campo do estudo. Larissa, por exemplo, diz que não quer ser artista quando crescer. Ela quer ser veterinária. 7. A INSPIRAÇÃO DE ALGUÉM - Todo mundo tem alguém que admira. Pode ser a mãe, um professor, uma personagem histórica. Essa figura nos faz almejar ser melhor. Isso também é verdade nos estudos. Quase todo bom aluno tem um professor inspirador, um parente que quer imitar, um bom exemplo. Felipe Brum, de 10 anos, morador de Brasília, tem dois: seu avô materno, Ribamar Ferreira, e Bruno, seu irmão mais velho. Ribamar é engenheiro e serve de inspiração para Felipe desde que, numa visita à construção de uma pousada da família na Bahia, mostrou-lhe que a matemática serve para construir coisas. “Quero construir robôs para ajudar a salvar a humanidade do desmatamento”, diz o menino. “Para fazer meu robô, sei que vou ter de estudar engenharia.” Bruno, seu irmão mais velho, também segue a carreira do avô. Passou no vestibular com 16 anos. “Eu também quero passar na UnB”, diz Felipe, sem saber direito o que significa a sigla, da Universidade de Brasília. Seu plano para conseguir a vaga já está em prática. Estuda duas horas todos os dias e tem como meta a nota mínima 8.
A rotina de estudos de Felipe foi organizada pela mãe, Isabella, para que o menino superasse suas dificuldades de aprendizado. Há dois anos, ele foi diagnosticado com transtorno de déficit de atenção (TDA). Isabella, que é médica, mudou seus horários para se dedicar aos estudos do filho. O irmão mais velho também ajuda. “Ele me estimula a aplicar os cálculos em tudo o que faço”, diz Felipe. “Nunca imaginei que para construir computadores a gente usava matemática.” Ter o avô e o irmão como heróis é a motivação de Felipe. “São muitos os casos em que ter um referencial, um exemplo a ser seguido, é determinante para a motivação do aprendizado”, afirma Quézia Bombonatto, presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia. “Estimular isso é válido, mas com o cuidado de respeitar a individualidade da criança.” Porque pode acontecer o contrário: a criança se sentir intimidada pela figura de sucesso e se frustrar ao não conseguir ser como ela. Não parece ser o caso de Felipe. No ano passado, ele tirou 9,6 em matemática, disciplina em que tinha ficado em recuperação no ano anterior. “Agora só quero boas notas, sei que isso ajuda a passar rápido no vestibular, como foi com o Bruno.”
8. PLANOS DE MUDAR O MUNDO - Para que serve a escola? Em parte, ela é a instituição conformista por natureza. É lá que aprendemos os meios e modos do mundo, as tradições de nossa cultura, o que devemos fazer para ter sucesso, de acordo com as expectativas da sociedade. Mas ela é, também, o lugar do exercício das possibilidades. É nela que aprendemos a pensar por conta própria. Uma boa educação inclui a capacidade de questionar, experimentar, criar. Um traço comum entre maus alunos é que seus interesses estão fora da escola. Mas esse é também um traço comum entre os bons alunos. A única diferença é que os maus alunos perseguem seus interesses em detrimento do estudo. Os bons mesclam suas atividades ao estudo. Com isso, ganham capacidade crítica, vivência, experiência.
No ano passado, Marcelo Monteiro, de 16 anos, dedicou boa parte de seu tempo livre a um projeto especial: recuperar a imagem do grêmio estudantil do colégio onde cursa o 3o ano do ensino médio, em Porto Alegre. Sua função como primeiro secretário era negociar com a diretoria atividades para os alunos e melhorias na escola, tarefa complicada dada a reputação do grêmio até então. As gestões anteriores deixaram a organização quebrada. Ao assumir, Marcelo e seus colegas de chapa encontraram a sede pichada, sofás depredados, computador quebrado. “Tivemos de reconquistar a confiança do diretor e dos coordenadores para emplacar nossos projetos”, diz ele. Para reformar a sede, arrecadou dinheiro com os alunos (cobrando pelo serviço de fazer carteirinhas de estudantes) e pais de alunos (enviou cerca de 1.500 boletos opcionais no valor de R$ 20 para o endereço residencial dos colegas. Mais da metade dos pais depositou o dinheiro). Também organizou uma campanha para mobilizar o colégio a participar de uma espécie de gincana. O prêmio, dado para a escola com o maior número de inscritos, era um computador. Levou. No final do ano, já com a sede reformada e o prestígio do grêmio recuperado, Marcelo conseguiu autorização da diretoria para fazer um festival de música. Cada convidado levou 1 quilo de alimento, doado para entidades carentes. “Não sei quanto deu no final, mas lotamos a Kombi que a escola nos emprestou para fazer a entrega.”
Mesmo tão ocupado com articulações estudantis e organização de eventos, Marcelo está no topo das notas de sua turma. Vai tentar o vestibular para Direito. “Ele não tem medo de se meter em encrencas”, diz um de seus professores, Ivanor Reginatto, no colégio há 25 anos. “Nem todo bom aluno questiona tanto quanto Marcelo, mas essa sua capacidade o coloca entre os melhores.” De certa forma, Marcelo segue os passos de seus pais, Marisa e Rui. Ambos participaram de grêmios estudantis no colégio e na faculdade. Durante cinco anos, presidiram a Associação de Pais e Mestres onde Marcelo estuda. “Tentamos passar a ideia de que se engajar em atividades fora da sala de aula daria a ele a base que vai definir seu futuro profissional e pessoal”, diz a mãe. “Eles me ensinaram a priorizar o diálogo, a discutir questões que acho importantes”, diz Marcelo. É para isso que serve a educação. Para atuar no mundo.
sexta-feira, 12 de março de 2010
Professores e alunos devem ter relação mais próxima?
Professores e alunos devem ter relação mais próxima?
Envolvimento pode melhorar comunicação, mas atrapalhar outros aspectos
Roberto Machado
O modelo de ensino nas universidades, que até certo ponto obedece ao paradigma que acompanha os estudantes desde o Ensino Básico, tem se replicado de geração em geração. Evidentemente, na universidade, o relacionamento entre professores e alunos adquire novos contornos. Liberdade e distanciamento são conceitos que são elevados a patamares altos em comparação ao que os estudantes vivenciam no colégio. Mas por outro lado, no Ensino Superior, a relação do professor com os alunos pode se desenvolver muito além da sala de aula e, em alguns casos, se transformar no embrião de um contato entre profissionais da mesma área ou mesmo em amizade. Esse tipo de contato pode e costuma receber diferentes pontos de vista dos profissionais. Há quem defenda que esse tipo de interação deva ser abordado com cuidado. Um dos argumentos é o de que ela poderia interferir na própria dinâmica do relacionamento entre mestre e aprendiz. Outros alertam para o que a convivência mais próxima e menos formal entre estudantes e professores pode aparentar e como isso interferiria no ambiente de aprendizado. Ainda que busque aproximação com o universo discente para melhorar a qualidade da comunicação entre as duas pontas, o questionamento parece inevitável: o professore deve ou não se envolver no ambiente dos alunos?
Warde Marx, professor de comunicação da USJT (Universidade São Judas Tadeu), prefere pensar que está propenso a fazer grandes amizades dentro da sala de aula como em qualquer outro lugar. Ele costuma inclusive dar uma dica para quem assiste a sua aula pela primeira vez. "Digo a eles o seguinte: estamos começando um período de estudos juntos e nada nos impede que, além de colegas de profissão, nos tornemos amigos", conta Marx, sinalizando sua opinião de que esse contato mais próximo com o universo dos estudantes não causa problemas. O professor divide hoje sua estação de trabalho na Fundação das Artes de São Caetano do Sul, onde participa na construção de projetos para a organização, com dois ex-alunos que se tornaram amigos. "Nós trabalhos juntos, rimos juntos e discutimos juntos, como bons amigos fazem", resume. Marx conjectura que essa atitude venha da época em que ele estava do outro lado da sala, como aluno. "Também tenho uma relação de amizade com pessoas que já foram meus professores e não é nada planejado, simplesmente aconteceu", diz ele. Mesmo sendo a favor do contato aluno/professor fora da sala de aula, não são todos os programas que atraem o educador. "Não costumo ir pra balada com meus alunos, mas um café com pão de queijo não faz mal a ninguém", conclui Marx.
Segundo Luis Mauro Sá Martino, professor de Comunicação da Faculdade Cásper Líbero, há profissionais que acreditam que a sala de aula é um lugar onde deve existir o diálogo e a troca. De acordo com ele, o professor tem muito a aprender com os alunos. Martino diz que isso acontece porque o mundo do conhecimento não tem fronteiras, mas mesmo assim, a relação pedagógica vem carregada de poder, e nem todos (seja alunos ou professores) estão preparados para ela. Por esse motivo o professor acha importante se concentrar dentro do universo cultural de seus alunos. "Já li e ouvi muita coisa indicada por meus alunos e também já dei muitas dicas para eles e discutimos sobre isso juntos", exemplifica Martinho. Mas ele demonstra alguma reserva em relação a excessos nesse contato com os estudantes e diz preferir deixar para se tornar amigo de seus alunos depois do ano letivo. Ele procura resumir o porquê dessa decisão. "É complicado sair apenas com um aluno enquanto você convive com muitos outros dentro da sala", declara Martino, que durante sua época de aluno presenciou situações não tão agradáveis. "Já vi professores que davam mais atenção a alguns alunos por suas preferências culturais e políticas e não é bom ver esse tipo de coisa", critica ele. Ele diz ainda se encontra com alguns dos seus ex-alunos. "Na última semana, sai para jantar com um casal para quem já dei aula e que além de terem se casado depois da faculdade, se tornaram bons amigos meus", afirma o professor.
Para alguns alunos, é importante saber que podem contar com os conselhos e experiência de vida de seus mestres não apenas durante as aulas. É isso que explica Luis Fernando Magliano, aluno de ciências atuarias da USP (Universidade de São Paulo), que buscou num professor conselhos sobre um intercâmbio. "Acabei por descobrir que o meu professor na época havia morado na Austrália por dois anos. Por isso, resolvi pedir alguns conselhos para ele, quanto a minha possível ida ao país", conta o rapaz, que diz ter recebido suporte do professor. "Saímos para conversar e ele me contou sobre sua experiência no exterior", lembra Magliano. O próprio aluno consegue sentir em seu dia-a-dia na universidade que a linha que divide professor e aluno é cada vez mais tênue e também chega ao mercado de trabalho. "Talvez essa sensação seja influenciada pelo meu curso, onde alunos e professores acabam se encontrando com bastante frequência no mercado de trabalho", opina o estudante.
As universidades costumam usar um projeto institucional bem sólido na hora de contratar um novo professor. São critérios que reúnem fatores que englobam o trabalho em equipe, pesquisas acadêmicas com bases educativas e métodos que visam a desafiar o aluno em sala de aula. Esses fatores são importantes, mas não determinantes na hora da contratação, como explica a Sandra Difini Kopzinfki, coordenadora do Programa de Pedagogia da Universidade FEEVALE. "Vemos o ensino e o aprendizado como uma troca, por isso, um professor com perfil humanista se faz tão necessário", explica a coordenadora. Sandra acha apenas que um dos pontos que pode atrapalhar a amizade é a relação hierárquica que o professor exerce sobre sua turma. "Tudo vai depender muito do professor e do aluno para que o relacionamento siga seu rumo natural, já que esse 'poder' pode vir a diluir a amizade", alerta ela.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Sobre Educação...pensamentos.
O encontro que tivemos hoje, na abertura da semana de planejamento, com a Profa. Angela Christina, diretora pedagógica da Rede Católica de Educação, nos colocou diante do desafio central de nosso trabalho: pensar no que somos e fazemos. Não só o fazer.
Mas quero destacar e partilhar algumas palavras, frases e pensamentos que hora foram apresentados e hora nos levou a bela viagem do pensamento. E um cuidado é importante: não é um resumo, uma sinopse. Mas ressalto e advirto novamente, são palavras, frases pensamentos soltos.
→ “Aprender na vivência”: qual a proposta de vivência que é feita pela escola?
- Qual é a amplitude das vivências?
→ “Naquilo que somos ignorantes somos facilmente conduzidos”: há diversas esferas ou campo de ignorância (ética, prática, conhecimento....)
→ “Cidadania é a articulação permanente e consistente entre projetos pessoais e coletivos, em projeção planetária.
→ Capacidade das respostas deve ser consistente: tem que ser capaz de ultrapassar tempos e espaços.
→ O erro não interrompe o raciocínio para a nova geração. 1. Mostra que não é por aquele caminho; 2. Indica que há outra possibilidade para se aprender ou fazer de outra maneira.
→ A escola não é mais o “lócus” único e exclusivo de propagação ou passagem da INFORMAÇÃO. Então, qual é o papel da escola em relação a todo este novo contexto.
→ As pessoas podem aprender com o mundo, então, o que é o APRENDER na escola. O que a escola ensina? Ou o que deve se aprender na escola?
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
MENSAGEM PARA 2010
Mude - Edson Marques
Mude, mas comece devagar, porque a direção é mais
importante que a velocidade.
Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho, ande por outras ruas,
calmamente, observando com atenção os lugares por onde você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os seus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.
Tire uma tarde inteira para passear livremente
na praia, ou no parque, e ouvir o canto dos
passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda.
Durma no outro lado da cama...
Depois, procure dormir em outras camas.
Assista a outros programas de tv, compre outros jornais...
Leia outros livros, viva outros romances.
Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos,
Escolha comidas diferentes,
Novos temperos, novas cores,
Novas delícias.
Tente o novo todo dia.
O novo lado, o novo método, o novo sabor,
o novo jeito, o novo prazer, o novo amor,
a nova vida.
Tente.
Busque novos amigos tente novos amores.
Faça novas relações.
Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes,
tome outro tipo de bebida compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado...
Outra marca de sabonete, outro creme dental...
Tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.
Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas,
troque de carro, compre novos óculos, escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios, despertadores.
Abra conta em outro banco.
Vá a outros cinemas, outros cabelereiros,
outros teatros, visite novos museus.
mude.
Lembre-se de que a vida é uma só.
E pense seriamente em arrumar um
Outro emprego, uma nova ocupação, um trabalho mais light, mais prazeroso, mais digno,
mais humano.
Se você não encontrar razões para ser livre,
invente-as.
Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa,
longa, se possível sem destino.
Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores do que as já conhecidas, mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança, o movimento,
o dinamismo, a energia.
Só o que está morto não muda!
Repito por pura alegria de viver:
A salvação é pelo risco,
sem o qual a vida não vale a pena!
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
FELIZ NATAL !
Gosto ainda de pensar o quanto é não é facil, ou melhor ainda, o peso que carregamos em ouro quando falamos FELIZ NATAL.
Desejamos felicidade, pensamos naquilo que historicamente o ser humano busca. Falamos e temos que crer...pelo menos na realização da proposta humana como uma grande busca, como uma grande trajetórias de milhares de anos, de milhões de pessoas...
Tudo isto num desejo, numa expressão...NUM ATO DE COMUNICAÇÃO.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
GRUPO DE JOVENS (JUPA)no ENSINO MÉDIO DO FRANCISCANO AVE MARIA




Pensando na própria Vida: o que pensam, as ações, as consequências e as possibilidades. Construindo uma "ID".
Olhem o blog (iniciativa destes sempre velozes internautecas !!!) :
http://grupojupa.blogspot.com
ENFIM: Pensar protagonismo é algo urgente. Conceitualmente é necessário uma compreensão significativa. Por que? Para elaborarmos e projetarmos uma prática diferenciada e não apenas em senso comum.
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Ventanias! Brisas!
Como a esperança...
Como o olhar a paisagem longe!
Desejos
Como sentimento
Como andar no vento
Ventanias! Brisas!
a paixão que vem do genuíno
Que em ti encontro
Não num ponto
Mas no belo... no genuíno.
Nisto,... Amor!
dois lado do coração
Sensação, emoção!
Devoção...
Sentimentos da paixão!
Fervor, transpor!
Ardor!
Atitudes do Amor!
Batidas da Vida
Amor e P!
amor especial...total..não exclusivo:poesia
Mas o medo, humano,
Fez o humano romper!
Com ele a dor a aparecer!
O equilibro desaparecer!
Mas pode do NOVO trazer
A esperança do ser!
dias...
deixar ser!
Encontrar a liberdade
comungando a verdade
numa simplicidade....
da bela cumplicidade
de um... de outro
de DOIS!
da comunicabilidade!
dias...
Ferida!
Que deseja a VIDA!
que brota, QUERIDA,
na angústia cindida...
pela palavra renascida...
da atitude surgida
pra na vida, não
ser esquecida!
Diverso..encontro...dois amores
que só a inspiração
de um universo aberto e diverso
podem oferecer
Como dom, doação: como paixão.
De um novo renascer...
Quero a pluralidade do diverso
na unidade da vida...
Do universo
que inspira a cada instante
caminhos
De entrelaçamentos, de encontros
nada prontos
Quero a vida, quero o encontro
nada prontos...
Plural e radical
como o caminho....
que na unidade nos
dá a pluralidade
de sermos não só um
mas dois...amores!
Momento e Vida!
Não. Isto não é possível.
Não é belo como a história, dos nossos encontros e desencontros.
Ou como a delícia do nosso amor.
Que queima ...sem deixar cinzas, ascendendo apenas nossas vidas.
Homem que sou,
Andante e amante
Vivo ao seu lado com a chama radiante.
Pequeno me torno
Mesquinho ou lazarento...
ao querer te ter e não te perder, pois
Amar é voar junto com o seu par !Momentos e Vida !
Eu..... VOCÊ!
Entendi
Que na vida
Só algo me faz sentido
Ver você e feliz !
Tudo tem significado só assim e por isto.
Não importa as convenções, pois só me interessam as nossas...
aquelas que você me faz ver como sentido,
E se um dia acharem tudo... eu... estranho
Não me chamarão de louco ou santo;
Mas de apaixonado e de estar perdidamente amando: você.
Se um dia falarem de minha vida
Entenderão que o que deixei de significado
Foi por que veio do maior de todos: VOCÊ !
Isto é...
EU TE AMO!
Amor e P!
UM GRANDE AMOR HUMANO
Estou sentindo pela primeira vez dor da perda de algo especial. De um presente ou tesouro que está ali...
Tenho pela primeira vez a sensação de estar despedaçado por dentro!
Tenho a certeza de viver um momento de total INCERTEZA.
De viver a COVARDIA !
De viver da contradição, de viver todas as oposições possíveis....
Como pode do encontro com Vida, com a Alegria.... tudo isto romper e aparecer!
Sim.... procurei, lutei e não desanimei
Pois em ti a vida apareceu.... de maneira tão clara como o sol...
Mas eu, humano demasiado, e não reconhecedor disto,
Olhou diretamente para o sol.... e a vista cegou....
Mas contente pela primeira vez, ao sair da escuridão, ver a LUZ ...
.... não consigo entender porque que nada vejo.
Como pode o caminho que estava ali.... sumir aos olhos!
A resposta é certa: o meu humano incerto, despreparado para algo maior que humano!
Despreparado para o humano iluminado e enviado!
Procurei a amiga, a companheira, a amada.... encontrei todas e perdi TUDO!
Cego demais por tudo isto ser verdade! Por ser certo!
Certo demais para um humano incerto!
Agora sobrou o choro, as lágrimas... aparecem com entendimento e clareza...
Mas pela primeira vez com a dureza que elas dão à vida!
Procuro... não sei o que.... mas preciso encontrar !
Algo que está aí.... um tesouro... perfeito, lindo... que irradia: beleza, alegria e VIDA!
Se posso agradecer é Deus hoje é porque ele criou seres humanos,
Que ao se tornarem humanos iluminam e levam vida,
Do qual pude ser iluminado..... cuidado...amado.... tocado!
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