Pesquisa mostra que brasileiros ainda desconhecem a leitura digital
POR ANGÉLICA PAULO
O Dia, 06/04/2010 - Rio de Janeiro RJ
Rio - O advento do livro digital parece ser uma realidade distante da população brasileira. Com mais de 190 milhões de pessoas, o Brasil possui, em todo o seu território, 95 milhões de leitores. Deste total, apenas 3% tem o hábito da leitura digital, o que corresponde a 4,6 milhões de pessoas, o que mostra o quanto esse costume ainda precisa ser difundido. Os dados são de uma pesquisa do Observatório do Livro e da Leitura, que traçou um perfil do leitor de mídias digitais. A pesquisa mostra que a maioria dos brasileiros ainda desconhece o leitor de livros digitais, mais conhecido como e-reader, além de não saber como acessar o conteúdo na internet. A comodidade do livro em papel, como manuseio e transporte, também foram fatores considerados determinantes na pesquisa, para que a população ainda rejeite o livro digital.
De acordo com Galeno Amorim, diretor do Observatório do Livro e da Leitura e autor da pesquisa, o livro digital vai beneficiar não somente a massa de leitores brasileiros, mas também as 77 milhões de pessoas que não cultivam o hábito da leitura. Segundo ele, a leitura digital vai fazer com que todas as classes sociais possam ter acesso a livros dos mais variados temas e valores, além de disponibilizar títulos que não estão mais no mercado. Ainda segundo a pesquisa, o maior atrativo do livro digital é o valor. Os entrevistados fizeram questão de ressaltar que o conteúdo disponibilizado na internet deve custar ¼ do preço de capa. Sendo assim, um livro cujo preço é R$ 90 deve sair, na internet, por R$ 20.
"Costumo baixar livros na internet porque faço isso gratuitamente. Se tivesse que pagar, compraria o livro impresso, até por uma questão sentimental", afirma a estudante de Marketing Carolina Aguiar, de 21 anos. Perfil dos leitores - Leitores de livros digitais lêem, em média, 97 minutos por semana - 1/3 lê diariamente, 1/3 lê uma vez por semana e 1/3 lê uma vez por mês - 7 milhões de brasileiros, em sua maioria jovens entre 14 e 17 anos, baixam livros gratuitamente pela internet - Leitores brasileiros rejeitam, inicialmente, o livro digital por dificuldade de manuseio, dificuldade de transporte do computador e afeição pelo livro em papel.
terça-feira, 13 de abril de 2010
Educação e Qualidade
Qualidade na educação
Editorial
A Notícia, 05/03/2010 - Joinville SC
Em manifestação no encerramento da Conferência Nacional de Educação, na última semana,o presidente Lula ressaltou o fato de o governo ter feito uma “pequena revolução” no ensino, atribuindo parte dos avanços nesta área a greves dos professores. A afirmação é compreensível num contexto de campanha política não-oficializada e num momento em que um Estado como o de São Paulo enfrenta paralisação do magistério. Ainda assim, a avaliação não coincide integralmente com a realidade do ensino brasileiro, no qual os indicadores registram melhora sob o ponto de vista da quantidade – de número de alunos e de universidades –, mas não da qualidade. Como educação precisa ser pensada sempre em médio e longo prazos, esse é um desafio que aguarda quem for comandar o País a partir do próximo ano. Uma das melhores formas de
avaliar a evolução do processo educacional no País é conhecer a realidade a partir dos indicadores disponíveis. E os números, apurados sem qualquer influência de subjetividades, não oferecem motivos só para comemorações. Ainda falta muito para o Brasil alcançar integralmente metas como as fixadas para 2022 pelo Projeto Todos pela Educação, movimento liderado por diferentes segmentos da sociedade.
O País ainda não conseguiu garantir a presença de todos os brasileiros entre quatro e 17 anos na escola. Enfrenta dificuldades também para fazer com que toda criança seja plenamente alfabetizada até os oito anos e para que todo aluno esteja com aprendizado adequado à série. A meta de manter todo jovem com ensino médio concluído até os 19 anos está dentro do intervalo de confiança, mas a dúvida é se a educação conseguirá ficar com no mínimo 5% do produto interno bruto (PIB) a partir deste ano.
Certamente, há avanços importantes, entre os quais figuram facilidades de acesso ao ensino. Alguns problemas, porém, se tornaram mais visíveis, como a dificuldade de fazer uma avaliação unificada para todo o País nos moldes da proposta pelo Enem registrada neste ano. Os exames de avaliação, assim como a conscientização dos pais sobre a importância do estudo e a valorização dos professores, são pressupostos para qualificar o ensino. Nenhum país pode ter a pretensão de se firmar como potência se não investir em educação, buscando não apenas quantidade, mas acima de tudo qualidade no ensino em todas as etapas do aprendizado formal. Esse é o rumo no qual o País precisa persistir, independentemente de quem esteja no comando.
Editorial
A Notícia, 05/03/2010 - Joinville SC
Em manifestação no encerramento da Conferência Nacional de Educação, na última semana,o presidente Lula ressaltou o fato de o governo ter feito uma “pequena revolução” no ensino, atribuindo parte dos avanços nesta área a greves dos professores. A afirmação é compreensível num contexto de campanha política não-oficializada e num momento em que um Estado como o de São Paulo enfrenta paralisação do magistério. Ainda assim, a avaliação não coincide integralmente com a realidade do ensino brasileiro, no qual os indicadores registram melhora sob o ponto de vista da quantidade – de número de alunos e de universidades –, mas não da qualidade. Como educação precisa ser pensada sempre em médio e longo prazos, esse é um desafio que aguarda quem for comandar o País a partir do próximo ano. Uma das melhores formas de
avaliar a evolução do processo educacional no País é conhecer a realidade a partir dos indicadores disponíveis. E os números, apurados sem qualquer influência de subjetividades, não oferecem motivos só para comemorações. Ainda falta muito para o Brasil alcançar integralmente metas como as fixadas para 2022 pelo Projeto Todos pela Educação, movimento liderado por diferentes segmentos da sociedade.
O País ainda não conseguiu garantir a presença de todos os brasileiros entre quatro e 17 anos na escola. Enfrenta dificuldades também para fazer com que toda criança seja plenamente alfabetizada até os oito anos e para que todo aluno esteja com aprendizado adequado à série. A meta de manter todo jovem com ensino médio concluído até os 19 anos está dentro do intervalo de confiança, mas a dúvida é se a educação conseguirá ficar com no mínimo 5% do produto interno bruto (PIB) a partir deste ano.
Certamente, há avanços importantes, entre os quais figuram facilidades de acesso ao ensino. Alguns problemas, porém, se tornaram mais visíveis, como a dificuldade de fazer uma avaliação unificada para todo o País nos moldes da proposta pelo Enem registrada neste ano. Os exames de avaliação, assim como a conscientização dos pais sobre a importância do estudo e a valorização dos professores, são pressupostos para qualificar o ensino. Nenhum país pode ter a pretensão de se firmar como potência se não investir em educação, buscando não apenas quantidade, mas acima de tudo qualidade no ensino em todas as etapas do aprendizado formal. Esse é o rumo no qual o País precisa persistir, independentemente de quem esteja no comando.
Dicas e orientações para aprendizagem - estratégias diversas
Escolas investem em técnicas de registro
Para ajudar os alunos a reter o conteúdo das aulas, colégios particulares de São Paulo utilizam diferentes estratégias, como a produção de diários
Mariana Mandelli - O Estadao de S.Paulo
O Estado de São Paulo, 05/04/2010 - São Paulo SP
Para fazer com que os alunos de classes cada vez mais heterogêneas retenham os diferentes conteúdos ensinados, as escolas particulares de São Paulo estão investindo em diferentes técnicas de aula, ferramentas criativas e métodos de registro. As propostas vão desde ressuscitar os cadernos do estilo diário até contratar especialistas em gestão de sala de aula, mesclando, assim, antigas e novas metodologias na tentativa de fazer com que os estudantes aprendam mais e estudem melhor em casa. Na Escola Carlitos, na zona oeste de São Paulo, todo o corpo docente - dos professores ao diretor - supervisiona os registros diários dos estudantes, valorizando a sistematização dos cadernos com títulos diferenciados, tabelas, espaçamento e cores, além de reforçar as técnicas de cópia. "Trabalhamos muito a organização dos cadernos porque isso facilita a retomada do assunto na hora de estudar", explica a diretora pedagógica Laura Piteri.
O investimento da escola na área já começa com as crianças da educação infantil, com o chamado Caderno de Vida. Nele, os alunos registram, com ajuda dos pais e professores, suas vivências escolares e familiares com textos e fotos. O caderno pode ser levado para casa nos fins de semana e é lido em classe toda segunda-feira pela manhã. "Esse é como se fosse o primeiro caderno deles, que permite ver como o aluno elabora seu aprendizado e narra fatos", afirma Laura. Segundo a professora tutora do setor de apoio à aprendizagem da Escola Viva, Adriana Ferreira, incentivar os registros de forma dinâmica faz com que os alunos produzam conhecimento e se tornem autores.
"Em uma leitura em grupo, por exemplo, é importante grifar bem o texto, inserir vocabulários, destacar os conceitos gerais e listar as palavras-chaves", explica Adriana. A oralidade também é outro aspecto trabalhado pelos colégios para facilitar o entendimento das disciplinas. Na Escola Móbile, na zona sul, os professores são treinados com uma série de técnicas de transmissão oral de acordo com a faixa etária das crianças. "O educador precisa ter a consciência de deixar claro o objetivo da aula na sua estratégia de fala", afirma a diretora pedagógica Cleuza Bourgogne.
Tecnologia. Para auxiliar ainda mais os professores a articular a fala e a escrita, algumas escolas gravam as aulas em vídeo para depois mostrar o desempenho aos educadores. "Filmar e analisar faz com que o profissional reflita sobre sua técnica", explica Silvia Tuono, especialista em gestão de sala de aula. "Ele pode perceber que precisa melhorar impostação e volume da voz, o tanto de tempo que passa falando, por exemplo." Na Stance Dual, além de serem orientados com práticas de anotação de aula, os alunos usam ferramentas multimídia. "Nas aulas de idioma, filmamos e colocamos legenda para os alunos verem depois", diz a diretora pedagógica da escola, Eliana Rahmilevitz. Algumas aulas são dadas com o suporte de arquivos digitais que depois são disponibilizados para as crianças. "Mas não é porque se usa tecnologia que ninguém mais escreve", explica Eliana. Segundo ela, nas aulas em que a exposição é feita por meio de computadores, os estudantes recebem o material impresso referente ao assunto, onde fazem anotações que, posteriormente, são corrigidas pelos professores.
ALGUNS MÉTODOS - Cadernos - As escolas apostam na organização dos cadernos para facilitar o estudo em casa. Utilizar cores diferenciadas para cada disciplina e criar tabelas e esquemas para organizar e hierarquizar os conteúdos são métodos valorizados. O uso do diário, para registrar experiências de vida, também é adotado. Livros - Nos textos, os professores orientam a grifar palavras, listar conceitos e palavras-chaves e destacar vocabulário desconhecido. Tecnologia - Gravar aulas em vídeo, para que o professor possa vê-las depois, é uma forma de analisar o desempenho dos educadores. Disponibilizar conteúdos digitais e incentivar a relação do aluno com a internet também faz parte das aulas.
Para ajudar os alunos a reter o conteúdo das aulas, colégios particulares de São Paulo utilizam diferentes estratégias, como a produção de diários
Mariana Mandelli - O Estadao de S.Paulo
O Estado de São Paulo, 05/04/2010 - São Paulo SP
Para fazer com que os alunos de classes cada vez mais heterogêneas retenham os diferentes conteúdos ensinados, as escolas particulares de São Paulo estão investindo em diferentes técnicas de aula, ferramentas criativas e métodos de registro. As propostas vão desde ressuscitar os cadernos do estilo diário até contratar especialistas em gestão de sala de aula, mesclando, assim, antigas e novas metodologias na tentativa de fazer com que os estudantes aprendam mais e estudem melhor em casa. Na Escola Carlitos, na zona oeste de São Paulo, todo o corpo docente - dos professores ao diretor - supervisiona os registros diários dos estudantes, valorizando a sistematização dos cadernos com títulos diferenciados, tabelas, espaçamento e cores, além de reforçar as técnicas de cópia. "Trabalhamos muito a organização dos cadernos porque isso facilita a retomada do assunto na hora de estudar", explica a diretora pedagógica Laura Piteri.
O investimento da escola na área já começa com as crianças da educação infantil, com o chamado Caderno de Vida. Nele, os alunos registram, com ajuda dos pais e professores, suas vivências escolares e familiares com textos e fotos. O caderno pode ser levado para casa nos fins de semana e é lido em classe toda segunda-feira pela manhã. "Esse é como se fosse o primeiro caderno deles, que permite ver como o aluno elabora seu aprendizado e narra fatos", afirma Laura. Segundo a professora tutora do setor de apoio à aprendizagem da Escola Viva, Adriana Ferreira, incentivar os registros de forma dinâmica faz com que os alunos produzam conhecimento e se tornem autores.
"Em uma leitura em grupo, por exemplo, é importante grifar bem o texto, inserir vocabulários, destacar os conceitos gerais e listar as palavras-chaves", explica Adriana. A oralidade também é outro aspecto trabalhado pelos colégios para facilitar o entendimento das disciplinas. Na Escola Móbile, na zona sul, os professores são treinados com uma série de técnicas de transmissão oral de acordo com a faixa etária das crianças. "O educador precisa ter a consciência de deixar claro o objetivo da aula na sua estratégia de fala", afirma a diretora pedagógica Cleuza Bourgogne.
Tecnologia. Para auxiliar ainda mais os professores a articular a fala e a escrita, algumas escolas gravam as aulas em vídeo para depois mostrar o desempenho aos educadores. "Filmar e analisar faz com que o profissional reflita sobre sua técnica", explica Silvia Tuono, especialista em gestão de sala de aula. "Ele pode perceber que precisa melhorar impostação e volume da voz, o tanto de tempo que passa falando, por exemplo." Na Stance Dual, além de serem orientados com práticas de anotação de aula, os alunos usam ferramentas multimídia. "Nas aulas de idioma, filmamos e colocamos legenda para os alunos verem depois", diz a diretora pedagógica da escola, Eliana Rahmilevitz. Algumas aulas são dadas com o suporte de arquivos digitais que depois são disponibilizados para as crianças. "Mas não é porque se usa tecnologia que ninguém mais escreve", explica Eliana. Segundo ela, nas aulas em que a exposição é feita por meio de computadores, os estudantes recebem o material impresso referente ao assunto, onde fazem anotações que, posteriormente, são corrigidas pelos professores.
ALGUNS MÉTODOS - Cadernos - As escolas apostam na organização dos cadernos para facilitar o estudo em casa. Utilizar cores diferenciadas para cada disciplina e criar tabelas e esquemas para organizar e hierarquizar os conteúdos são métodos valorizados. O uso do diário, para registrar experiências de vida, também é adotado. Livros - Nos textos, os professores orientam a grifar palavras, listar conceitos e palavras-chaves e destacar vocabulário desconhecido. Tecnologia - Gravar aulas em vídeo, para que o professor possa vê-las depois, é uma forma de analisar o desempenho dos educadores. Disponibilizar conteúdos digitais e incentivar a relação do aluno com a internet também faz parte das aulas.
Material escolar e desempenho da escola - parte III
Escola top não precisa de apostilas, diz pesquisadora
Para Paula Louzano, colégio de elite pode investir em corpo docente mais qualificado. Doutora em educação por Havard (EUA) afirma que sistema agrega mais em instituições com mensalidades mais baixas
DA SUCURSAL DO RIO
Folha de São Paulo, 03/04/2010 - São Paulo SP
Apesar de haver quem defenda que qualquer escola pode se beneficiar com um sistema de ensino, a maioria dos especialistas consultados pela Folha afirma que colégios de elite, que podem cobrar mensalidades maiores e contratar um corpo docente altamente qualificado, têm pouco a ganhar adotando apostilas. Paula Louzano, doutora em educação pela Universidade Harvard (EUA) e autora de estudos sobre o uso de sistemas de ensino em redes públicas no Brasil, afirma que a eficácia desses métodos dependerá do contexto de cada escola e do perfil do corpo docente. "Numa escola em uma cidade pequena e que cobre uma mensalidade baixa, esse sistema pode agregar muito. Mas, numa cidade como São Paulo, há muitas escolas que não precisam desses sistemas para ter qualidade, pois já têm uma equipe bem capacitada que não dependerá de um material estruturado para fazer um bom trabalho", diz ela. Guilherme Faiguenboim, diretor do sistema Anglo e presidente da Associação Brasileira de Sistemas de Ensino, também concorda com a ideia de que nem todas as escolas podem adotar as apostilas como método pedagógico.
"Escolas muito boas e muito caras têm condições de contratar professores que saibam fazer bom uso de sua autonomia. Colégios muito baratos e com professores despreparados também terão dificuldade para se adaptar. A maioria está nesta faixa intermediária", afirma. Como muitos desses sistemas têm atuação também na rede pública, o tema começa a despertar atenção de gestores e especialistas. A única pesquisa empírica feita até o momento com base nos dados do Ideb (indicador do MEC de qualidade da educação pública) não apontou resultados conclusivos. O estudo, da Fundação Getulio Vargas, mostrou que municípios que passaram a utilizar sistemas tiveram, em média, resultados melhores. No entanto não foi possível atribuir essa diferença exclusivamente ao uso do métodos.
Para Paula Louzano, colégio de elite pode investir em corpo docente mais qualificado. Doutora em educação por Havard (EUA) afirma que sistema agrega mais em instituições com mensalidades mais baixas
DA SUCURSAL DO RIO
Folha de São Paulo, 03/04/2010 - São Paulo SP
Apesar de haver quem defenda que qualquer escola pode se beneficiar com um sistema de ensino, a maioria dos especialistas consultados pela Folha afirma que colégios de elite, que podem cobrar mensalidades maiores e contratar um corpo docente altamente qualificado, têm pouco a ganhar adotando apostilas. Paula Louzano, doutora em educação pela Universidade Harvard (EUA) e autora de estudos sobre o uso de sistemas de ensino em redes públicas no Brasil, afirma que a eficácia desses métodos dependerá do contexto de cada escola e do perfil do corpo docente. "Numa escola em uma cidade pequena e que cobre uma mensalidade baixa, esse sistema pode agregar muito. Mas, numa cidade como São Paulo, há muitas escolas que não precisam desses sistemas para ter qualidade, pois já têm uma equipe bem capacitada que não dependerá de um material estruturado para fazer um bom trabalho", diz ela. Guilherme Faiguenboim, diretor do sistema Anglo e presidente da Associação Brasileira de Sistemas de Ensino, também concorda com a ideia de que nem todas as escolas podem adotar as apostilas como método pedagógico.
"Escolas muito boas e muito caras têm condições de contratar professores que saibam fazer bom uso de sua autonomia. Colégios muito baratos e com professores despreparados também terão dificuldade para se adaptar. A maioria está nesta faixa intermediária", afirma. Como muitos desses sistemas têm atuação também na rede pública, o tema começa a despertar atenção de gestores e especialistas. A única pesquisa empírica feita até o momento com base nos dados do Ideb (indicador do MEC de qualidade da educação pública) não apontou resultados conclusivos. O estudo, da Fundação Getulio Vargas, mostrou que municípios que passaram a utilizar sistemas tiveram, em média, resultados melhores. No entanto não foi possível atribuir essa diferença exclusivamente ao uso do métodos.
Professor mais importante que apostila - parte II
Professor é mais importante que apostila, diz diretor
DA SUCURSAL DO RIO
Folha de São Paulo, 03/04/2010 - São Paulo SP
Usando ou não apostilas elaboradas por sistemas de ensino, diretores de escolas que têm ou tiveram experiência com esse material concordam que ele nunca será mais importante que o professor. No colégio Pentágono, em São Paulo, a diretora-geral Gracia Klein afirma que desistiu de trabalhar há três anos com sistemas de ensino. "Nossa avaliação foi que o livro didático era menos restritivo [que o material apostilado] e permitia um aprofundamento maior dos conteúdos transmitos aos estudantes. Mas não acredito que exista livro didático ou sistema de ensino perfeito. É o professor quem faz a diferença em sala de aula", afirma a diretora. Já no colégio I.L.Peretz, também de São Paulo, a diretora-geral, Gita Guinsburg, está satisfeita com o uso de um sistema no ensino médio. "O conteúdo vem todo organizado, o que facilita o trabalho do professor, e o material é mais barato para os pais. Mas isso não é suficiente para garantir a qualidade do ensino. A alma da escola é a qualidade do professor", diz Gita.
DA SUCURSAL DO RIO
Folha de São Paulo, 03/04/2010 - São Paulo SP
Usando ou não apostilas elaboradas por sistemas de ensino, diretores de escolas que têm ou tiveram experiência com esse material concordam que ele nunca será mais importante que o professor. No colégio Pentágono, em São Paulo, a diretora-geral Gracia Klein afirma que desistiu de trabalhar há três anos com sistemas de ensino. "Nossa avaliação foi que o livro didático era menos restritivo [que o material apostilado] e permitia um aprofundamento maior dos conteúdos transmitos aos estudantes. Mas não acredito que exista livro didático ou sistema de ensino perfeito. É o professor quem faz a diferença em sala de aula", afirma a diretora. Já no colégio I.L.Peretz, também de São Paulo, a diretora-geral, Gita Guinsburg, está satisfeita com o uso de um sistema no ensino médio. "O conteúdo vem todo organizado, o que facilita o trabalho do professor, e o material é mais barato para os pais. Mas isso não é suficiente para garantir a qualidade do ensino. A alma da escola é a qualidade do professor", diz Gita.
A questão do material escolar - parte I
Material não passa por avaliação do ministério
Associação diz ter pedido ao MEC que avalie apostilas, mas ainda não houve resposta. Defensores do sistema afirmam que método poupa parte do trabalho pedagógico e facilita acompanhamento dos pais
ANTÔNIO GOIS DA SUCURSAL DO RIO
Folha de São Paulo, 03/04/2010 - São Paulo SP
Os tradicionais livros didáticos perdem cada vez mais espaço para as apostilas elaboradas por redes de ensino privado. Levantamento feito pela Folha mostra que ao menos um terço dos colégios particulares já adota esse sistema de ensino em substituição ou complemento dos livros. Dos 18 grupos identificados, apenas três -Etapa, Expoente e Ser- não quiseram divulgar seus números. Com as informações dos 15 demais sistemas, foi possível calcular que ao menos 7.000 escolas (33% do total de 21 mil instituições particulares de ensino fundamental e médio do país) trabalham com as apostilas.
Ao entregar para o professor um material estruturado e com planos de aula a serem seguidos, poupa-se parte do trabalho de coordenação pedagógica. Fica também mais fácil para pais e alunos acompanharem se o conteúdo previsto está, de fato, sendo transmitido. Especialista afirmam, porém, que o sistema pode tirar a autonomia do professor e, em alguns casos, dar pouca margem para trabalhar conteúdos regionais em escolas fora do Sul e Sudeste, onde se concentram os grupos educacionais responsáveis pelas apostilas. Outro aspecto negativo é que, ao contrário dos livros didáticos, as apostilas elaboradas pelos grupos não são avaliadas pelo Ministério da Educação. A Abrase (Associação Brasileira de Sistemas de Ensino) já propôs ao ministério que faça uma avaliação oficial, mas, afirma a entidade, ainda não houve resposta do MEC.
Origem - Os sistemas surgiram a partir de cursos pré-vestibulares de São Paulo e Paraná na década de 70, mas foi nos anos 90 que cresceram aceleradamente. Hoje já são vendidas apostiladas para todas as etapas da educação básica. Por ano, o custo varia entre R$ 100 -em séries iniciais do ensino fundamental e educação infantil- e R$ 1.000 -caso das apostilas voltadas a pré-vestibulares. Executivos desses grupos ouvidos pela Folha se dividem em relação ao potencial de crescimento. Há quem ache que, no setor privado, chegou-se perto do teto. Mas também quem aposte que ainda há muito a expandir.
Estimativas de faturamento do setor variam de R$ 500 milhões a R$ 1 bilhão por ano. Com o crescimento acelerado dos sistemas, empresas que lucravam com venda de livros didáticos, como as editoras Moderna, FTD, Ática/Scipione e a livraria Saraiva, tiveram de entrar no setor. José Arnaldo Favaretto, diretor de sistemas de ensino da Saraiva, afirma também que os livros didáticos tiveram que se adaptar aos sistemas, incorporando alguns serviços. "Hoje, muitas editoras agregam ao livro preparação de planos de aula e orientação ao professor, que são oferecidos pelos sistemas de ensino", diz ele. Além de apoio pedagógico, os sistemas atraem também escolas em busca de reforço de marketing, associando-se a uma marca mais forte.
Associação diz ter pedido ao MEC que avalie apostilas, mas ainda não houve resposta. Defensores do sistema afirmam que método poupa parte do trabalho pedagógico e facilita acompanhamento dos pais
ANTÔNIO GOIS DA SUCURSAL DO RIO
Folha de São Paulo, 03/04/2010 - São Paulo SP
Os tradicionais livros didáticos perdem cada vez mais espaço para as apostilas elaboradas por redes de ensino privado. Levantamento feito pela Folha mostra que ao menos um terço dos colégios particulares já adota esse sistema de ensino em substituição ou complemento dos livros. Dos 18 grupos identificados, apenas três -Etapa, Expoente e Ser- não quiseram divulgar seus números. Com as informações dos 15 demais sistemas, foi possível calcular que ao menos 7.000 escolas (33% do total de 21 mil instituições particulares de ensino fundamental e médio do país) trabalham com as apostilas.
Ao entregar para o professor um material estruturado e com planos de aula a serem seguidos, poupa-se parte do trabalho de coordenação pedagógica. Fica também mais fácil para pais e alunos acompanharem se o conteúdo previsto está, de fato, sendo transmitido. Especialista afirmam, porém, que o sistema pode tirar a autonomia do professor e, em alguns casos, dar pouca margem para trabalhar conteúdos regionais em escolas fora do Sul e Sudeste, onde se concentram os grupos educacionais responsáveis pelas apostilas. Outro aspecto negativo é que, ao contrário dos livros didáticos, as apostilas elaboradas pelos grupos não são avaliadas pelo Ministério da Educação. A Abrase (Associação Brasileira de Sistemas de Ensino) já propôs ao ministério que faça uma avaliação oficial, mas, afirma a entidade, ainda não houve resposta do MEC.
Origem - Os sistemas surgiram a partir de cursos pré-vestibulares de São Paulo e Paraná na década de 70, mas foi nos anos 90 que cresceram aceleradamente. Hoje já são vendidas apostiladas para todas as etapas da educação básica. Por ano, o custo varia entre R$ 100 -em séries iniciais do ensino fundamental e educação infantil- e R$ 1.000 -caso das apostilas voltadas a pré-vestibulares. Executivos desses grupos ouvidos pela Folha se dividem em relação ao potencial de crescimento. Há quem ache que, no setor privado, chegou-se perto do teto. Mas também quem aposte que ainda há muito a expandir.
Estimativas de faturamento do setor variam de R$ 500 milhões a R$ 1 bilhão por ano. Com o crescimento acelerado dos sistemas, empresas que lucravam com venda de livros didáticos, como as editoras Moderna, FTD, Ática/Scipione e a livraria Saraiva, tiveram de entrar no setor. José Arnaldo Favaretto, diretor de sistemas de ensino da Saraiva, afirma também que os livros didáticos tiveram que se adaptar aos sistemas, incorporando alguns serviços. "Hoje, muitas editoras agregam ao livro preparação de planos de aula e orientação ao professor, que são oferecidos pelos sistemas de ensino", diz ele. Além de apoio pedagógico, os sistemas atraem também escolas em busca de reforço de marketing, associando-se a uma marca mais forte.
A Filosofia e a Sociologia no processo educativo
Doutrina ou boa formação?
Respaldada por um parecer favorável do Conselho Nacional de Educação, a decisão do governo recebeu aplausos e vaias
Daniel Rodrigues Aurélio
Revista Filosofia, Edição 22
No dia 2 de junho de 2008, o presidente em exercício da República, José Alencar, sancionou a Lei nº 11.684, tornando a Sociologia e a Filosofia disciplinas obrigatórias na grade curricular do Ensino Médio. Desde então, encontramos o texto "serão incluídas a Filosofia e a Sociologia como disciplinas obrigatórias em todas as séries do ensino médio" no item IV do artigo 36 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Respaldada por um parecer favorável do Conselho Nacional de Educação, a decisão do governo recebeu aplausos e vaias. A salva de palmas veio de sindicatos e educadores progressistas; os apupos, de setores conservadores da sociedade brasileira representados na linha de frente por políticos, jornalistas e pedagogos contrários à medida. Essa dissensão político-ideológica arrasta-se por décadas e contamina o exame equilibrado dos benefícios e perigos da incorporação dessas duas disciplinas no currículo escolar. A polêmica levou governos estaduais a estudarem formas de protelar o cumprimento da determinação federal, com base em ponderações sobre gastos excessivos e dificuldades operacionais para contratar, de imediato, quadros suficientes para preencher as vagas a serem abertas.
Durante a ditadura civil-militar (1964- 1985), Filosofia e Sociologia transformaram-se, nas universidades, em espaços de resistência ao autoritarismo. Ideias marxistas e revolucionárias pipocaram, muitos alunos acabaram presos e professores foram aposentados compulsoriamente. Curiosamente, porém, inúmeros quadros do regime (censores, burocratas e até militares graduados) tinham formação em ciências humanas e sociais.
Motivados, talvez, pelos clichês, articulistas da grande imprensa levantaram-se contra a Lei 11.684 sob o argumento de que tais aulas serviriam para a "doutrinação marxista", o blogueiro da Veja, Reinaldo Azevedo, chegou a anunciar: "os molestadores ideológicos vem aí". Trata-se de uma visão simplista. A Sociologia e o tema desta revista, a Filosofia, não devem ser dirigidas por ideologias e dogmas, tampouco por pressões mercantilistas. A tarefa das duas é problematizar essas questões e tantas outras. E colocar os sujeitos para pensar. Quando aplicadas corretamente, exaltando a pluralidade de tendências, essas disciplinas contribuem para estimular o senso crítico (no sentido preciso do termo), melhoram a capacidade de raciocínio lógico e interpretação de textos, ampliam horizontes e estimulam a compreensão das disciplinas clássicas, da História à Matemática. A Matemática, sim. Afinal, ela deve muito à Filosofia e possui até campo específico dessa natureza, chamado de Filosofia da Matemática
Respaldada por um parecer favorável do Conselho Nacional de Educação, a decisão do governo recebeu aplausos e vaias
Daniel Rodrigues Aurélio
Revista Filosofia, Edição 22
No dia 2 de junho de 2008, o presidente em exercício da República, José Alencar, sancionou a Lei nº 11.684, tornando a Sociologia e a Filosofia disciplinas obrigatórias na grade curricular do Ensino Médio. Desde então, encontramos o texto "serão incluídas a Filosofia e a Sociologia como disciplinas obrigatórias em todas as séries do ensino médio" no item IV do artigo 36 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Respaldada por um parecer favorável do Conselho Nacional de Educação, a decisão do governo recebeu aplausos e vaias. A salva de palmas veio de sindicatos e educadores progressistas; os apupos, de setores conservadores da sociedade brasileira representados na linha de frente por políticos, jornalistas e pedagogos contrários à medida. Essa dissensão político-ideológica arrasta-se por décadas e contamina o exame equilibrado dos benefícios e perigos da incorporação dessas duas disciplinas no currículo escolar. A polêmica levou governos estaduais a estudarem formas de protelar o cumprimento da determinação federal, com base em ponderações sobre gastos excessivos e dificuldades operacionais para contratar, de imediato, quadros suficientes para preencher as vagas a serem abertas.
Durante a ditadura civil-militar (1964- 1985), Filosofia e Sociologia transformaram-se, nas universidades, em espaços de resistência ao autoritarismo. Ideias marxistas e revolucionárias pipocaram, muitos alunos acabaram presos e professores foram aposentados compulsoriamente. Curiosamente, porém, inúmeros quadros do regime (censores, burocratas e até militares graduados) tinham formação em ciências humanas e sociais.
Motivados, talvez, pelos clichês, articulistas da grande imprensa levantaram-se contra a Lei 11.684 sob o argumento de que tais aulas serviriam para a "doutrinação marxista", o blogueiro da Veja, Reinaldo Azevedo, chegou a anunciar: "os molestadores ideológicos vem aí". Trata-se de uma visão simplista. A Sociologia e o tema desta revista, a Filosofia, não devem ser dirigidas por ideologias e dogmas, tampouco por pressões mercantilistas. A tarefa das duas é problematizar essas questões e tantas outras. E colocar os sujeitos para pensar. Quando aplicadas corretamente, exaltando a pluralidade de tendências, essas disciplinas contribuem para estimular o senso crítico (no sentido preciso do termo), melhoram a capacidade de raciocínio lógico e interpretação de textos, ampliam horizontes e estimulam a compreensão das disciplinas clássicas, da História à Matemática. A Matemática, sim. Afinal, ela deve muito à Filosofia e possui até campo específico dessa natureza, chamado de Filosofia da Matemática
Disciplina na educação
Disciplina é necessária
Joana d'Arc Mariano Taveira
Revista Gestão Universitária, Edição 217
Sem disciplina o caos se instala. Portanto, sem disciplina não se consegue chegar a aprendizagem e sem aprendizagem, sem educação, a escola perde o sentido de ser e existir. Sendo a disciplina condição essencial para a aprendizagem, justifica-se estas reflexões buscando compreender melhor este tema tão instigante, desafiador e fundamental para o sucesso de nosso trabalho como educadores comprometidos que somos com a formação do ser humano integral e com o ensino aprendizagem. Todo o caos que vem se instalando na sociedade através da violência em suas múltiplas formas: desrespeito, preconceitos, agressões é consequência da falta de disciplina que advém da ausência de limites, de valores, de um significado espiritual que dê um sentido a vida, sentido que transcenda o imediatismo e as necessidades materiais cultivadas pelo consumismo desenfreado.
Diariamente, os profissionais da educação se deparam com vários desafios. Cada vez mais aumenta o desinteresse dos alunos e a escola não consegue competir com o fascínio do mundo virtual, das novas tecnologias. Precisamos com urgência reinventar a educação, a escola, para que ela seja fascinante, em sintonia com a geração e o mundo atual. Por outro lado vemos e sentimos o enfraquecimento dos valores morais,o descompromisso de muitos pais com a educação dos filhos, entregando totalmente essa tarefa para a escola. Porém, EDUCAR é tarefa da família e da escola. Estes dois pilares precisam estar em sintonia, "esta bola, família e escola deve jogar juntos". A escola não poderá negligenciar no desenvolvimento dos TEMAS TRANSVERSAIS. Pois através destes, paralelamente ao ensino aprendizagem, haverá a formação de um caráter reto, justo, responsável, um cidadão pleno, cônscio dos deveres e direitos, com competência acadêmica e retidão de caráter, aptos para o exercício da cidadania
Joana d'Arc Mariano Taveira
Revista Gestão Universitária, Edição 217
Sem disciplina o caos se instala. Portanto, sem disciplina não se consegue chegar a aprendizagem e sem aprendizagem, sem educação, a escola perde o sentido de ser e existir. Sendo a disciplina condição essencial para a aprendizagem, justifica-se estas reflexões buscando compreender melhor este tema tão instigante, desafiador e fundamental para o sucesso de nosso trabalho como educadores comprometidos que somos com a formação do ser humano integral e com o ensino aprendizagem. Todo o caos que vem se instalando na sociedade através da violência em suas múltiplas formas: desrespeito, preconceitos, agressões é consequência da falta de disciplina que advém da ausência de limites, de valores, de um significado espiritual que dê um sentido a vida, sentido que transcenda o imediatismo e as necessidades materiais cultivadas pelo consumismo desenfreado.
Diariamente, os profissionais da educação se deparam com vários desafios. Cada vez mais aumenta o desinteresse dos alunos e a escola não consegue competir com o fascínio do mundo virtual, das novas tecnologias. Precisamos com urgência reinventar a educação, a escola, para que ela seja fascinante, em sintonia com a geração e o mundo atual. Por outro lado vemos e sentimos o enfraquecimento dos valores morais,o descompromisso de muitos pais com a educação dos filhos, entregando totalmente essa tarefa para a escola. Porém, EDUCAR é tarefa da família e da escola. Estes dois pilares precisam estar em sintonia, "esta bola, família e escola deve jogar juntos". A escola não poderá negligenciar no desenvolvimento dos TEMAS TRANSVERSAIS. Pois através destes, paralelamente ao ensino aprendizagem, haverá a formação de um caráter reto, justo, responsável, um cidadão pleno, cônscio dos deveres e direitos, com competência acadêmica e retidão de caráter, aptos para o exercício da cidadania
A questão dos estudantes com mentes brilhantes
Mentes brilhantes
Quais métodos os psicólogos contemporâneos usam para identificar crianças superdotadas? Como ocorre o desenvolvimento emocional desses pequenos? Veja o que existe de novo nesse campo e o que dizem os pesquisadores sobre os famosos testes de QI
Por Roberta de Medeiros
Revista Psique, Edição 50
No supermercado, Tânia fala para sua mãe parar de colocar mercadorias no carrinho, pois já havia atingido o limite de R$ 50,00, tudo o que tinham para gastar. Com apenas 4 anos, a menina havia calculado o total gasto até aquele momento! Frequentadora de uma creche de baixa renda, ela aprendeu a contar e somar sozinha. Paulo tem 5 anos, é um menino alegre e comunicativo. Ele lê, escreve, canta e desenha, além de ter uma memória prodigiosa. Seus desenhos são excelentes para um garoto da sua idade. Pequenina e tímida, Vitória aprendeu a ler com 2 anos, quando passou a receber também aulas de inglês. Hoje, com 4 anos, ela já se debruça na leitura da mitologia grega. Os três são superdotados. Mas como descobrir quando uma criança é superdotada (ou portadora de altas habilidades como preferem dizer os especialistas)? Isso depende do conceito que se tem de superdotação. Até pouco tempo, a ideia que se tinha do superdotado remetia à imagem do garoto franzino, que era o primeiro da classe, craque em Química, Matemática ou Física.
Hoje a noção mais aceita é de que os superdotados são aquelas pessoas que têm os três traços: habilidade acima da média, criatividade e envolvimento com a tarefa. As habilidades podem ser em diversas áreas do conhecimento, como dança, construção civil, filosofia, desenho, escultura, esportes, literatura, ciências, trabalhos manuais, fotografia... ou habilidades gerais como memória, processamento de informação, vocabulário. "O envolvimento é a dedicação que o sujeito deposita em sua área de interesse, perseverança, dedicação, foco e motivação. A criatividade está ligada ao pensamento inovador, à flexibilidade e novas formas de perceber as mesmas coisas", explica a psicóloga Nara Joyce Wellausen Vieira, da Fundação de Articulação e Desenvolvimento de Políticas Públicas para Portadores de Altas Habilidades.
O mito de que a inteligência era uma coisa única, compacta, ruiu há muito tempo, graças aos estudos do psicólogo americano Howard Gardner, da Universidade Harvard, que mapeou as inteligências antes tidas apenas como aptidões. Ele sustenta que há oito tipos diferentes de inteligência e não apenas aquele bloco de saber lógico que se julgava no passado ser a mais sublime expressão do intelecto. São elas a verbal, a musical, a matemática, a espacial, a corporal, a naturalista (a capacidade de compreender os fenômenos naturais), a intrapessoal (o autoconhecimento) e a interpessoal (a habilidade de interpretar as intenções alheias e exercer a liderança). Se Gardner estiver certo, é possível que existam mais talentos do que poderíamos supor. Ao invés dos 1% a 3% de pessoas superdotadas, proposto pela Organização Mundial de Saúde, o índice pode saltar para 15%, levando em conta as habilidades artísticas, criativas, de liderança ou de esportes. Outro pesquisador que deu um passo adiante na compreensão do que se considera um comportamento inteligente foi o psicólogo americano Joseph Renzulli, do Centro Nacional de Pesquisa sobre o Superdotado e Talentoso da Universidade de Connecticut. Ao afirmar que o superdotado era uma mistura de talento, criatividade e dedicação obstinada, ele subverteu a visão antiga do Ocidente sobre os pequenos iluminados. "Tanto Gardner quanto Renzulli entendem que a inteligência não é um conceito fechado. Eles acreditam que as pessoas superdotadas têm diferentes perfis, que nem sempre condizem com a imagem do superdotado padrão, que é intelectual destacado", ressalta Nara.
Testes de QI - Durante o século XX, superdotado era alguém capaz de decorar conteúdos enciclopédicos ou resolver enunciados complexos. Os esforços para avaliar a inteligência a partir de testes ganharam fôlego com as ideias do psicólogo francês Alfred Binet, no início do século passado. Foi quando as autoridades francesas pediram que Binet criasse um instrumento capaz de prever quais crianças teriam sucesso nos liceus parisienses. Então, ele criou uma escala de inteligência, com 30 tarefas mentais graduadas em função da idade. Esse instrumento era capaz de mostrar se o desenvolvimento da criança era igual ao das colegas, atrasado ou adiantado. Daí o teste quociente de inteligência, o QI! E o felizardo que estourasse em pontos era inteligentíssimo. Mas não é bem assim. Eles foram logo considerados uma armadilha. Seriam tendenciosos, porque exigem, por exemplo, a familiaridade com as expressões e o vocabulário embutidos nas questões. Outro ponto criticado por ela é que os testes não avaliam outros elementos como liderança, habilidade para interagir, imaginação e determinação. E tem mais: esses testes avaliam apenas respostas certas dentro de um intervalo de tempo, são padronizadas. "O que fazer, então, quando as respostas são originais?", questiona Nara. E o mais perigoso em tudo isso: "Os resultados desses testes de inteligência são supervalorizados e aceitos com muita facilidade, rotulando algumas crianças", critica.
Avessos aos testes de QI, hoje os especialistas recorrem a outro arsenal para detectar a inteligência, como check-list, autoavaliação, observação, participação de professores e testes. O primeiro passo é levantar um histórico da criança a partir do relato dos pais. A criança passa por um extenso período de observação em seu ambiente de aprendizagem na escola ou em uma sala de recursos. O profissional coleta dados sobre seus interesses, sua forma preferida de aprender e sua produção. A criatividade também é avaliada. "Podem ser aplicadas provas acadêmicas de uma série acima. Isso permitirá ver as estratégias que ela usa para elaborar um problema que ela ainda não conhece formalmente. Se a área de talento for música ou artes plásticas, por exemplo, um expert deverá avaliar o caso", diz Maria Clara Sodré, professora da PUCRJ e autora de Educação de Superdotados: Teoria e Prática, da Editora Pedagógica e Universitária.
Para ela, o talento precoce é uma pista valiosa na hora de identificar o superdotado, já que o talento dele tende a desabrochar muito cedo. Em geral, os pequenos desenvolvem espontaneamente a sua habilidade: são crianças que aprendem a ler sozinhas ou que desmontam o computador sem causar estragos. Na mais tenra idade, mostram familiaridade com instrumentos musicais, têm um vocabulário elaborado, raciocínio ágil ou memória fora do comum. "A precocidade faz com que a criança seja capaz de fazer coisas típicas de crianças mais velhas e se desenvolver mais rápido e ter um talento superior", explica Maria Clara. Como Gardner, ela acredita que a inteligência é uma mistura de dois ingredientes: a bagagem genética e a capacidade da pessoa conquistar esses talentos ao longo da vida. "Existe uma inteligência herdada que poderá ou não ser desenvolvida. Se a criança não recebeu essa herança, ela terá dificuldade em aprimorá-la. Por outro lado, se ela nasce com alguma desenvoltura e não tem oportunidade de desenvolvê-la, não terá muito potencial", argumenta.
Mãe de três filhos talentosos, a psicóloga Ângela Virgolim, professora da UnB (Universidade de Brasília), também não vê com bons olhos o uso dos testes, embora admita que eles são úteis para avaliar uma criança com notas baixas na escola, por exemplo, por causa de desmotivação ou problemas emocionais. "As pessoas nos procuram para fazer um teste de QI ou para 'diagnosticar' um filho que pode ser ou não superdotado. Mas temos que fugir destas armadilhas. O importante, tanto para a escola, quanto para a família, não é classificar ou rotular, e sim criar formas mais adequadas da criança ou do jovem desenvolver seu potencial", completa Ângela, que estudou com a equipe de Renzulli durante a defesa do seu doutorado pela Universidade de Connecticut. Não há consenso entre os especialistas. O fato é que a ciência ainda não encontrou uma fórmula para medir com precisão quem é superdotado. "Se o conceito de inteligência se basear numa noção estática, será usado um ponto de corte nos resultados do teste para selecionar quem deve entrar no programa e quem deve ficar de fora. Renzulli, por exemplo, acredita que a superdotação poderá aparecer em um momento e desaparecer em outro, fruto do contexto em que a criança vivencia. "Assim, ela precisa ser sempre avaliada para ver se o programa está realmente desenvolvendo seu potencial", diz Ângela.
Quais métodos os psicólogos contemporâneos usam para identificar crianças superdotadas? Como ocorre o desenvolvimento emocional desses pequenos? Veja o que existe de novo nesse campo e o que dizem os pesquisadores sobre os famosos testes de QI
Por Roberta de Medeiros
Revista Psique, Edição 50
No supermercado, Tânia fala para sua mãe parar de colocar mercadorias no carrinho, pois já havia atingido o limite de R$ 50,00, tudo o que tinham para gastar. Com apenas 4 anos, a menina havia calculado o total gasto até aquele momento! Frequentadora de uma creche de baixa renda, ela aprendeu a contar e somar sozinha. Paulo tem 5 anos, é um menino alegre e comunicativo. Ele lê, escreve, canta e desenha, além de ter uma memória prodigiosa. Seus desenhos são excelentes para um garoto da sua idade. Pequenina e tímida, Vitória aprendeu a ler com 2 anos, quando passou a receber também aulas de inglês. Hoje, com 4 anos, ela já se debruça na leitura da mitologia grega. Os três são superdotados. Mas como descobrir quando uma criança é superdotada (ou portadora de altas habilidades como preferem dizer os especialistas)? Isso depende do conceito que se tem de superdotação. Até pouco tempo, a ideia que se tinha do superdotado remetia à imagem do garoto franzino, que era o primeiro da classe, craque em Química, Matemática ou Física.
Hoje a noção mais aceita é de que os superdotados são aquelas pessoas que têm os três traços: habilidade acima da média, criatividade e envolvimento com a tarefa. As habilidades podem ser em diversas áreas do conhecimento, como dança, construção civil, filosofia, desenho, escultura, esportes, literatura, ciências, trabalhos manuais, fotografia... ou habilidades gerais como memória, processamento de informação, vocabulário. "O envolvimento é a dedicação que o sujeito deposita em sua área de interesse, perseverança, dedicação, foco e motivação. A criatividade está ligada ao pensamento inovador, à flexibilidade e novas formas de perceber as mesmas coisas", explica a psicóloga Nara Joyce Wellausen Vieira, da Fundação de Articulação e Desenvolvimento de Políticas Públicas para Portadores de Altas Habilidades.
O mito de que a inteligência era uma coisa única, compacta, ruiu há muito tempo, graças aos estudos do psicólogo americano Howard Gardner, da Universidade Harvard, que mapeou as inteligências antes tidas apenas como aptidões. Ele sustenta que há oito tipos diferentes de inteligência e não apenas aquele bloco de saber lógico que se julgava no passado ser a mais sublime expressão do intelecto. São elas a verbal, a musical, a matemática, a espacial, a corporal, a naturalista (a capacidade de compreender os fenômenos naturais), a intrapessoal (o autoconhecimento) e a interpessoal (a habilidade de interpretar as intenções alheias e exercer a liderança). Se Gardner estiver certo, é possível que existam mais talentos do que poderíamos supor. Ao invés dos 1% a 3% de pessoas superdotadas, proposto pela Organização Mundial de Saúde, o índice pode saltar para 15%, levando em conta as habilidades artísticas, criativas, de liderança ou de esportes. Outro pesquisador que deu um passo adiante na compreensão do que se considera um comportamento inteligente foi o psicólogo americano Joseph Renzulli, do Centro Nacional de Pesquisa sobre o Superdotado e Talentoso da Universidade de Connecticut. Ao afirmar que o superdotado era uma mistura de talento, criatividade e dedicação obstinada, ele subverteu a visão antiga do Ocidente sobre os pequenos iluminados. "Tanto Gardner quanto Renzulli entendem que a inteligência não é um conceito fechado. Eles acreditam que as pessoas superdotadas têm diferentes perfis, que nem sempre condizem com a imagem do superdotado padrão, que é intelectual destacado", ressalta Nara.
Testes de QI - Durante o século XX, superdotado era alguém capaz de decorar conteúdos enciclopédicos ou resolver enunciados complexos. Os esforços para avaliar a inteligência a partir de testes ganharam fôlego com as ideias do psicólogo francês Alfred Binet, no início do século passado. Foi quando as autoridades francesas pediram que Binet criasse um instrumento capaz de prever quais crianças teriam sucesso nos liceus parisienses. Então, ele criou uma escala de inteligência, com 30 tarefas mentais graduadas em função da idade. Esse instrumento era capaz de mostrar se o desenvolvimento da criança era igual ao das colegas, atrasado ou adiantado. Daí o teste quociente de inteligência, o QI! E o felizardo que estourasse em pontos era inteligentíssimo. Mas não é bem assim. Eles foram logo considerados uma armadilha. Seriam tendenciosos, porque exigem, por exemplo, a familiaridade com as expressões e o vocabulário embutidos nas questões. Outro ponto criticado por ela é que os testes não avaliam outros elementos como liderança, habilidade para interagir, imaginação e determinação. E tem mais: esses testes avaliam apenas respostas certas dentro de um intervalo de tempo, são padronizadas. "O que fazer, então, quando as respostas são originais?", questiona Nara. E o mais perigoso em tudo isso: "Os resultados desses testes de inteligência são supervalorizados e aceitos com muita facilidade, rotulando algumas crianças", critica.
Avessos aos testes de QI, hoje os especialistas recorrem a outro arsenal para detectar a inteligência, como check-list, autoavaliação, observação, participação de professores e testes. O primeiro passo é levantar um histórico da criança a partir do relato dos pais. A criança passa por um extenso período de observação em seu ambiente de aprendizagem na escola ou em uma sala de recursos. O profissional coleta dados sobre seus interesses, sua forma preferida de aprender e sua produção. A criatividade também é avaliada. "Podem ser aplicadas provas acadêmicas de uma série acima. Isso permitirá ver as estratégias que ela usa para elaborar um problema que ela ainda não conhece formalmente. Se a área de talento for música ou artes plásticas, por exemplo, um expert deverá avaliar o caso", diz Maria Clara Sodré, professora da PUCRJ e autora de Educação de Superdotados: Teoria e Prática, da Editora Pedagógica e Universitária.
Para ela, o talento precoce é uma pista valiosa na hora de identificar o superdotado, já que o talento dele tende a desabrochar muito cedo. Em geral, os pequenos desenvolvem espontaneamente a sua habilidade: são crianças que aprendem a ler sozinhas ou que desmontam o computador sem causar estragos. Na mais tenra idade, mostram familiaridade com instrumentos musicais, têm um vocabulário elaborado, raciocínio ágil ou memória fora do comum. "A precocidade faz com que a criança seja capaz de fazer coisas típicas de crianças mais velhas e se desenvolver mais rápido e ter um talento superior", explica Maria Clara. Como Gardner, ela acredita que a inteligência é uma mistura de dois ingredientes: a bagagem genética e a capacidade da pessoa conquistar esses talentos ao longo da vida. "Existe uma inteligência herdada que poderá ou não ser desenvolvida. Se a criança não recebeu essa herança, ela terá dificuldade em aprimorá-la. Por outro lado, se ela nasce com alguma desenvoltura e não tem oportunidade de desenvolvê-la, não terá muito potencial", argumenta.
Mãe de três filhos talentosos, a psicóloga Ângela Virgolim, professora da UnB (Universidade de Brasília), também não vê com bons olhos o uso dos testes, embora admita que eles são úteis para avaliar uma criança com notas baixas na escola, por exemplo, por causa de desmotivação ou problemas emocionais. "As pessoas nos procuram para fazer um teste de QI ou para 'diagnosticar' um filho que pode ser ou não superdotado. Mas temos que fugir destas armadilhas. O importante, tanto para a escola, quanto para a família, não é classificar ou rotular, e sim criar formas mais adequadas da criança ou do jovem desenvolver seu potencial", completa Ângela, que estudou com a equipe de Renzulli durante a defesa do seu doutorado pela Universidade de Connecticut. Não há consenso entre os especialistas. O fato é que a ciência ainda não encontrou uma fórmula para medir com precisão quem é superdotado. "Se o conceito de inteligência se basear numa noção estática, será usado um ponto de corte nos resultados do teste para selecionar quem deve entrar no programa e quem deve ficar de fora. Renzulli, por exemplo, acredita que a superdotação poderá aparecer em um momento e desaparecer em outro, fruto do contexto em que a criança vivencia. "Assim, ela precisa ser sempre avaliada para ver se o programa está realmente desenvolvendo seu potencial", diz Ângela.
Educação Integral e o rendimento escolar
Experiência de educação integral melhora nota e zera evasão
Sarah Fernandes enviada especial a Brasília (DF)
Portal Aprendiz, 30/03/2010
A experiência de educação integral da rede municipal de Apucarana, no Paraná, melhorou o rendimento dos alunos em provas oficiais de monitoramento, reduziu a taxa de evasão a quase zero e aumentou a renda das famílias ao permitir que mulheres saíssem de casa para trabalhar. O sistema de ensino foi apresentado como uma experiência bem sucedida em educação integral na Conferência Nacional de Educação (Conae), que acontece até 1º de abril, em Brasília (DF).
Desde 2001, as crianças de 1ª a 4ª da rede municipal de Apucarana estudam das 7h30 às 16h30. Além das aulas em salas de aula elas participam de atividades como esportes, teatro, oficinas de robótica e jogos pedagógicos. No começo, as atividades eram realizadas em clubes e salões de igrejas, viabilizadas por parcerias com a sociedade. “A escola de tempo integral não é para ocupar a criança, mas para agregar a ela um olhar de integridade”, contou o secretário de Desenvolvimento Humano de Apucarana, Cláudio Aparecido da Silva.
Para implantar o novo modelo, foi necessário adaptar merenda, transporte e capacitação de professores, segundo Silva. “Alimentação era um ponto importante, porque a criança fica o dia todo fora de casa. Para dar conta, passamos a comprar os alimentos de pequenos produtores e implantamos um projeto de reeducação para evitar desperdício”, conta. “No começo houve grande resistência, porque educação integral não faz parte da cultura brasileira”. Quase dez anos depois, o município apresenta aumento no índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), crescimento de sua taxa de aprovação, redução para quase zero das taxas de evasão escolar e cumprimento de 21% das metas para educação em 2012, segundo a Secretaria de Desenvolvimento Humano. Além disso, o órgão aponta que o sistema contribuiu para a redução da violência e fortalecimento da agricultura local.
Tempo e perspectiva integral - “Quem forma os alunos? Não é só a escola, mas também a família e a comunidade”, avaliou a especialista em educação no campo, Tânia Figueiredo, que também participou do debate. “Todos os espaços são educativos e todas as potencialidades do aluno podem ser desenvolvidas”, completou. “Espaços diferentes permitem que as crianças criem perspectivas maiores e que sejam mais”, avaliou Tânia. “Mas não adianta ter espaços se o educador não está preparado para encontrar oportunidades de educação integral. Pensar nesse tipo de educação é pensar na natureza humana”, completou
Sarah Fernandes enviada especial a Brasília (DF)
Portal Aprendiz, 30/03/2010
A experiência de educação integral da rede municipal de Apucarana, no Paraná, melhorou o rendimento dos alunos em provas oficiais de monitoramento, reduziu a taxa de evasão a quase zero e aumentou a renda das famílias ao permitir que mulheres saíssem de casa para trabalhar. O sistema de ensino foi apresentado como uma experiência bem sucedida em educação integral na Conferência Nacional de Educação (Conae), que acontece até 1º de abril, em Brasília (DF).
Desde 2001, as crianças de 1ª a 4ª da rede municipal de Apucarana estudam das 7h30 às 16h30. Além das aulas em salas de aula elas participam de atividades como esportes, teatro, oficinas de robótica e jogos pedagógicos. No começo, as atividades eram realizadas em clubes e salões de igrejas, viabilizadas por parcerias com a sociedade. “A escola de tempo integral não é para ocupar a criança, mas para agregar a ela um olhar de integridade”, contou o secretário de Desenvolvimento Humano de Apucarana, Cláudio Aparecido da Silva.
Para implantar o novo modelo, foi necessário adaptar merenda, transporte e capacitação de professores, segundo Silva. “Alimentação era um ponto importante, porque a criança fica o dia todo fora de casa. Para dar conta, passamos a comprar os alimentos de pequenos produtores e implantamos um projeto de reeducação para evitar desperdício”, conta. “No começo houve grande resistência, porque educação integral não faz parte da cultura brasileira”. Quase dez anos depois, o município apresenta aumento no índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), crescimento de sua taxa de aprovação, redução para quase zero das taxas de evasão escolar e cumprimento de 21% das metas para educação em 2012, segundo a Secretaria de Desenvolvimento Humano. Além disso, o órgão aponta que o sistema contribuiu para a redução da violência e fortalecimento da agricultura local.
Tempo e perspectiva integral - “Quem forma os alunos? Não é só a escola, mas também a família e a comunidade”, avaliou a especialista em educação no campo, Tânia Figueiredo, que também participou do debate. “Todos os espaços são educativos e todas as potencialidades do aluno podem ser desenvolvidas”, completou. “Espaços diferentes permitem que as crianças criem perspectivas maiores e que sejam mais”, avaliou Tânia. “Mas não adianta ter espaços se o educador não está preparado para encontrar oportunidades de educação integral. Pensar nesse tipo de educação é pensar na natureza humana”, completou
A família e o desenvolvimento do desempenho escolar
Conae - Papel das famílias garante o desempenho de filhos na escola
Ascom MEC
Correio Braziliense, 30/03/2010 - Brasília DF
Atitudes simples dos pais, como conversar com os filhos e acompanhar o dever de casa, podem influenciar substancialmente a vida escolar de meninos e meninas. A constatação é do professor Cláudio de Moura Castro, que participou do colóquio Processos Educativos, Ampliação do Atendimento da Educação e Tecnologias da Informação. O debate ocorreu na segunda-feira (29/3) durante a Conferência Nacional de Educação (Conae), em Brasília. O professor fez uma comparação entre hábitos familiares em países asiáticos como Coréia e Japão e no Brasil. De acordo com ele, o desempenho acima da média dos alunos desses países, em avaliações internacionais como o Pisa, está intimamente relacionado ao envolvimento dos pais no acompanhamento da vida escolar dos filhos. “Entre 70% e 80% dos resultados escolares se deve a fatores ligados à família”, avaliou. De acordo com Cláudio, no Japão e na Coréia os pais gastam cerca de 30% de seu orçamento com a educação dos filhos – mesmo que os sistemas de educação desses países seja público – ao pagar, por exemplo, aulas de reforços. “Isso é mais do que esses governos gastam com as escolas públicas.” Segundo o professor, 83% dos alunos da Coréia estão em cursos de reforços. Outro ponto considerado positivo pelo pesquisador é que os alunos coreanos, além de terem aulas de reforço, passam mais tempo na escola: cerca de dez horas, contra cinco dos brasileiros. “Eles também lêem mais e vêem menos televisão do que os brasileiros”, disse. De acordo com ele, no Brasil, em média, os estudantes, quando estão em casa, passam quatro horas em frente à tevê e apenas uma estudando. Para ajudar o filho a melhorar o desempenho, aconselha o pesquisador, bastam medidas simples como acompanhar o dever de casa, incentivar a leitura nas férias e conversar muito com os filhos. “O pai tem que saber o que ocorre na escola e o acompanhamento do dever de casa é o diálogo do pai com a escola”, acredita. De acordo com as pesquisas de Cláudio, os pais que ajudam com o dever, verificam as correções dos professores e conversam bastante com os filhos, mesmo sobre assuntos não ligados à escola, mostram interesse pela vida dos filhos e incentivam uma rotina de estudos, influenciando positivamente no desempenho escolar. É o que ocorre na Coréia e no Japão, onde, segundo o professor, há uma profunda crença de que o estudo pode melhorar substancialmente a vida das pessoas.
Ascom MEC
Correio Braziliense, 30/03/2010 - Brasília DF
Atitudes simples dos pais, como conversar com os filhos e acompanhar o dever de casa, podem influenciar substancialmente a vida escolar de meninos e meninas. A constatação é do professor Cláudio de Moura Castro, que participou do colóquio Processos Educativos, Ampliação do Atendimento da Educação e Tecnologias da Informação. O debate ocorreu na segunda-feira (29/3) durante a Conferência Nacional de Educação (Conae), em Brasília. O professor fez uma comparação entre hábitos familiares em países asiáticos como Coréia e Japão e no Brasil. De acordo com ele, o desempenho acima da média dos alunos desses países, em avaliações internacionais como o Pisa, está intimamente relacionado ao envolvimento dos pais no acompanhamento da vida escolar dos filhos. “Entre 70% e 80% dos resultados escolares se deve a fatores ligados à família”, avaliou. De acordo com Cláudio, no Japão e na Coréia os pais gastam cerca de 30% de seu orçamento com a educação dos filhos – mesmo que os sistemas de educação desses países seja público – ao pagar, por exemplo, aulas de reforços. “Isso é mais do que esses governos gastam com as escolas públicas.” Segundo o professor, 83% dos alunos da Coréia estão em cursos de reforços. Outro ponto considerado positivo pelo pesquisador é que os alunos coreanos, além de terem aulas de reforço, passam mais tempo na escola: cerca de dez horas, contra cinco dos brasileiros. “Eles também lêem mais e vêem menos televisão do que os brasileiros”, disse. De acordo com ele, no Brasil, em média, os estudantes, quando estão em casa, passam quatro horas em frente à tevê e apenas uma estudando. Para ajudar o filho a melhorar o desempenho, aconselha o pesquisador, bastam medidas simples como acompanhar o dever de casa, incentivar a leitura nas férias e conversar muito com os filhos. “O pai tem que saber o que ocorre na escola e o acompanhamento do dever de casa é o diálogo do pai com a escola”, acredita. De acordo com as pesquisas de Cláudio, os pais que ajudam com o dever, verificam as correções dos professores e conversam bastante com os filhos, mesmo sobre assuntos não ligados à escola, mostram interesse pela vida dos filhos e incentivam uma rotina de estudos, influenciando positivamente no desempenho escolar. É o que ocorre na Coréia e no Japão, onde, segundo o professor, há uma profunda crença de que o estudo pode melhorar substancialmente a vida das pessoas.
Formação de professores à distância - uma polêmica
Formação de professores em cursos de educação a distância gera polêmica
Agência Brasil
Correio Braziliense, 30/03/2010 - Brasília DF
Brasília - A formação de professores em cursos de educação a distância está longe de um consenso entre os educadores que participam da Conferência Nacional de Educação (Conae). Os defensores da modalidade afirmam que essa é a única forma de garantir o ensino universitário aos que vivem em regiões de difícil acesso e os que são contra salientam a falta de qualidade dos cursos. A diretora do Sindicato dos Professores do Rio Grande do Sul e presidente do Conselho Estadual de Educação, Cecília Farias, critica a formação de professores em cursos de educação a distância. Para ela, é preciso haver formação presencial do futuro professor. "Nos cursos de pós-graduação, não há problema [com a distância], mas, para a formação inicial, somos contra." A professora ressaltou que várias instituições privadas não estão oferecendo cursos de qualidade e que existe muita mercantilização. "Os objetivos são apenas financeiros.”
A coordenadora-geral de Formação da Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação (MEC), Helena de Freitas, que também participa da Conae, lembra que a escola deve ser vinculada à sociedade e que muitos cursos a distância são de baixa qualidade. “Temos que examinar que tipo de professores são formados nesses cursos. Um encontro presencial é limitado no tempo e no espaço e distante da realidade da sociedade”, disse ela.
Segundo o Ministério da Educação, há 800 mil pessoas fazendo cursos de educação a distância – 600 mil em escolas privadas e 200 mil em instituições públicas. O secretário de Educação a Distância do MEC, Carlos Biechoviski, disse que o ministério está exercendo um papel rigoroso na supervisão e regulação de tais cursos. “O curso a distância permite que pessoas que morem nos rincões mais distantes se formem. Estamos sendo rígidos na supervisão dos cursos. Hoje mesmo foi descredenciada uma instituição de ensino e na semana passada tivemos outra faculdade”, afirmou Biechoviski.
Agência Brasil
Correio Braziliense, 30/03/2010 - Brasília DF
Brasília - A formação de professores em cursos de educação a distância está longe de um consenso entre os educadores que participam da Conferência Nacional de Educação (Conae). Os defensores da modalidade afirmam que essa é a única forma de garantir o ensino universitário aos que vivem em regiões de difícil acesso e os que são contra salientam a falta de qualidade dos cursos. A diretora do Sindicato dos Professores do Rio Grande do Sul e presidente do Conselho Estadual de Educação, Cecília Farias, critica a formação de professores em cursos de educação a distância. Para ela, é preciso haver formação presencial do futuro professor. "Nos cursos de pós-graduação, não há problema [com a distância], mas, para a formação inicial, somos contra." A professora ressaltou que várias instituições privadas não estão oferecendo cursos de qualidade e que existe muita mercantilização. "Os objetivos são apenas financeiros.”
A coordenadora-geral de Formação da Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação (MEC), Helena de Freitas, que também participa da Conae, lembra que a escola deve ser vinculada à sociedade e que muitos cursos a distância são de baixa qualidade. “Temos que examinar que tipo de professores são formados nesses cursos. Um encontro presencial é limitado no tempo e no espaço e distante da realidade da sociedade”, disse ela.
Segundo o Ministério da Educação, há 800 mil pessoas fazendo cursos de educação a distância – 600 mil em escolas privadas e 200 mil em instituições públicas. O secretário de Educação a Distância do MEC, Carlos Biechoviski, disse que o ministério está exercendo um papel rigoroso na supervisão e regulação de tais cursos. “O curso a distância permite que pessoas que morem nos rincões mais distantes se formem. Estamos sendo rígidos na supervisão dos cursos. Hoje mesmo foi descredenciada uma instituição de ensino e na semana passada tivemos outra faculdade”, afirmou Biechoviski.
Relações familiares no mundo contemporâneo: a educação dos filhos",
Módulo:
"Relações familiares no mundo contemporâneo: a educação dos filhos",
com a coordenação de Rosely Sayão.
(http://www.cpflcultura.com.br/lista/campinas)
Palestras do módulo:
A família no fogo cruzado da educação contemporânea , com Julio Groppa Aquino.
As novas formas de organização familiar nos estratos urbanos médios (agora múltiplas, heterogêneas e voláteis) parecem não ter encontrado uma contrapartida factível no que se refere aos modos de se relacionar com os mais novos. Assediada por um sem-número de palavras de ordem extravagantes, a família contemporânea encontrará, não raras vezes, uma espécie de colapso ético materializado, por um lado, num acúmulo de intenções impraticáveis e, por outro, na abdicação paulatina do gesto educativo cotidiano.
Data: 16/04
Horário: 19h
Programação gratuita e por ordem de chegada a partir das 18h.
(http://www.cpflcultura.com.br/evento/campinas/16-04-10/familia-no-fogo-cruzado-da-educacao-contemporanea-julio-groppa-aquino)
Do Tédio ao Respeito de Si: Educação Moral e Formação Ética, com Yves de La Taille.
No encontro, serão propostas duas análises complementares da contemporaneidade. Primeiro, falaremos de uma ‘cultura do tédio’, de falta de sentido existencial que comprometem a realização ética de uma ‘vida boa’. Em seguida, falaremos de uma ‘cultura da vaidade’, de superficialidade, que comprometem a legitimação moral de deveres. Finalmente, à luz da abordagem psicológica, serão apontadas ações educacionais desejáveis para a construção de uma ‘cultura do sentido’ e uma ‘cultura do respeito de si’
Data: 23/04
Horário: 19h
Programação gratuita e por ordem de chegada a partir das 18h.
(http://www.cpflcultura.com.br/evento/campinas/23-04-10/do-tedio-ao-respeito-de-si-educacao-moral-e-formacao-etica-yves-de-la)
A família no cinema, com Sérgio Rizzo.
Desde a consolidação do modelo narrativo clássico, nas primeiras décadas do século 20, a ficção no cinema se ocupa de representações da família que funcionam como projeções sociais de valores desejáveis ou reprováveis, gerando padrões de comportamento a serem seguidos ou condenados. Nas últimas duas ou três décadas, essas representações possibilitam compreender como a indústria do divertimento voltada para o consumo de massas procura se manter conectada às transformações no conceito de família vividas, sobretudo, pelas sociedades norte-americana e européia.
Data: 30/04
Horário: 19h
Programação gratuita e por ordem de chegada a partir das 18h
(http://www.cpflcultura.com.br/evento/campinas/30-04-10/familia-no-cinema-sergio-rizzo)
"Relações familiares no mundo contemporâneo: a educação dos filhos",
com a coordenação de Rosely Sayão.
(http://www.cpflcultura.com.br/lista/campinas)
Palestras do módulo:
A família no fogo cruzado da educação contemporânea , com Julio Groppa Aquino.
As novas formas de organização familiar nos estratos urbanos médios (agora múltiplas, heterogêneas e voláteis) parecem não ter encontrado uma contrapartida factível no que se refere aos modos de se relacionar com os mais novos. Assediada por um sem-número de palavras de ordem extravagantes, a família contemporânea encontrará, não raras vezes, uma espécie de colapso ético materializado, por um lado, num acúmulo de intenções impraticáveis e, por outro, na abdicação paulatina do gesto educativo cotidiano.
Data: 16/04
Horário: 19h
Programação gratuita e por ordem de chegada a partir das 18h.
(http://www.cpflcultura.com.br/evento/campinas/16-04-10/familia-no-fogo-cruzado-da-educacao-contemporanea-julio-groppa-aquino)
Do Tédio ao Respeito de Si: Educação Moral e Formação Ética, com Yves de La Taille.
No encontro, serão propostas duas análises complementares da contemporaneidade. Primeiro, falaremos de uma ‘cultura do tédio’, de falta de sentido existencial que comprometem a realização ética de uma ‘vida boa’. Em seguida, falaremos de uma ‘cultura da vaidade’, de superficialidade, que comprometem a legitimação moral de deveres. Finalmente, à luz da abordagem psicológica, serão apontadas ações educacionais desejáveis para a construção de uma ‘cultura do sentido’ e uma ‘cultura do respeito de si’
Data: 23/04
Horário: 19h
Programação gratuita e por ordem de chegada a partir das 18h.
(http://www.cpflcultura.com.br/evento/campinas/23-04-10/do-tedio-ao-respeito-de-si-educacao-moral-e-formacao-etica-yves-de-la)
A família no cinema, com Sérgio Rizzo.
Desde a consolidação do modelo narrativo clássico, nas primeiras décadas do século 20, a ficção no cinema se ocupa de representações da família que funcionam como projeções sociais de valores desejáveis ou reprováveis, gerando padrões de comportamento a serem seguidos ou condenados. Nas últimas duas ou três décadas, essas representações possibilitam compreender como a indústria do divertimento voltada para o consumo de massas procura se manter conectada às transformações no conceito de família vividas, sobretudo, pelas sociedades norte-americana e européia.
Data: 30/04
Horário: 19h
Programação gratuita e por ordem de chegada a partir das 18h
(http://www.cpflcultura.com.br/evento/campinas/30-04-10/familia-no-cinema-sergio-rizzo)
terça-feira, 30 de março de 2010
Vestibular UNICAMP,USP, UNESP, UFSCAR, PUCSP...
Fuvest
O manual do vestibular 2011 estará disponível na web para consulta e impressão a partir do dia 2 de agosto. As inscrições vão de 27 de agosto a 10 de setembro, também pela internet.
A Fuvest seleciona alunos para a USP (Universidade de São Paulo), para a Academia de Polícia Militar do Barro Branco e para a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa.
As provas específicas serão realizadas de 10 a 15 de outubro. A primeira fase será no dia 28 de novembro e a 2ª fase ocorre nos dias 9, 10 e 11 de janeiro.
Unicamp
A Unicamp recebe inscrições para o seu processo seletivo entre 23 de agosto e 8 de outubro, por meio de formulário que estará disponível na página da Comvest, que organiza vestibular.
A primeira fase vai acontecer no dia 21 de novembro e o resultado com a lista de convocados para a segunda fase será divulgado em 20 de dezembro.
A segunda fase será realizada nos dias 16, 17 e 18 de janeiro. Já as provas de aptidão serão aplicadas em Campinas, de 24 a 27 de janeiro. A lista de convocados em primeira chamada será divulgada em 7 de fevereiro.
Unesp
A prova da primeira fase da Unesp será no dia 14 de novembro. A segunda fase será em 19 e 20 de dezembro. A divulgação da convocação para matrícula acontecerá em 3 de fevereiro.
A PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo)
divulgou, nesta terça-feira (30), a data da prova do vestibular unificado 2011. Os exames serão realizados em 5 de dezembro e o resultado está previsto para o dia 21 do mesmo mês.
A UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) divulgou, nesta terça-feira (30), as datas previstas para aplicação das provas do processo seletivo 2011. Os dias reservados para os exames foram 5 e 6 de janeiro.
Segundo a assessoria de imprensa da instituição, caso seja mantido o atual formato do vestibular, em que a nota final de candidato é composta 50% pelo desempenho no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e 50% pelo resultado das provas da própria universidade, essa data será mantida.
A decisão sobre o formato do vestibular 2011 da UFSCar caberá aos colegiados superiores da instituição e deverá ser anunciada até o final do primeiro semestre de 2010.
FONTE: SITE DA UOL - acesso em 30 de abril.
O manual do vestibular 2011 estará disponível na web para consulta e impressão a partir do dia 2 de agosto. As inscrições vão de 27 de agosto a 10 de setembro, também pela internet.
A Fuvest seleciona alunos para a USP (Universidade de São Paulo), para a Academia de Polícia Militar do Barro Branco e para a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa.
As provas específicas serão realizadas de 10 a 15 de outubro. A primeira fase será no dia 28 de novembro e a 2ª fase ocorre nos dias 9, 10 e 11 de janeiro.
Unicamp
A Unicamp recebe inscrições para o seu processo seletivo entre 23 de agosto e 8 de outubro, por meio de formulário que estará disponível na página da Comvest, que organiza vestibular.
A primeira fase vai acontecer no dia 21 de novembro e o resultado com a lista de convocados para a segunda fase será divulgado em 20 de dezembro.
A segunda fase será realizada nos dias 16, 17 e 18 de janeiro. Já as provas de aptidão serão aplicadas em Campinas, de 24 a 27 de janeiro. A lista de convocados em primeira chamada será divulgada em 7 de fevereiro.
Unesp
A prova da primeira fase da Unesp será no dia 14 de novembro. A segunda fase será em 19 e 20 de dezembro. A divulgação da convocação para matrícula acontecerá em 3 de fevereiro.
A PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo)
divulgou, nesta terça-feira (30), a data da prova do vestibular unificado 2011. Os exames serão realizados em 5 de dezembro e o resultado está previsto para o dia 21 do mesmo mês.
A UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) divulgou, nesta terça-feira (30), as datas previstas para aplicação das provas do processo seletivo 2011. Os dias reservados para os exames foram 5 e 6 de janeiro.
Segundo a assessoria de imprensa da instituição, caso seja mantido o atual formato do vestibular, em que a nota final de candidato é composta 50% pelo desempenho no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e 50% pelo resultado das provas da própria universidade, essa data será mantida.
A decisão sobre o formato do vestibular 2011 da UFSCar caberá aos colegiados superiores da instituição e deverá ser anunciada até o final do primeiro semestre de 2010.
FONTE: SITE DA UOL - acesso em 30 de abril.
Escolha de Escola_ Parte II _ Os pais pouco buscam a pedagogia
Na escolha do colégio, pedagogia em 2º plano
Pesquisa mostra que pais dão mais valor à infraestrutura física e ao atendimento
O Estado de São Paulo, 29/03/2010 - São Paulo SP
Luciana Alvarez - O Estadao de S.Paulo
Os coordenadores se esforçam para apresentar detalhadamente os projetos pedagógicos de suas escolas em reuniões e palestras, mas na hora da escolha, os pais não percebem as diferenças entre os vários discursos. Eles levam em conta mesmo se os banheiros são limpos, se as salas de aula estão organizadas, a cordialidade de quem os atendeu ao telefone e, é claro, a classificação no ranking do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A falha na comunicação entre pais e escolas foi detectada por uma pesquisa qualitativa da Meio Ponto, empresa de estudos educacionais. Em 2009, foram ouvidos diretores e coordenadores de 16 escolas paulistanas de elite. Em janeiro deste ano, foram entrevistadas oito famílias que escolheram agora uma nova escola. "O mais importante para os pais são as informações visuais, como conservação, organização, aparência dos funcionário", afirma a educadora Renata Rubano, autora da pesquisa. "A escolha nunca tem como base a proposta pedagógica. A metodologia de cada colégio fica indiferenciada."
O estudo mostrou que os representantes dos colégios não gostam quando os pais aparecem com listas de itens predeterminados, mas também não conseguem se fazer compreender. "Os rótulos pedagógicos atrapalham o entendimento", diz Renata. Angustia. Todos os pais entrevistados relataram que o período de escolha é angustiante. "Eles querem a escola perfeita e buscam uma escola para toda a vida, para não precisar mais se preocupar com isso", diz a pesquisadora. Mas a escolha não deve ser definitiva. Ivone Neuber, mãe de gêmeos de 11 anos, não precisou nem sequer de um ano letivo para perceber que havia feito a opção errada. Na semana passada, antes de completar três meses de aula, transferiu Rodrigo para a Escola Viva, onde Thomaz já estudava. "Eles são diferentes, achei que se dariam bem em lugares diferentes", conta a mãe. Mas uma das escolas, apesar da ótima fama, não tinha um perfil que combinava com a família.
Os pais planejavam uma viagem na Páscoa para as cidades históricas de Minas Gerais, mas a quantidade de trabalhos e conteúdo para estudar era tão grande que o passeio teria de ser cancelado. "Achei demais para um menino de apenas 11 anos", diz Ivone. "O Rodrigo estava angustiado com tanta cobrança e me perguntei se a gente queria mesmo aquilo." A resposta foi "não". Os pais já haviam decidido tirar Rodrigo e Thomaz da escola anterior, em período integral, para suavizar o ritmo dos meninos. Perfil. A tradição, a fama, a localização são os fatores que mais acabam pesando na hora da escolha. Em meio a tantas opções de escolas, muitos pais se esquecem de perguntar que tipo de valores eles esperam do colégio. "Não basta saber se tem artes na escola. Tem de perguntar como a arte é vista; que tipo de arte se estuda; se a abordagem é o ensino da técnica ou o desenvolvimento da criatividade", afirma Renata.
Os pais também tem de levar em consideração os desejos e características dos filhos. "Quem escolhe é o pai, mas a gente vai trabalhar com o aluno", afirma o diretor da escola Hugo Sarmento, João Mendes de Almeida. Segundo ele, cada vez mais os pais têm a responsabilidade sobre o tipo de educação que recebem as crianças. "Antes, até existia aquela escola que dizia que ela é que sabia o que era bom para o aluno e pronto, não aceitava questionamento. Hoje não dá mais", diz. Internet. Em meio a um período de tantas dúvidas, os sites das escolas estão sendo usados como ferramentas que ajudam na decisão. Antes mesmo de visitar, os pais podem acompanhar a rotina escolar, saber que tipo de atividades são feitas e quais os resultados delas. "Hoje todo mundo entra nos sites várias vezes", diz Renata. O atendimento que os pais recebem desde o primeiro contato também é fundamental. "Se prometem ligar e não ligam, a escola acaba descartada."
Pesquisa mostra que pais dão mais valor à infraestrutura física e ao atendimento
O Estado de São Paulo, 29/03/2010 - São Paulo SP
Luciana Alvarez - O Estadao de S.Paulo
Os coordenadores se esforçam para apresentar detalhadamente os projetos pedagógicos de suas escolas em reuniões e palestras, mas na hora da escolha, os pais não percebem as diferenças entre os vários discursos. Eles levam em conta mesmo se os banheiros são limpos, se as salas de aula estão organizadas, a cordialidade de quem os atendeu ao telefone e, é claro, a classificação no ranking do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A falha na comunicação entre pais e escolas foi detectada por uma pesquisa qualitativa da Meio Ponto, empresa de estudos educacionais. Em 2009, foram ouvidos diretores e coordenadores de 16 escolas paulistanas de elite. Em janeiro deste ano, foram entrevistadas oito famílias que escolheram agora uma nova escola. "O mais importante para os pais são as informações visuais, como conservação, organização, aparência dos funcionário", afirma a educadora Renata Rubano, autora da pesquisa. "A escolha nunca tem como base a proposta pedagógica. A metodologia de cada colégio fica indiferenciada."
O estudo mostrou que os representantes dos colégios não gostam quando os pais aparecem com listas de itens predeterminados, mas também não conseguem se fazer compreender. "Os rótulos pedagógicos atrapalham o entendimento", diz Renata. Angustia. Todos os pais entrevistados relataram que o período de escolha é angustiante. "Eles querem a escola perfeita e buscam uma escola para toda a vida, para não precisar mais se preocupar com isso", diz a pesquisadora. Mas a escolha não deve ser definitiva. Ivone Neuber, mãe de gêmeos de 11 anos, não precisou nem sequer de um ano letivo para perceber que havia feito a opção errada. Na semana passada, antes de completar três meses de aula, transferiu Rodrigo para a Escola Viva, onde Thomaz já estudava. "Eles são diferentes, achei que se dariam bem em lugares diferentes", conta a mãe. Mas uma das escolas, apesar da ótima fama, não tinha um perfil que combinava com a família.
Os pais planejavam uma viagem na Páscoa para as cidades históricas de Minas Gerais, mas a quantidade de trabalhos e conteúdo para estudar era tão grande que o passeio teria de ser cancelado. "Achei demais para um menino de apenas 11 anos", diz Ivone. "O Rodrigo estava angustiado com tanta cobrança e me perguntei se a gente queria mesmo aquilo." A resposta foi "não". Os pais já haviam decidido tirar Rodrigo e Thomaz da escola anterior, em período integral, para suavizar o ritmo dos meninos. Perfil. A tradição, a fama, a localização são os fatores que mais acabam pesando na hora da escolha. Em meio a tantas opções de escolas, muitos pais se esquecem de perguntar que tipo de valores eles esperam do colégio. "Não basta saber se tem artes na escola. Tem de perguntar como a arte é vista; que tipo de arte se estuda; se a abordagem é o ensino da técnica ou o desenvolvimento da criatividade", afirma Renata.
Os pais também tem de levar em consideração os desejos e características dos filhos. "Quem escolhe é o pai, mas a gente vai trabalhar com o aluno", afirma o diretor da escola Hugo Sarmento, João Mendes de Almeida. Segundo ele, cada vez mais os pais têm a responsabilidade sobre o tipo de educação que recebem as crianças. "Antes, até existia aquela escola que dizia que ela é que sabia o que era bom para o aluno e pronto, não aceitava questionamento. Hoje não dá mais", diz. Internet. Em meio a um período de tantas dúvidas, os sites das escolas estão sendo usados como ferramentas que ajudam na decisão. Antes mesmo de visitar, os pais podem acompanhar a rotina escolar, saber que tipo de atividades são feitas e quais os resultados delas. "Hoje todo mundo entra nos sites várias vezes", diz Renata. O atendimento que os pais recebem desde o primeiro contato também é fundamental. "Se prometem ligar e não ligam, a escola acaba descartada."
Escolha da Escola - Parte I- Entrevista com Sílvia Colello
O Estado de São Paulo, 29/03/2010 - São Paulo SP
'As escolas mais atualizadas são menos compreendidas pelos pais'
Entrevista com Silvia Colello. Professora de Pedagogia Da Universidade de São Paulo
Educadora defende que todos os pais podem - e devem - entender o projeto pedagógico da escola dos filhos. Por que os pais não se importam com o projeto pedagógico?Muitos se sentem incompetentes para perguntar sobre isso. Alguns se sentem mais seguros com um modelo que já tiveram, então as escolas mais atualizadas são menos compreendidas. Muito usam, então, critérios periféricos, como nota no Enem, mesmo para crianças entrando no maternal. Mas a proposta pedagógica faz realmente diferença? Faz toda a diferença. Ela define o modelo de aprendizagem, os procedimentos que a escola adota. Ela precisa ser coerente com os valores da família. Os pais têm o direito de perguntar e a escola, o dever de explicar.
Mesmo leigos conseguem perceber a diferença de propostas? Por menos conhecedores que os pais sejam do assunto, é importante que eles entendam, para ter confiança na escola. É como para comprar um carro: tem de pesquisar, mas não precisa ser especialista. Eles podem fazer perguntas básicas, como quais são as metas do colégio, o que ele prioriza. É o vestibular, é passar valores, é criar um sujeito crítico? Mas existem muitos termos técnicos, que podem confundir... Se uma escola diz que é construtivista, precisa ver como isso se manifesta na prática. Pode-se saber com perguntas simples, sobre como são as aulas, que tipos de estudos do meio, se há feira de ciências, as particularidades da escola./ L.A.
'As escolas mais atualizadas são menos compreendidas pelos pais'
Entrevista com Silvia Colello. Professora de Pedagogia Da Universidade de São Paulo
Educadora defende que todos os pais podem - e devem - entender o projeto pedagógico da escola dos filhos. Por que os pais não se importam com o projeto pedagógico?Muitos se sentem incompetentes para perguntar sobre isso. Alguns se sentem mais seguros com um modelo que já tiveram, então as escolas mais atualizadas são menos compreendidas. Muito usam, então, critérios periféricos, como nota no Enem, mesmo para crianças entrando no maternal. Mas a proposta pedagógica faz realmente diferença? Faz toda a diferença. Ela define o modelo de aprendizagem, os procedimentos que a escola adota. Ela precisa ser coerente com os valores da família. Os pais têm o direito de perguntar e a escola, o dever de explicar.
Mesmo leigos conseguem perceber a diferença de propostas? Por menos conhecedores que os pais sejam do assunto, é importante que eles entendam, para ter confiança na escola. É como para comprar um carro: tem de pesquisar, mas não precisa ser especialista. Eles podem fazer perguntas básicas, como quais são as metas do colégio, o que ele prioriza. É o vestibular, é passar valores, é criar um sujeito crítico? Mas existem muitos termos técnicos, que podem confundir... Se uma escola diz que é construtivista, precisa ver como isso se manifesta na prática. Pode-se saber com perguntas simples, sobre como são as aulas, que tipos de estudos do meio, se há feira de ciências, as particularidades da escola./ L.A.
Brasil tem novas ocupações citadas na CBO
Brasil tem 47 "novas" ocupações - Inclusão de profissões em lista do governo ajuda em políticas públicas, afirma especialista
Folha de São Paulo, 28/03/2010 - São Paulo SP
JORDANA VIOTTO DA REPORTAGEM LOCAL
Chefe de cozinha, médico de saúde da família e outras 45 atividades foram incluídas na CBO (Classificação Brasileira de Ocupações), do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego). A lista, concluída no fim do ano passado, foi obtida com exclusividade pela Folha. Trata-se de uma relação de 2.511 ocupações, reunidas em 607 famílias, 192 subgrupos, 48 subgrupos principais e dez grandes grupos. Ela serve como base para cadastrar a população economicamente ativa. "Também ajuda a elaborar políticas públicas, analisar a evolução do mercado e identificar riscos de desemprego, doenças ocupacionais e acidentes de trabalho", esclarece Claudio Dedecca, professor do Instituto de Economia da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). A listagem das ocupações não tem fins de oficialização -há profissões que não constam da classificação. A diferença é que não contam com todo esse monitoramento. As atualizações são anuais e feitas pelos técnicos do MTE, que acompanham as listagens estrangeiras e consideram solicitações de conselhos profissionais, de sindicatos e do Sistema Nacional de Emprego.
Reconhecimento - Embora tenha cunho administrativo, e não de negociação, a inclusão de uma atividade na CBO é vista como reconhecimento. É a opinião do chefe de cozinha Fred Frank, 38. "Pode ser um impulso para que as universidades públicas ofereçam o curso de gastronomia", considera João Leme, presidente da Abaga (Associação Brasileira da Alta Gastronomia). Hoje, a graduação nessa área só está disponível em instituições privadas. A inclusão também será positiva para os tecnólogos em processos químicos, segundo Aelson Guaita, presidente do Sinquisp, sindicato de químicos. Ele conta que há uma confusão no mercado entre as definições de técnico (nível médio) e de tecnólogo (nível superior). "Há a ideia de que o curso de tecnólogo é incompleto por ser feito em menos tempo do que a graduação tradicional", afirma. Isso gera, diz, dificuldade de ingresso no mercado de trabalho. A inclusão da atividade deve ajudar a elucidar a situação. A CBO relaciona ocupações de todo o país. Por isso é difícil que uma delas deixe a lista, explica Eduardo Schneider, técnico do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). Assim, a classificação conta com ocupações, como a de datilógrafo, raras nas grandes cidades, mas vivas nas menores.
Folha de São Paulo, 28/03/2010 - São Paulo SP
JORDANA VIOTTO DA REPORTAGEM LOCAL
Chefe de cozinha, médico de saúde da família e outras 45 atividades foram incluídas na CBO (Classificação Brasileira de Ocupações), do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego). A lista, concluída no fim do ano passado, foi obtida com exclusividade pela Folha. Trata-se de uma relação de 2.511 ocupações, reunidas em 607 famílias, 192 subgrupos, 48 subgrupos principais e dez grandes grupos. Ela serve como base para cadastrar a população economicamente ativa. "Também ajuda a elaborar políticas públicas, analisar a evolução do mercado e identificar riscos de desemprego, doenças ocupacionais e acidentes de trabalho", esclarece Claudio Dedecca, professor do Instituto de Economia da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). A listagem das ocupações não tem fins de oficialização -há profissões que não constam da classificação. A diferença é que não contam com todo esse monitoramento. As atualizações são anuais e feitas pelos técnicos do MTE, que acompanham as listagens estrangeiras e consideram solicitações de conselhos profissionais, de sindicatos e do Sistema Nacional de Emprego.
Reconhecimento - Embora tenha cunho administrativo, e não de negociação, a inclusão de uma atividade na CBO é vista como reconhecimento. É a opinião do chefe de cozinha Fred Frank, 38. "Pode ser um impulso para que as universidades públicas ofereçam o curso de gastronomia", considera João Leme, presidente da Abaga (Associação Brasileira da Alta Gastronomia). Hoje, a graduação nessa área só está disponível em instituições privadas. A inclusão também será positiva para os tecnólogos em processos químicos, segundo Aelson Guaita, presidente do Sinquisp, sindicato de químicos. Ele conta que há uma confusão no mercado entre as definições de técnico (nível médio) e de tecnólogo (nível superior). "Há a ideia de que o curso de tecnólogo é incompleto por ser feito em menos tempo do que a graduação tradicional", afirma. Isso gera, diz, dificuldade de ingresso no mercado de trabalho. A inclusão da atividade deve ajudar a elucidar a situação. A CBO relaciona ocupações de todo o país. Por isso é difícil que uma delas deixe a lista, explica Eduardo Schneider, técnico do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). Assim, a classificação conta com ocupações, como a de datilógrafo, raras nas grandes cidades, mas vivas nas menores.
sexta-feira, 26 de março de 2010
Conferência Nacional da Educação de 28 de março a 1 de abril.
Em pauta, o futuro da Educação no país
Folha Dirigida, 25/03/2010 - Rio de Janeiro RJ
Lygia Freitas e Mário Boechat
A educação brasileira viverá momentos decisivos entre os dias 28 de março e 1º de abril. Neste período, Brasília será palco da Conferência Nacional de Educação (Conae). O evento pode ser considerado uma espécie de ápice da discussão de educação, uma vez que acontece depois das Conferências Municipais, Estaduais e do Distrito Federal, encontros que aconteceram durante os últimos dois anos e que reuniram diversos atores do cenário educacional, como dirigentes, professores, estudantes e pais de alunos. No evento, um dos temas mais importantes e polêmicos será a formulação do novo Plano Nacional de Educação (PNE), já que o anterior está prestes a expirar. Com as novas regras e metas, será estipulado o futuro do setor para os próximos 10 anos. Para o senador Flávio Arns (PSDB-PR), presidente da Comissão de Educação do Senado Federal, este é um momento de avaliação. "Precisamos verificar, como já está sendo feito, o plano atual. Precisamos saber o que deu certo e o que deu errado dentro das propostas e como elas têm sido implantadas. Precisamos saber, através disso, se conseguimos atingir todas as metas propostas", sugere, acrescentando que o país tem deixado a desejar, por exemplo, no ensino superior. "Nós temos 15% dos nossos jovens em instituições de ensino superior, tanto públicas quanto privadas, quando a nossa meta é 30%. A Argentina tem 30%; Cuba tem 50%".
Ainda de acordo com o senador, será fundamental ver em quais sentidos o país avançou, sem perder a noção de que muito ainda precisa ser feito em termos de educação. Entre as ressalvas para o desenvolvimento, Arns cita o orçamento que, segundo ele, precisaria ser muito maior do que o atual. Para ele, os debates na Conae não podem perder o foco no futuro. "Ao mesmo tempo, temos que ter um direcionamento para aquela idéia da próxima década. A política tem que ser mais condensada, com objetivos mais palpáveis para todos os níveis, inclusive na educação para o trabalho, que é um dos maiores desafios, além da falta de interesse pelo ensino médio e acesso ao ensino superior. Mas, no fundo, é a decisão do investimento e investimento na educação é a valorização do setor", conclui.
Já para a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS), integrante da Comissão de Educação da Câmara, será necessário cobrar ações e participação dos estados. "Temos que construir um novo PNE, já que o atual está concluindo a sua vigência. É uma responsabilidade constitucional definir um plano de metas e investimentos voltado à qualidade da educação brasileira de 2011 a 2020. Este novo plano tem que ter como centro a questão da qualidade, já que o acesso à educação tem que melhorar". Além disso, de acordo com a deputada, é preciso melhorar o monitoramento já que, para ela, pouco adianta ter metas se não há indicadores precisos, ao longo da vigência do plano, que avaliem o que está sendo feito e os resultados. "Além disso, a adesão dos estados tem sido muito pequena. Toda a análise indica que uma das falhas é que o PNE não esteve desdobrado em planos estaduais e municipais. Temos que ter uma meta clara de que o PNE exista na União, nos estados e nos municípios e, ainda, que exista um sistemanacional", finaliza.
Este sistema também será cobrado durante a Conae pelo Conselho Nacional de Educação (CNE). A presidente do órgão, Clélia Brandão, diz que a Emenda Constitucional 59 traz esse sistema nacional de educação com muito mais clareza, "dizendo que o Brasil tem um sistema nacional de educação, terá um Plano Nacional de Educação decenal e mais do que isso, assume o compromisso com a educação pública e gratuita dos 4 aos 17 anos". Além disso, ela afirma que, na Conae, o CNE vai defender a utilização de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para a educação brasileira. Ela também lembra que durante dois anos vêm sendo feitas discussões entre as esferas estaduais, municipais e nacional, sobre o papel dos conselhos, sua natureza, e a importância da continuidade das políticas. "Assim, nós defendemos, durante as conferências estaduais, e é lógico que este é um ponto que vai para a Conferência Nacional, que é da constituição efetiva dos conselhos como órgãos de estado ir além das gestões, tanto é que o conselho não faz a mudança de seus conselheiros todos aos mesmo tempo. Quer dizer, é um princípio da garantia da continuidade". Para ela, é ponto fundamental que os conselhos sejam órgãos de estado. "Para isso precisam ter uma legislação que lhes dê autonomia. Que ele se constitua numa unidade administrativa e financeira. É preciso rever até mesmo as leis de criação dos conselhos".
Cleide acrescenta que muitas outras questões relativas à própria organização da educação brasileira também vão fazer parte da discussão na Conae. Entre eles, um que ela define como um grande desafio. "A escola da diversidade; a escola inclusiva. E quando falamos inclusiva, é aquela que atende a todos, com qualidade, com solidariedade, com respeito, com cientificidade. Enfim, eu acho que serão debates extremamente importantes". Ela conclui afirmando que, com a Conae, serão elaboradas quatro etapas para o Plano Nacional de Educação (PNE). "A preparação, que fizemos durante o ano de 2008, para ver as diretrizes para subsidiar a elaboração do PNE; as estratégias para assegurar aquilo que discutimos e relacionamos como importante; acompanhar a fase de elaboração do PNE no sentido de que a legislação esteja de acordo com a expectativa; e o quarto momento, que só vai ter o seu final em 2020, que é o acompanhamento da implantação do plano e sua avaliação."
Folha Dirigida, 25/03/2010 - Rio de Janeiro RJ
Lygia Freitas e Mário Boechat
A educação brasileira viverá momentos decisivos entre os dias 28 de março e 1º de abril. Neste período, Brasília será palco da Conferência Nacional de Educação (Conae). O evento pode ser considerado uma espécie de ápice da discussão de educação, uma vez que acontece depois das Conferências Municipais, Estaduais e do Distrito Federal, encontros que aconteceram durante os últimos dois anos e que reuniram diversos atores do cenário educacional, como dirigentes, professores, estudantes e pais de alunos. No evento, um dos temas mais importantes e polêmicos será a formulação do novo Plano Nacional de Educação (PNE), já que o anterior está prestes a expirar. Com as novas regras e metas, será estipulado o futuro do setor para os próximos 10 anos. Para o senador Flávio Arns (PSDB-PR), presidente da Comissão de Educação do Senado Federal, este é um momento de avaliação. "Precisamos verificar, como já está sendo feito, o plano atual. Precisamos saber o que deu certo e o que deu errado dentro das propostas e como elas têm sido implantadas. Precisamos saber, através disso, se conseguimos atingir todas as metas propostas", sugere, acrescentando que o país tem deixado a desejar, por exemplo, no ensino superior. "Nós temos 15% dos nossos jovens em instituições de ensino superior, tanto públicas quanto privadas, quando a nossa meta é 30%. A Argentina tem 30%; Cuba tem 50%".
Ainda de acordo com o senador, será fundamental ver em quais sentidos o país avançou, sem perder a noção de que muito ainda precisa ser feito em termos de educação. Entre as ressalvas para o desenvolvimento, Arns cita o orçamento que, segundo ele, precisaria ser muito maior do que o atual. Para ele, os debates na Conae não podem perder o foco no futuro. "Ao mesmo tempo, temos que ter um direcionamento para aquela idéia da próxima década. A política tem que ser mais condensada, com objetivos mais palpáveis para todos os níveis, inclusive na educação para o trabalho, que é um dos maiores desafios, além da falta de interesse pelo ensino médio e acesso ao ensino superior. Mas, no fundo, é a decisão do investimento e investimento na educação é a valorização do setor", conclui.
Já para a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS), integrante da Comissão de Educação da Câmara, será necessário cobrar ações e participação dos estados. "Temos que construir um novo PNE, já que o atual está concluindo a sua vigência. É uma responsabilidade constitucional definir um plano de metas e investimentos voltado à qualidade da educação brasileira de 2011 a 2020. Este novo plano tem que ter como centro a questão da qualidade, já que o acesso à educação tem que melhorar". Além disso, de acordo com a deputada, é preciso melhorar o monitoramento já que, para ela, pouco adianta ter metas se não há indicadores precisos, ao longo da vigência do plano, que avaliem o que está sendo feito e os resultados. "Além disso, a adesão dos estados tem sido muito pequena. Toda a análise indica que uma das falhas é que o PNE não esteve desdobrado em planos estaduais e municipais. Temos que ter uma meta clara de que o PNE exista na União, nos estados e nos municípios e, ainda, que exista um sistemanacional", finaliza.
Este sistema também será cobrado durante a Conae pelo Conselho Nacional de Educação (CNE). A presidente do órgão, Clélia Brandão, diz que a Emenda Constitucional 59 traz esse sistema nacional de educação com muito mais clareza, "dizendo que o Brasil tem um sistema nacional de educação, terá um Plano Nacional de Educação decenal e mais do que isso, assume o compromisso com a educação pública e gratuita dos 4 aos 17 anos". Além disso, ela afirma que, na Conae, o CNE vai defender a utilização de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para a educação brasileira. Ela também lembra que durante dois anos vêm sendo feitas discussões entre as esferas estaduais, municipais e nacional, sobre o papel dos conselhos, sua natureza, e a importância da continuidade das políticas. "Assim, nós defendemos, durante as conferências estaduais, e é lógico que este é um ponto que vai para a Conferência Nacional, que é da constituição efetiva dos conselhos como órgãos de estado ir além das gestões, tanto é que o conselho não faz a mudança de seus conselheiros todos aos mesmo tempo. Quer dizer, é um princípio da garantia da continuidade". Para ela, é ponto fundamental que os conselhos sejam órgãos de estado. "Para isso precisam ter uma legislação que lhes dê autonomia. Que ele se constitua numa unidade administrativa e financeira. É preciso rever até mesmo as leis de criação dos conselhos".
Cleide acrescenta que muitas outras questões relativas à própria organização da educação brasileira também vão fazer parte da discussão na Conae. Entre eles, um que ela define como um grande desafio. "A escola da diversidade; a escola inclusiva. E quando falamos inclusiva, é aquela que atende a todos, com qualidade, com solidariedade, com respeito, com cientificidade. Enfim, eu acho que serão debates extremamente importantes". Ela conclui afirmando que, com a Conae, serão elaboradas quatro etapas para o Plano Nacional de Educação (PNE). "A preparação, que fizemos durante o ano de 2008, para ver as diretrizes para subsidiar a elaboração do PNE; as estratégias para assegurar aquilo que discutimos e relacionamos como importante; acompanhar a fase de elaboração do PNE no sentido de que a legislação esteja de acordo com a expectativa; e o quarto momento, que só vai ter o seu final em 2020, que é o acompanhamento da implantação do plano e sua avaliação."
quinta-feira, 25 de março de 2010
Vagas no Ensino Superior em SP
Haddad: faltam vagas em universidades de SP
O Globo, 25/03/2010 – Rio de Janeiro RJ
Demétrio Weber
BRASÍLIA.Ao comentar ontem a migração de estudantes de São Paulo para universidades de outros estados, no Sistema de Seleção Unificada (Sisu), o ministro da Educação, Fernando Haddad, disse que isso é resultado do pequeno número de vagas em instituições públicas de ensino superior paulistas, considerando o tamanho da população. Para o ministro, antes um estudante pobre não tinha vez no estado e o governo federal está corrigindo o problema com a criação e ampliação de universidades federais e com programa Universidade para Todos (ProUni), que concede bolsas a jovens de baixa renda em faculdades privadas. - É o estado que menos vaga pública tem (proporcionalmente à população) - disse Haddad. - O paulista de baixa renda não tinha oportunidade de estudar. O ministro destacou que 28% das vagas do ProUni em todo o país são oferecidas em São Paulo, estado que concentra o maior número de instituições privadas. Ele citou a criação da Universidade Federal do ABC.
O Sisu selecionou estudantes com base no Enem. Das 33.039 vagas preenchidas pelo Sisu até a terceira etapa de inscrições, 2.745 foram em instituições paulistas. Balanço do MEC mostra que 2.531 estudantes de São Paulo matricularam-se em instituições de outros estados, sendo que 202 em faculdades no Nordeste. A Universidade de Brasília (UnB) divulgou que o próximo Enem será realizado nos dias 6 e 7 de novembro. As datas foram discutidas anteontem por Haddad e reitores, mas não foram confirmadas oficialmente ontem pelo MEC.
O Globo, 25/03/2010 – Rio de Janeiro RJ
Demétrio Weber
BRASÍLIA.Ao comentar ontem a migração de estudantes de São Paulo para universidades de outros estados, no Sistema de Seleção Unificada (Sisu), o ministro da Educação, Fernando Haddad, disse que isso é resultado do pequeno número de vagas em instituições públicas de ensino superior paulistas, considerando o tamanho da população. Para o ministro, antes um estudante pobre não tinha vez no estado e o governo federal está corrigindo o problema com a criação e ampliação de universidades federais e com programa Universidade para Todos (ProUni), que concede bolsas a jovens de baixa renda em faculdades privadas. - É o estado que menos vaga pública tem (proporcionalmente à população) - disse Haddad. - O paulista de baixa renda não tinha oportunidade de estudar. O ministro destacou que 28% das vagas do ProUni em todo o país são oferecidas em São Paulo, estado que concentra o maior número de instituições privadas. Ele citou a criação da Universidade Federal do ABC.
O Sisu selecionou estudantes com base no Enem. Das 33.039 vagas preenchidas pelo Sisu até a terceira etapa de inscrições, 2.745 foram em instituições paulistas. Balanço do MEC mostra que 2.531 estudantes de São Paulo matricularam-se em instituições de outros estados, sendo que 202 em faculdades no Nordeste. A Universidade de Brasília (UnB) divulgou que o próximo Enem será realizado nos dias 6 e 7 de novembro. As datas foram discutidas anteontem por Haddad e reitores, mas não foram confirmadas oficialmente ontem pelo MEC.
MEC quer propor ENEM nos dias 06 e 07 de novembro.
MEC quer Enem após eleições, nos dias 6 e 7 de novembro
Data será confirmada pelo Inep; universidades paulistas querem que o exame ocorra o mais cedo possível
O Estado de São Paulo, 25/03/2010 - São Paulo SP
Eugênia Lopes - O Estadao de S.Paulo
O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deverá ser aplicado neste ano nos dias 6 e 7 de novembro, após as eleições - o primeiro turno ocorrerá no dia 3 de outubro e o segundo, no dia 31. A data final da prova será confirmada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), órgão ligado ao Ministério da Educação (MEC). "É pouco recomendável fazer o Enem entre o primeiro e o segundo turno das eleições", disse ontem o ministro da Educação, Fernando Haddad, após participar de audiência pública na Comissão de Educação da Câmara. No ano passado, o governo federal foi obrigado a cancelar o exame, previsto para o início de outubro, e remarcar uma nova data, em dezembro, porque a prova vazou. O MEC foi alertado sobre o vazamento pelo Estado. A data de realização da prova não agradará a todos. As universidades de São Paulo são favoráveis à aplicação do Enem o mais cedo possível, mas os demais Estados defendem que a prova seja feita depois das eleições.
Haddad voltou a afirmar que o MEC desistiu de fazer um Enem no primeiro semestre deste ano depois da descoberta de fraude no exame nacional da Ordem dos Advogados (OAB) do Brasil, em março. Em seu depoimento à comissão de Educação, Haddad garantiu ainda que a sobra de vagas nas universidades federais será de cerca de 2% do total de 48 mil vagas oferecidas - ou seja, em torno de mil vagas. Ele rebateu ainda as críticas de que São Paulo estaria "exportando" estudantes para universidades públicas de outros Estados. "São Paulo tem poucas vagas em universidades públicas em relação a sua população e, por isso, é natural que os jovens procurem oportunidades em Estados vizinhos, como Minas Gerais", disse Haddad.
Pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), o candidato pode usar a nota do Enem para ingresso nas universidades que adotaram o exame como vestibular. Segundo dados do MEC, São Paulo foi o Estado que mais se beneficiou do sistema unificado de seleção. O Estado recebeu 169 estudantes de fora em suas universidades federais e enviou um total de 2.531 alunos para outras regiões. Minas Gerais foi o principal destino, com 730 matrículas, seguido do Rio Grande do Sul, Amazonas, Piauí e Mato Grosso. Seleção unificada. O MEC informou ontem que realizará o Sisu no meio do ano, com algumas mudanças. A seleção será feita em apenas uma etapa, em vez das três atuais. Cada aluno poderá se inscrever em, no máximo, três opções diferentes de cursos. Também foi aprovada a criação de uma lista de espera, de onde serão chamados sucessivamente os alunos inscritos até que todas as vagas sejam preenchidas. O objetivo da lista é acabar com as vagas não preenchidas.
Data será confirmada pelo Inep; universidades paulistas querem que o exame ocorra o mais cedo possível
O Estado de São Paulo, 25/03/2010 - São Paulo SP
Eugênia Lopes - O Estadao de S.Paulo
O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deverá ser aplicado neste ano nos dias 6 e 7 de novembro, após as eleições - o primeiro turno ocorrerá no dia 3 de outubro e o segundo, no dia 31. A data final da prova será confirmada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), órgão ligado ao Ministério da Educação (MEC). "É pouco recomendável fazer o Enem entre o primeiro e o segundo turno das eleições", disse ontem o ministro da Educação, Fernando Haddad, após participar de audiência pública na Comissão de Educação da Câmara. No ano passado, o governo federal foi obrigado a cancelar o exame, previsto para o início de outubro, e remarcar uma nova data, em dezembro, porque a prova vazou. O MEC foi alertado sobre o vazamento pelo Estado. A data de realização da prova não agradará a todos. As universidades de São Paulo são favoráveis à aplicação do Enem o mais cedo possível, mas os demais Estados defendem que a prova seja feita depois das eleições.
Haddad voltou a afirmar que o MEC desistiu de fazer um Enem no primeiro semestre deste ano depois da descoberta de fraude no exame nacional da Ordem dos Advogados (OAB) do Brasil, em março. Em seu depoimento à comissão de Educação, Haddad garantiu ainda que a sobra de vagas nas universidades federais será de cerca de 2% do total de 48 mil vagas oferecidas - ou seja, em torno de mil vagas. Ele rebateu ainda as críticas de que São Paulo estaria "exportando" estudantes para universidades públicas de outros Estados. "São Paulo tem poucas vagas em universidades públicas em relação a sua população e, por isso, é natural que os jovens procurem oportunidades em Estados vizinhos, como Minas Gerais", disse Haddad.
Pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), o candidato pode usar a nota do Enem para ingresso nas universidades que adotaram o exame como vestibular. Segundo dados do MEC, São Paulo foi o Estado que mais se beneficiou do sistema unificado de seleção. O Estado recebeu 169 estudantes de fora em suas universidades federais e enviou um total de 2.531 alunos para outras regiões. Minas Gerais foi o principal destino, com 730 matrículas, seguido do Rio Grande do Sul, Amazonas, Piauí e Mato Grosso. Seleção unificada. O MEC informou ontem que realizará o Sisu no meio do ano, com algumas mudanças. A seleção será feita em apenas uma etapa, em vez das três atuais. Cada aluno poderá se inscrever em, no máximo, três opções diferentes de cursos. Também foi aprovada a criação de uma lista de espera, de onde serão chamados sucessivamente os alunos inscritos até que todas as vagas sejam preenchidas. O objetivo da lista é acabar com as vagas não preenchidas.
Avaliação e Gestão Escolar
Bons resultados não se devem só à escola
> Folha de São Paulo, 20/03/2010 - São Paulo SP
SILVIA COLELLO ESPECIAL PARA A FOLHA
Avaliar escolas é uma tarefa complexa. Isso porque o impacto da escolaridade sobre o estudante vai além da esfera cognitiva. Tem implicações ao longo da vida: sua visão de mundo, modo de inserção social, raciocínio crítico, habilidade de organização e planejamento, criatividade, liderança, postura ética, senso de responsabilidade e compromisso social, entre outros aspectos. Na amplitude do processo educativo, parece difícil apreender tantas metas desejáveis na formação humana. Por isso, a precariedade da cultura avaliativa no Brasil muitas vezes se reduz à publicação de um ranking de escolas, elaborado com base em uma única prova (como é o caso do Enem), cujos critérios nem sempre são evidentes para a população. Assim, os valores educativos se submetem aos números e acirram a dimensão empresarial das escolas. As avaliações traduzidas pelo ranking acabam servindo como recursos mercadológicos que definem o fluxo na busca de escolas. Nesse contexto, a pesquisa Eduqual com ex-alunos de 11 colégios em SP configura-se como iniciativa relevante porque, ao incorporar critérios nunca antes considerados, acaba por agregar dados, ampliar a visibilidade sobre o conjunto do esforço educativo e sofisticar os mecanismos de avaliação.
A despeito dos méritos, há duas ressalvas. Os bons resultados dos alunos não se devem só à ação escolar mas também ao perfil da clientela. Os estudantes de escolas particulares são aqueles que têm maior acesso à cultura letrada, mais experiências extraescolares, melhores condições de frequentar as universidades e chances de chegar ao mercado. É preciso admitir: as boas escolas são boas também porque lidam com um público com mais probabilidade de se inserir produtivamente. A respeito do uso institucional da avaliação, é preciso ter cautela com a eventual manipulação: com mais dados à disposição, o arranjo na mostra e omissão de resultados pode se constituir como um instrumento a serviço do mercado escolar, perpetuando os vícios das práticas avaliativas. Outra vez, o senso crítico e o compromisso com a educação nos levam a questionar: avaliar a educação, como e para quê? SILVIA COLELLO é professora da Faculdade de Educação da USP
> Folha de São Paulo, 20/03/2010 - São Paulo SP
SILVIA COLELLO ESPECIAL PARA A FOLHA
Avaliar escolas é uma tarefa complexa. Isso porque o impacto da escolaridade sobre o estudante vai além da esfera cognitiva. Tem implicações ao longo da vida: sua visão de mundo, modo de inserção social, raciocínio crítico, habilidade de organização e planejamento, criatividade, liderança, postura ética, senso de responsabilidade e compromisso social, entre outros aspectos. Na amplitude do processo educativo, parece difícil apreender tantas metas desejáveis na formação humana. Por isso, a precariedade da cultura avaliativa no Brasil muitas vezes se reduz à publicação de um ranking de escolas, elaborado com base em uma única prova (como é o caso do Enem), cujos critérios nem sempre são evidentes para a população. Assim, os valores educativos se submetem aos números e acirram a dimensão empresarial das escolas. As avaliações traduzidas pelo ranking acabam servindo como recursos mercadológicos que definem o fluxo na busca de escolas. Nesse contexto, a pesquisa Eduqual com ex-alunos de 11 colégios em SP configura-se como iniciativa relevante porque, ao incorporar critérios nunca antes considerados, acaba por agregar dados, ampliar a visibilidade sobre o conjunto do esforço educativo e sofisticar os mecanismos de avaliação.
A despeito dos méritos, há duas ressalvas. Os bons resultados dos alunos não se devem só à ação escolar mas também ao perfil da clientela. Os estudantes de escolas particulares são aqueles que têm maior acesso à cultura letrada, mais experiências extraescolares, melhores condições de frequentar as universidades e chances de chegar ao mercado. É preciso admitir: as boas escolas são boas também porque lidam com um público com mais probabilidade de se inserir produtivamente. A respeito do uso institucional da avaliação, é preciso ter cautela com a eventual manipulação: com mais dados à disposição, o arranjo na mostra e omissão de resultados pode se constituir como um instrumento a serviço do mercado escolar, perpetuando os vícios das práticas avaliativas. Outra vez, o senso crítico e o compromisso com a educação nos levam a questionar: avaliar a educação, como e para quê? SILVIA COLELLO é professora da Faculdade de Educação da USP
Outra via de avaliação da Escola
Colégios "top" mapeiam ex-estudantes
Pesquisa do Datafolha encomendada por 11 escolas de SP ouviu 1.500 pessoas; objetivo é reduzir importância do Enem. Estudo analisa situação econômica dos ex-alunos; as graduações de direito administração e engenharia são as mais procuradas
Folha de São Paulo, 20/03/2010 - São Paulo SP
FÁBIO TAKAHASHI DA REPORTAGEM LOCAL
Na tentativa de diminuir o peso do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) como indicador de qualidade, colégios particulares de São Paulo decidiram criar avaliação própria. Por meio do Datafolha, entrevistaram 1.500 ex-estudantes, para apurar itens como salário atual dos egressos e autoavaliação em relação ao poder de negociação. Participaram da pesquisa, que será anual, 11 escolas (entre eles Bandeirantes, Vera Cruz, Oswald de Andrade, Gracinha e Lourenço Castanho). A posição delas no último Enem varia de 2º a 140º, num universo de 423 colégios privados paulistanos. As escolas dizem que os dados, inéditos no país, serão usados para corrigir seus pontos fracos e para apresentar melhor a instituição aos pais, tanto aos que já têm filhos estudando no colégio quanto aos interessados em uma vaga. Os resultados estão em fase final de tabulação, mas já está claro que os ex-alunos (são considerados no levantamento somente aqueles se formaram nas escolas) se autoavaliam mais positivamente nos itens ética, comprometimento e postura; as notas mais baixas são para negociação, raciocínio numérico e responsabilidade social. As escolas, cuja média de mensalidade é de R$ 1.650, foram bem avaliadas (nota 8,7). Dos ex-estudantes, 73% se graduaram em uma universidade privada -USP e PUC são as preferidas. Os cursos universitários mais procurados pelos egressos foram administração, direito e engenharia.
Avaliação ampla - "Hoje o pai só sabe a mensalidade e a nota no Enem. Se o aluno daquela escola não sabe trabalhar em grupo ou negociar, o exame não mostra", afirma Eugênio Machado Cordaro, diretor do Oswald de Andrade e um dos coordenadores da pesquisa (delineada pelo Instituto Eduqual). Cada colégio receberá relatório individual, com os resultados de seus egressos. A ideia é expandir a pesquisa para outras escolas nos próximos anos. "Não sejamos ingênuos. Há uma grande disputa por alunos, e esses colégios cobram caro. As informações serão usadas para convencer pais", afirma a professora Angela Soligo, da Faculdade de Educação da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). "Tomara que [as informações] sejam usadas também para melhorar o ensino. O pai deve estar atento ao que será mostrado", completa a pesquisadora.
Sedentarismo - Um dos pontos que mais preocuparam as escolas foi o sedentarismo: aproximadamente 35% dos ex-estudantes disseram que não praticam exercícios regularmente. "Teremos de repensar como abordamos o físico, a alimentação saudável. Temos focado mais as atividades intelectuais, que são importantes, mas isso não é tudo", diz Cordaro, coordenador do levantamento. "A aula de educação física é descolada da aula de ciências. Isso precisa mudar", afirma Sylvia Figueiredo Gouvêa, diretora do Lourenço Castanho e assessora da pesquisa.
Pesquisa do Datafolha encomendada por 11 escolas de SP ouviu 1.500 pessoas; objetivo é reduzir importância do Enem. Estudo analisa situação econômica dos ex-alunos; as graduações de direito administração e engenharia são as mais procuradas
Folha de São Paulo, 20/03/2010 - São Paulo SP
FÁBIO TAKAHASHI DA REPORTAGEM LOCAL
Na tentativa de diminuir o peso do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) como indicador de qualidade, colégios particulares de São Paulo decidiram criar avaliação própria. Por meio do Datafolha, entrevistaram 1.500 ex-estudantes, para apurar itens como salário atual dos egressos e autoavaliação em relação ao poder de negociação. Participaram da pesquisa, que será anual, 11 escolas (entre eles Bandeirantes, Vera Cruz, Oswald de Andrade, Gracinha e Lourenço Castanho). A posição delas no último Enem varia de 2º a 140º, num universo de 423 colégios privados paulistanos. As escolas dizem que os dados, inéditos no país, serão usados para corrigir seus pontos fracos e para apresentar melhor a instituição aos pais, tanto aos que já têm filhos estudando no colégio quanto aos interessados em uma vaga. Os resultados estão em fase final de tabulação, mas já está claro que os ex-alunos (são considerados no levantamento somente aqueles se formaram nas escolas) se autoavaliam mais positivamente nos itens ética, comprometimento e postura; as notas mais baixas são para negociação, raciocínio numérico e responsabilidade social. As escolas, cuja média de mensalidade é de R$ 1.650, foram bem avaliadas (nota 8,7). Dos ex-estudantes, 73% se graduaram em uma universidade privada -USP e PUC são as preferidas. Os cursos universitários mais procurados pelos egressos foram administração, direito e engenharia.
Avaliação ampla - "Hoje o pai só sabe a mensalidade e a nota no Enem. Se o aluno daquela escola não sabe trabalhar em grupo ou negociar, o exame não mostra", afirma Eugênio Machado Cordaro, diretor do Oswald de Andrade e um dos coordenadores da pesquisa (delineada pelo Instituto Eduqual). Cada colégio receberá relatório individual, com os resultados de seus egressos. A ideia é expandir a pesquisa para outras escolas nos próximos anos. "Não sejamos ingênuos. Há uma grande disputa por alunos, e esses colégios cobram caro. As informações serão usadas para convencer pais", afirma a professora Angela Soligo, da Faculdade de Educação da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). "Tomara que [as informações] sejam usadas também para melhorar o ensino. O pai deve estar atento ao que será mostrado", completa a pesquisadora.
Sedentarismo - Um dos pontos que mais preocuparam as escolas foi o sedentarismo: aproximadamente 35% dos ex-estudantes disseram que não praticam exercícios regularmente. "Teremos de repensar como abordamos o físico, a alimentação saudável. Temos focado mais as atividades intelectuais, que são importantes, mas isso não é tudo", diz Cordaro, coordenador do levantamento. "A aula de educação física é descolada da aula de ciências. Isso precisa mudar", afirma Sylvia Figueiredo Gouvêa, diretora do Lourenço Castanho e assessora da pesquisa.
Projeto de Lei quer aprovar entrada de estudante na Universidade sem concluir Ensino Médio
Aluno poderá ingressar na universidade sem concluir ensino médio
Correio Braziliense, 19/03/2010 - Brasília DF
Agência Câmara
O Projeto de Lei 6834/10, do deputado Sebastião Bala Rocha (PDT-AP), em tramitação na Câmara, autoriza matrícula em universidade aos estudantes que passaram no vestibular tendo concluído apenas o segundo ano do ensino médio. A proposta altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB).
Atualmente, a LDB só permite o ingresso nas universidades para os estudantes que concluíram o ensino médio. Para o deputado, é comum que jovens passem em exames seletivos ainda no segundo ano. A proibição para a matrícula, na opinião dele, é injusta, pois o aluno mostrou possuir conhecimento para entrar em um curso superior. Tramitação - O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado pelas comissões de Educação e Cultura; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Correio Braziliense, 19/03/2010 - Brasília DF
Agência Câmara
O Projeto de Lei 6834/10, do deputado Sebastião Bala Rocha (PDT-AP), em tramitação na Câmara, autoriza matrícula em universidade aos estudantes que passaram no vestibular tendo concluído apenas o segundo ano do ensino médio. A proposta altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB).
Atualmente, a LDB só permite o ingresso nas universidades para os estudantes que concluíram o ensino médio. Para o deputado, é comum que jovens passem em exames seletivos ainda no segundo ano. A proibição para a matrícula, na opinião dele, é injusta, pois o aluno mostrou possuir conhecimento para entrar em um curso superior. Tramitação - O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado pelas comissões de Educação e Cultura; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
sábado, 20 de março de 2010
Sensibilização...socialização...Integração e Aprendizado em QUÍMICA
Pensando uma edução com qualidade
Qualidade na educação
Gazeta de Cuiabá, 19/03/2010 - Cuiabá MT
Elias Januário
A sala de aula de uma escola é o espaço por excelência para se verificar os avanços e retrocessos num sistema educacional. É nesse microespaço que as mudanças do ensino avançam para o sucesso ou tornam mais um fracasso registrado na história da educação. Avançar para patamares que superem o sistema tradicional de ensino deve ser um propósito constante no contexto das salas de aula de todo o país. A escola tem uma importância fundamental na formação das novas gerações e consequentemente na consolidação de novos paradigmas.
Rever os modelos educativos existentes significa repensarmos o que ensinamos aos nossos alunos e como ensinamos a eles, para que tenhamos adultos comprometidos com as questões éticas, humanitárias, inclusivas e abertos ao mundo globalizado. Lamentavelmente ainda persiste em muitos estabelecimentos escolares e entre vários educadores e pais a perspectiva conservadora de que uma escola de qualidade é aquela que passa uma quantidade enorme de conteúdos para os alunos na forma de datas, fórmulas, conceitos e exercícios. Persiste a ideia de um aprendizado baseado na racionalidade, no desenvolvimento do aspecto cognitivo, que considera apenas como parâmetro para avaliação a quantificação. Esse tipo de processo de ensino-aprendizagem valoriza métodos medievais que vão da exposição oral a memorização, os treinamentos e a repetição.
Uma escola que se diferencia desse modelo, uma escola que ofereça um ensino de qualidade, deve primar por uma perspectiva de formação social e humanitária, buscando a aproximação dos estudantes entre si e das disciplinas como um meio de conhecer e transformar o mundo que o cerca. Podemos definir um ensino como sendo de qualidade a partir das condições do trabalho pedagógico desenvolvido, que entre outras coisas, possibilita a formação de redes de saberes e de relações que se entrelaçam por caminhos imprevisíveis para chegar ao conhecimento. Vamos ter ensino de qualidade quando a prática educativa pautar-se na solidariedade, na ajuda mútua, na troca de saberes entre todos os envolvidos no processo educativo. Nesta perspectiva de educação qualitativa, prevalecem os métodos de experimentação, a descoberta, a pesquisa, a criação, a busca do conhecimento. O importante é o que os alunos são capazes de aprender verdadeiramente no momento presente, para que se desenvolvam em um ambiente prazeroso e aberto a oportunidades para novas experimentações e possibilidades. Uma escola de qualidade deve ser também um espaço de construção de personalidade, de civilidade, de solidariedade. Deve-se buscar a consolidação de estudantes como pensadores autônomos e críticos. Nesses ambientes as crianças devem ser estimuladas a valorizar a diferença pela convivência com seus pares, pelo exemplo de seus professores, pelo clima de convivência estabelecido com toda a comunidade escolar. Escolas concebidas dessa forma não excluem nenhum aluno das atividades e do convívio escolar, onde todos têm possibilidades de aprender com qualidade frequentando uma mesma e única escola.
Gazeta de Cuiabá, 19/03/2010 - Cuiabá MT
Elias Januário
A sala de aula de uma escola é o espaço por excelência para se verificar os avanços e retrocessos num sistema educacional. É nesse microespaço que as mudanças do ensino avançam para o sucesso ou tornam mais um fracasso registrado na história da educação. Avançar para patamares que superem o sistema tradicional de ensino deve ser um propósito constante no contexto das salas de aula de todo o país. A escola tem uma importância fundamental na formação das novas gerações e consequentemente na consolidação de novos paradigmas.
Rever os modelos educativos existentes significa repensarmos o que ensinamos aos nossos alunos e como ensinamos a eles, para que tenhamos adultos comprometidos com as questões éticas, humanitárias, inclusivas e abertos ao mundo globalizado. Lamentavelmente ainda persiste em muitos estabelecimentos escolares e entre vários educadores e pais a perspectiva conservadora de que uma escola de qualidade é aquela que passa uma quantidade enorme de conteúdos para os alunos na forma de datas, fórmulas, conceitos e exercícios. Persiste a ideia de um aprendizado baseado na racionalidade, no desenvolvimento do aspecto cognitivo, que considera apenas como parâmetro para avaliação a quantificação. Esse tipo de processo de ensino-aprendizagem valoriza métodos medievais que vão da exposição oral a memorização, os treinamentos e a repetição.
Uma escola que se diferencia desse modelo, uma escola que ofereça um ensino de qualidade, deve primar por uma perspectiva de formação social e humanitária, buscando a aproximação dos estudantes entre si e das disciplinas como um meio de conhecer e transformar o mundo que o cerca. Podemos definir um ensino como sendo de qualidade a partir das condições do trabalho pedagógico desenvolvido, que entre outras coisas, possibilita a formação de redes de saberes e de relações que se entrelaçam por caminhos imprevisíveis para chegar ao conhecimento. Vamos ter ensino de qualidade quando a prática educativa pautar-se na solidariedade, na ajuda mútua, na troca de saberes entre todos os envolvidos no processo educativo. Nesta perspectiva de educação qualitativa, prevalecem os métodos de experimentação, a descoberta, a pesquisa, a criação, a busca do conhecimento. O importante é o que os alunos são capazes de aprender verdadeiramente no momento presente, para que se desenvolvam em um ambiente prazeroso e aberto a oportunidades para novas experimentações e possibilidades. Uma escola de qualidade deve ser também um espaço de construção de personalidade, de civilidade, de solidariedade. Deve-se buscar a consolidação de estudantes como pensadores autônomos e críticos. Nesses ambientes as crianças devem ser estimuladas a valorizar a diferença pela convivência com seus pares, pelo exemplo de seus professores, pelo clima de convivência estabelecido com toda a comunidade escolar. Escolas concebidas dessa forma não excluem nenhum aluno das atividades e do convívio escolar, onde todos têm possibilidades de aprender com qualidade frequentando uma mesma e única escola.
Caminhos para a Educação enfrentar
Desafios da educação
Jornal do Commercio, 19/03/2010 - Recife PE
João Batista Araujo e Oliveira
Cinco políticas poderiam transformar o próximo presidente da República no estadista que a educação jamais teve no Brasil: 1) atrair bons professores, 2) cuidar da primeira infância, 3) corrigir as distorções do ensino fundamental, 4) política de educação, emprego e renda para a juventude e 5) modernizar o ensino superior e o financiamento à C&T. Educação de qualidade se faz com bons professores. Isso requer uma carreira que atraia os jovens mais talentosos para o magistério. Uma possível estratégia consiste em associar um sistema nacional de certificação e/ou mérito com uma complementação salarial, a qual tornaria o salário do magistério compatível com as profissões liberais de maior prestígio, cuja média está em torno de R$ 3 mil. Isso requer um aporte anual de cerca de R$ 30 bilhões, que seria progressivamente implementado ao longo de 10 anos. Um exame de acesso benfeito levaria à imediata reformulação dos currículos das escolas de formação de professores.
Jim Heckman, prêmio Nobel de Economia comprovou: o investimento mais rentável para desenvolver recursos humanos situa-se nos primeiros anos de vida. A meta: assegurar que toda criança possa desenvolver o seu potencial, independentemente do nível de renda de sua família. Isso significa implementar políticas sociais articuladas que vão do pré-natal até pelo menos os primeiros anos de vida. Tais políticas, com foco nas famílias, especialmente nas mães, vão além da oferta de creches e requerem uma abordagem intersetorial e um leque de opções para atender às peculiaridades de cada família. Entre outros, a formação de futuros pais seria o melhor uso possível dos recursos do FAT para melhorar a vida e a renda da família do trabalhador.
Para começar a melhorar o ensino fundamental, precisamos superar três grandes gargalos. Primeiro, reaprender a alfabetizar as crianças no 1º ano escolar. Dados da Prova Brasil mostram que apenas metade das crianças do 5º ano da escola pública é alfabetizada. Garantir a alfabetização no 1º ano requer mudanças radicais: as soluções são conhecidas e estão disponíveis. Segundo, corrigir o fluxo escolar e erradicar, ao mesmo tempo, a pedagogia da repetência. Mais de 5 milhões de alunos do ensino fundamental encontram-se acima da idade de 14 anos, e mais de 10 milhões apresentam atraso escolar significativo. Alterações nos critérios de alocação do Fundeb poderiam induzir essas mudanças. Terceiro, efetivar a municipalização do ensino fundamental, prevista em lei. Esta é condição essencial para iniciar um processo de melhoria da eficiência de gestão educacional. Uma intervenção eficaz nessas três áreas pode significar uma economia anual recorrente superior a R$ 10 bilhões.
As políticas atuais penalizam os jovens na educação, formação profissional e emprego. Uma política para a juventude teria como foco o jovem de 15 a 30 anos. Na educação, cumpre diversificar o ensino médio e desatrelar os currículos do vestibular. Na formação profissional urge rever a legislação da aprendizagem, enfatizar habilidades não cognitivas e atrelar o financiamento da oferta à obtenção de emprego. A receita para o sucesso reside na coordenação de esforços com o setor produtivo, o uso racional dos recursos do FAT e a eficaz mobilização dos recursos e da competência gerencial do Sistema S na formação profissional. Acesso dos jovens a estágios e empregos se faz com incentivos ao setor produtivo.
O ensino superior permanece atado ao bacharelismo do século 19 e ao corporativismo do século 20. O perfil do novo ensino superior adequado ao século 21 está delineado nas orientações do Protocolo de Bologna. O financiamento ao ensino superior público pode ser aprimorado por uma política de financiamento em parte associada aos resultados. Na área da pesquisa permanece como maior desafio oferecer instrumentos financeiros conhecidos e utilizados em outras nações para estimular a participação do setor produtivo no desenvolvimento tecnológico do país e, assim, valer-se, dos talentos das universidades. Resta saber se o próximo presidente tem disposição para tanto.
Jornal do Commercio, 19/03/2010 - Recife PE
João Batista Araujo e Oliveira
Cinco políticas poderiam transformar o próximo presidente da República no estadista que a educação jamais teve no Brasil: 1) atrair bons professores, 2) cuidar da primeira infância, 3) corrigir as distorções do ensino fundamental, 4) política de educação, emprego e renda para a juventude e 5) modernizar o ensino superior e o financiamento à C&T. Educação de qualidade se faz com bons professores. Isso requer uma carreira que atraia os jovens mais talentosos para o magistério. Uma possível estratégia consiste em associar um sistema nacional de certificação e/ou mérito com uma complementação salarial, a qual tornaria o salário do magistério compatível com as profissões liberais de maior prestígio, cuja média está em torno de R$ 3 mil. Isso requer um aporte anual de cerca de R$ 30 bilhões, que seria progressivamente implementado ao longo de 10 anos. Um exame de acesso benfeito levaria à imediata reformulação dos currículos das escolas de formação de professores.
Jim Heckman, prêmio Nobel de Economia comprovou: o investimento mais rentável para desenvolver recursos humanos situa-se nos primeiros anos de vida. A meta: assegurar que toda criança possa desenvolver o seu potencial, independentemente do nível de renda de sua família. Isso significa implementar políticas sociais articuladas que vão do pré-natal até pelo menos os primeiros anos de vida. Tais políticas, com foco nas famílias, especialmente nas mães, vão além da oferta de creches e requerem uma abordagem intersetorial e um leque de opções para atender às peculiaridades de cada família. Entre outros, a formação de futuros pais seria o melhor uso possível dos recursos do FAT para melhorar a vida e a renda da família do trabalhador.
Para começar a melhorar o ensino fundamental, precisamos superar três grandes gargalos. Primeiro, reaprender a alfabetizar as crianças no 1º ano escolar. Dados da Prova Brasil mostram que apenas metade das crianças do 5º ano da escola pública é alfabetizada. Garantir a alfabetização no 1º ano requer mudanças radicais: as soluções são conhecidas e estão disponíveis. Segundo, corrigir o fluxo escolar e erradicar, ao mesmo tempo, a pedagogia da repetência. Mais de 5 milhões de alunos do ensino fundamental encontram-se acima da idade de 14 anos, e mais de 10 milhões apresentam atraso escolar significativo. Alterações nos critérios de alocação do Fundeb poderiam induzir essas mudanças. Terceiro, efetivar a municipalização do ensino fundamental, prevista em lei. Esta é condição essencial para iniciar um processo de melhoria da eficiência de gestão educacional. Uma intervenção eficaz nessas três áreas pode significar uma economia anual recorrente superior a R$ 10 bilhões.
As políticas atuais penalizam os jovens na educação, formação profissional e emprego. Uma política para a juventude teria como foco o jovem de 15 a 30 anos. Na educação, cumpre diversificar o ensino médio e desatrelar os currículos do vestibular. Na formação profissional urge rever a legislação da aprendizagem, enfatizar habilidades não cognitivas e atrelar o financiamento da oferta à obtenção de emprego. A receita para o sucesso reside na coordenação de esforços com o setor produtivo, o uso racional dos recursos do FAT e a eficaz mobilização dos recursos e da competência gerencial do Sistema S na formação profissional. Acesso dos jovens a estágios e empregos se faz com incentivos ao setor produtivo.
O ensino superior permanece atado ao bacharelismo do século 19 e ao corporativismo do século 20. O perfil do novo ensino superior adequado ao século 21 está delineado nas orientações do Protocolo de Bologna. O financiamento ao ensino superior público pode ser aprimorado por uma política de financiamento em parte associada aos resultados. Na área da pesquisa permanece como maior desafio oferecer instrumentos financeiros conhecidos e utilizados em outras nações para estimular a participação do setor produtivo no desenvolvimento tecnológico do país e, assim, valer-se, dos talentos das universidades. Resta saber se o próximo presidente tem disposição para tanto.
Discutindo os eventos do Enem 2009
Trapalhadas do MEC
Gazeta de Cuiabá, 19/03/2010 - Cuiabá MT
Editorial
No ano passado milhares de estudantes brasileiros sofreram um grande baque com o cancelamento do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que substituiu os tradicionais vestibulares para ingresso nas faculdades públicas do país. O exame foi cancelado, em outubro, após o jornal "O Estado de S.Paulo" avisar ao Ministério da Educação que a prova tinha vazado. Depois de muitas desculpas, manifestações pelo país afora, um novo exame foi feito. Eis que mais problemas estão acontecendo, revelando que o Ministério da Educação, com sua nova fórmula, não consegue transmitir seriedade para os estudantes brasileiros que sonham com uma vaga nas faculdades públicas. Desta vez um problema técnico no Sistema de Seleção Unificada (Sisu), registrado no domingo, fez com que estudantes não classificados para vagas em instituições federais de ensino superior aparecessem como convocados para matrícula. Alunos que viram seus nomes na lista de espera chegaram a procurar as instituições, mas não puderam preencher a vaga.
O problema tem reflexos em todo o Brasil. Em Cuiabá alunos da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) denunciaram ao Ministério Público o "sumiço" de vagas no Sistema de Seleção Unificada (Sisu). A reclamação é que, em questão de horas, os candidatos passam de aprovados para não aceitos, mesmo adquirindo pontuação suficiente. Nove estudantes de Mato Grosso tiveram esse problema, o mesmo registrado em todo o Brasil, e que leva o sistema mais uma vez a cair no descrédito.
O assunto ganha desdobramentos e as universidades mineiras já decidiram que vão dispensar o resultado do Enem de 2009 e fazer processos seletivos próprios no meio do ano. Em um documento assinado pelo Fórum das Comissões de Processos Seletivos de Minas Gerais (ForCops) e endereçado à Secretaria de Educação Superior, do Ministério da Educação (MEC), 15 instituições avaliam que o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) está em "descrédito". A situação é complicada e o governo federal, através do Ministério da Educação, não vem demonstrando competência para solucionar o grave problema. A grande verdade é que o MEC não acertou nas mudanças. Centralizou e complicou. A educação no Brasil enfrenta problemas em todos os níveis e agora a questão se complica em nível universitário. Uma pena para o país e para o governo, que deveria ter a educação como prioridade.
Gazeta de Cuiabá, 19/03/2010 - Cuiabá MT
Editorial
No ano passado milhares de estudantes brasileiros sofreram um grande baque com o cancelamento do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que substituiu os tradicionais vestibulares para ingresso nas faculdades públicas do país. O exame foi cancelado, em outubro, após o jornal "O Estado de S.Paulo" avisar ao Ministério da Educação que a prova tinha vazado. Depois de muitas desculpas, manifestações pelo país afora, um novo exame foi feito. Eis que mais problemas estão acontecendo, revelando que o Ministério da Educação, com sua nova fórmula, não consegue transmitir seriedade para os estudantes brasileiros que sonham com uma vaga nas faculdades públicas. Desta vez um problema técnico no Sistema de Seleção Unificada (Sisu), registrado no domingo, fez com que estudantes não classificados para vagas em instituições federais de ensino superior aparecessem como convocados para matrícula. Alunos que viram seus nomes na lista de espera chegaram a procurar as instituições, mas não puderam preencher a vaga.
O problema tem reflexos em todo o Brasil. Em Cuiabá alunos da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) denunciaram ao Ministério Público o "sumiço" de vagas no Sistema de Seleção Unificada (Sisu). A reclamação é que, em questão de horas, os candidatos passam de aprovados para não aceitos, mesmo adquirindo pontuação suficiente. Nove estudantes de Mato Grosso tiveram esse problema, o mesmo registrado em todo o Brasil, e que leva o sistema mais uma vez a cair no descrédito.
O assunto ganha desdobramentos e as universidades mineiras já decidiram que vão dispensar o resultado do Enem de 2009 e fazer processos seletivos próprios no meio do ano. Em um documento assinado pelo Fórum das Comissões de Processos Seletivos de Minas Gerais (ForCops) e endereçado à Secretaria de Educação Superior, do Ministério da Educação (MEC), 15 instituições avaliam que o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) está em "descrédito". A situação é complicada e o governo federal, através do Ministério da Educação, não vem demonstrando competência para solucionar o grave problema. A grande verdade é que o MEC não acertou nas mudanças. Centralizou e complicou. A educação no Brasil enfrenta problemas em todos os níveis e agora a questão se complica em nível universitário. Uma pena para o país e para o governo, que deveria ter a educação como prioridade.
terça-feira, 16 de março de 2010
Escolha de curso...profissão
Jovens priorizam experiência na escolha de curso
Formação baseada em carreira pré-universitária requer cuidado
Portal Universia, 15/03/2010
Luciano Testa
A escolha entre aptidão e conveniência é parte intrínseca das projeções futuras de muitos vestibulandos e até de estudantes universitários. Há aqueles que justificam o curso que fazem na falta de opção, tradição familiar ou baseado em perspectivas de mercado. Entretanto, existe uma fatia de estudantes que antes mesmo de escolher uma carreira acabam por arrumar uma profissão, ainda que para custear o próprio curso ou mesmo contribuir no orçamento familiar. Alguns deles, abandonam o sonho ou desistem da tarefa de escolher algo e decidem firmar raízes nesse caminho e continuar numa profissão que de paliativo passa a ser carreira. De acordo com Pedro Paulo Gastalho de Bicalho, professor do Instituto de Psicologia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), os critérios elegidos pelos estudantes na hora de escolher um curso de graduação são muito pessoais. "Muitos escolhem uma profissão por acharem que aquilo vai lhe fazer feliz, outros por causa da família, ou até por já atuarem em determinada área. O que a pessoas tem de ter é a consciência de que todo critério adotado tem riscos e se tudo der errado, a escolha foi tomada por ela", diz Bicalho.
Mas a escolha de uma graduação apoiada na conveniência de uma atividade já realizada pode não ser de toda ruim. Há os que se encontram na área ao conviver com aspectos teóricos da mesma. Silvia Gasparian Colello, professora de psicologia da educação da FEUSP (Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo), declara que a convivência no ambiente universitário pode até mostrar ao estudante aspectos da profissão que ele não enxergava e que isso contribui, em alguns casos, para reverter a posição inicial de repúdio ao emprego. "Ele começa a ter uma visão mais aprofundada do assunto. A partir disso, vê que o curso faz sentido e começa a gostar, além de obter melhor desempenho tanto no curso quanto no emprego", explica ela. Um fator importante para a escolha do curso a partir da área de atuação, é a experiência profissional adquirida durante o tempo em que se passa na lida com aspectos práticos de determinado segmento. Dayan Carlos Soares, estudante de ciências contábeis da UNIFAI (Centro Universitário Assunção), afirma que esse foi um ponto importante para a sua escolha, já que ele trabalha a quase seis anos num escritório desse setor. "Antes, pensava em fazer arquitetura, mas ao conversar com algumas pessoas percebi que a área de contabilidade tem potencial de crescer e minha experiência poderia fazer diferença. Se escolhesse outro curso teria de começar tudo de novo e adquirir experiência em outra área", justifica o rapaz.
Soares diz estar satisfeito com o conhecimento que adquire na faculdade e que o curso responde às expectativas. "Tenho algumas matérias diferentes do que estou acostumado a ver aqui no escritório, mas naquelas que tratam de contabilidade estou satisfeito, pois há muitos termos que já conheço na prática. Além disso, os estudos auxiliam no meu desempenho dentro da empresa", declara Soares. Ele acrescenta também que começou a fazer o curso porque queria agregar sua experiência com a parte teórica e acredita ter feito uma escolha que será boa para o seu futuro. Outro caso parecido com o de Soares é o de Eliene Alves Loiola, estudante do curso de administração na Universidade Anhembi Morumbi. Antes de começar a trabalhar como assistente administrativa, ela diz que pensava em fazer algo relacionado à área da saúde, como medicina, enfermagem ou nutrição. "Só depois de seis meses neste trabalho é que fui começar a estudar e decidi fazer administração, pois já estava na área e queria crescer aqui dentro", resume ela. Hoje, Eliene cuida da parte de comunicação de uma empresa privada do setor de saneamento básico. "Como estou nessa área e gosto do que faço, penso em fazer algum curso de especialização, ou na área de comunicação ou em gestão ambiental, pois tenho bastante vontade em continuar na empresa", afirma ela.
Além das vantagens de ingressar no curso em que já atua, existem também as desvantagens, que podem variar entre de estudante para estudante. Como avalia Dulce Helena Penna Soares, professora do Departamento de Psicologia e Programa de Pós-Graduação da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e Coordenadora do LIOP (Laboratório de Informação e Orientação Profissional). "Por um lado, tem a vantagem de entrar na faculdade com conhecimento daquilo que se estuda, pela prática que se utiliza. Por outro lado, a carreira pode não ter muito sentido pessoal ou ser muito atraente e a pessoa não fica satisfeita", alerta ela. A professora acrescenta que a decepção com uma carreira diferente daquela que se sonha, no final das contas, pode trazer graves consequências. Segundo ela, há o risco da mediocridade, em função do desgosto em relação ao que faz, que pode ser o primeiro passo para o fracasso futuro na carreira. "O prejuízo mais tarde pode ser, além de emocional, até mesmo físico, pelo fato de não estar contente", pondera Dulce. Ela completa que, se essa formação fizer mal para o estudante, o melhor é largar o que faz e começar tudo de novo. "Tem de ter coragem. Tem de avaliar o nível de sofrimento e parar de ter a fantasia do que pode ou não dar certo", aconselha ela.
Muitas vezes, há quem ache arriscado largar a faculdade para começar tudo de novo em outro curso. Ou porque algumas delas têm o incentivo da família e não querem decepcioná-los. Silvia explica que carregar esse sentimento de coisa mal resolvida, tende a gerar frustração cada vez mais amarga. "A não resolução disso traz efeitos no próprio emprego", diz professora de psicologia da educação da FEUSP. Dulce sugere que cada um use a chamada "Técnica da Balança", onde ela pesa os prós e os contras e os ganhos e as perdas que a escolha tomada pode trazer para sua vida. "Tem de conversar bastante, principalmente com seus entes próximos, para que eles também avaliem como está o desempenho", resume ela. A professora também recomenda que se faça aquilo que realmente se gosta, se possível, em seus horários livres. De acordo com ela, a partir disso, cada um poderá fazer uma passagem alternativa para a profissão de sua preferência.
Formação baseada em carreira pré-universitária requer cuidado
Portal Universia, 15/03/2010
Luciano Testa
A escolha entre aptidão e conveniência é parte intrínseca das projeções futuras de muitos vestibulandos e até de estudantes universitários. Há aqueles que justificam o curso que fazem na falta de opção, tradição familiar ou baseado em perspectivas de mercado. Entretanto, existe uma fatia de estudantes que antes mesmo de escolher uma carreira acabam por arrumar uma profissão, ainda que para custear o próprio curso ou mesmo contribuir no orçamento familiar. Alguns deles, abandonam o sonho ou desistem da tarefa de escolher algo e decidem firmar raízes nesse caminho e continuar numa profissão que de paliativo passa a ser carreira. De acordo com Pedro Paulo Gastalho de Bicalho, professor do Instituto de Psicologia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), os critérios elegidos pelos estudantes na hora de escolher um curso de graduação são muito pessoais. "Muitos escolhem uma profissão por acharem que aquilo vai lhe fazer feliz, outros por causa da família, ou até por já atuarem em determinada área. O que a pessoas tem de ter é a consciência de que todo critério adotado tem riscos e se tudo der errado, a escolha foi tomada por ela", diz Bicalho.
Mas a escolha de uma graduação apoiada na conveniência de uma atividade já realizada pode não ser de toda ruim. Há os que se encontram na área ao conviver com aspectos teóricos da mesma. Silvia Gasparian Colello, professora de psicologia da educação da FEUSP (Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo), declara que a convivência no ambiente universitário pode até mostrar ao estudante aspectos da profissão que ele não enxergava e que isso contribui, em alguns casos, para reverter a posição inicial de repúdio ao emprego. "Ele começa a ter uma visão mais aprofundada do assunto. A partir disso, vê que o curso faz sentido e começa a gostar, além de obter melhor desempenho tanto no curso quanto no emprego", explica ela. Um fator importante para a escolha do curso a partir da área de atuação, é a experiência profissional adquirida durante o tempo em que se passa na lida com aspectos práticos de determinado segmento. Dayan Carlos Soares, estudante de ciências contábeis da UNIFAI (Centro Universitário Assunção), afirma que esse foi um ponto importante para a sua escolha, já que ele trabalha a quase seis anos num escritório desse setor. "Antes, pensava em fazer arquitetura, mas ao conversar com algumas pessoas percebi que a área de contabilidade tem potencial de crescer e minha experiência poderia fazer diferença. Se escolhesse outro curso teria de começar tudo de novo e adquirir experiência em outra área", justifica o rapaz.
Soares diz estar satisfeito com o conhecimento que adquire na faculdade e que o curso responde às expectativas. "Tenho algumas matérias diferentes do que estou acostumado a ver aqui no escritório, mas naquelas que tratam de contabilidade estou satisfeito, pois há muitos termos que já conheço na prática. Além disso, os estudos auxiliam no meu desempenho dentro da empresa", declara Soares. Ele acrescenta também que começou a fazer o curso porque queria agregar sua experiência com a parte teórica e acredita ter feito uma escolha que será boa para o seu futuro. Outro caso parecido com o de Soares é o de Eliene Alves Loiola, estudante do curso de administração na Universidade Anhembi Morumbi. Antes de começar a trabalhar como assistente administrativa, ela diz que pensava em fazer algo relacionado à área da saúde, como medicina, enfermagem ou nutrição. "Só depois de seis meses neste trabalho é que fui começar a estudar e decidi fazer administração, pois já estava na área e queria crescer aqui dentro", resume ela. Hoje, Eliene cuida da parte de comunicação de uma empresa privada do setor de saneamento básico. "Como estou nessa área e gosto do que faço, penso em fazer algum curso de especialização, ou na área de comunicação ou em gestão ambiental, pois tenho bastante vontade em continuar na empresa", afirma ela.
Além das vantagens de ingressar no curso em que já atua, existem também as desvantagens, que podem variar entre de estudante para estudante. Como avalia Dulce Helena Penna Soares, professora do Departamento de Psicologia e Programa de Pós-Graduação da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e Coordenadora do LIOP (Laboratório de Informação e Orientação Profissional). "Por um lado, tem a vantagem de entrar na faculdade com conhecimento daquilo que se estuda, pela prática que se utiliza. Por outro lado, a carreira pode não ter muito sentido pessoal ou ser muito atraente e a pessoa não fica satisfeita", alerta ela. A professora acrescenta que a decepção com uma carreira diferente daquela que se sonha, no final das contas, pode trazer graves consequências. Segundo ela, há o risco da mediocridade, em função do desgosto em relação ao que faz, que pode ser o primeiro passo para o fracasso futuro na carreira. "O prejuízo mais tarde pode ser, além de emocional, até mesmo físico, pelo fato de não estar contente", pondera Dulce. Ela completa que, se essa formação fizer mal para o estudante, o melhor é largar o que faz e começar tudo de novo. "Tem de ter coragem. Tem de avaliar o nível de sofrimento e parar de ter a fantasia do que pode ou não dar certo", aconselha ela.
Muitas vezes, há quem ache arriscado largar a faculdade para começar tudo de novo em outro curso. Ou porque algumas delas têm o incentivo da família e não querem decepcioná-los. Silvia explica que carregar esse sentimento de coisa mal resolvida, tende a gerar frustração cada vez mais amarga. "A não resolução disso traz efeitos no próprio emprego", diz professora de psicologia da educação da FEUSP. Dulce sugere que cada um use a chamada "Técnica da Balança", onde ela pesa os prós e os contras e os ganhos e as perdas que a escolha tomada pode trazer para sua vida. "Tem de conversar bastante, principalmente com seus entes próximos, para que eles também avaliem como está o desempenho", resume ela. A professora também recomenda que se faça aquilo que realmente se gosta, se possível, em seus horários livres. De acordo com ela, a partir disso, cada um poderá fazer uma passagem alternativa para a profissão de sua preferência.
Questionamento e educação como processo
Educação é um processo. Questionar é preciso...
Revista Gestão Universitária, Edição 216
Joana d’Arc Mariano Taveira
Educa-se pelo conhecimento, pelo convívio, pela esperança, pela fé, pelo amor e por osmose espiritual. Tudo o que o educador é e sente passa para seus educandos... Assim sendo, pelo reconhecimento ao seu valor e até por inteligência,toda comunidade:pais, políticos, religiosos, imprensa, mídia, justiça, organizações etc, deveria reconhecer sua importância e influencia em todos os setores da comunidade através de seu alunado: -até onde seu contato inicial se faz sentir? È impossível mensurar,pois são muitos os alunos,e cada qual possui:pais,avós,tios,irmãos,amigos,colegas etc... Sem dúvida,é incomensurável a força de um professor e a dimensão de sua influencia. E levando em consideração sua importância é que toda comunidade deveria desfraldar uma bandeira de valorização e vontade política para que esse profissional seja respeitado, sendo-lhe pago um salário digno que é seu meio de subsistência. O professor precisa estar sempre alegre,feliz,cheio de energia e entusiasmo para comunicar a seus alunos a alegria de aprender. E como conseguir isso,se seu salário não cobre as suas necessidades vitais e de sua família?Se suas preocupações ,às vezes extrapolam suas resistências emocionais?
Qualidade em educação passa essencialmente ,primordialmente pelo professor,passa pela sua satisfação,seu equilíbrio,seu conhecimento,sua competência,sua esperança,sua alegria. Sem salário que cubra suas necessidades existenciais de sobrevivência,cultura e progresso,nada disso é possível,nada é verdadeiro. E a tão sonhada liberdade?Os educadores são escravos dessa condição aviltante, degradante, onde falam, questionam, protestam, reivindicam e não são atendidos. Incautos os governantes vão deixando para depois a urgência que está causa requer e merece. Os educadores sonham com um computador,com novos livros,com uma pós-graduação,um mestrado, um doutorado...Mas sua realidade não permite.
Premio por produtividade excluem os aposentados das melhorias salariais. Apesar dessa realidade,os educadores sobreviverão .A cada dia surgirão novas falas rompendo o silencio ,o medo e a vergonha da realidade a que os impuseram. E bravamente seguirão fazendo sua história acontecer. E sem dúvida continuarão a viver o poema de Cecília Meireles:”APRENDI COM A PRIMAVERA A ME DEIXAR CORTAR E VOLTAR SEMPRE INTEIRA...” E é pela ação desses educadores, que além do tempo e do espaço,surgirá uma geração mais plena e consciente,revertendo a realidade que hoje impera :A desmoralização do professor. Concluindo parabenizo a GILBERTO DIMENSTEIN pelo seu artigo, publicado no clipping de 1/2/20010
Revista Gestão Universitária, Edição 216
Joana d’Arc Mariano Taveira
Educa-se pelo conhecimento, pelo convívio, pela esperança, pela fé, pelo amor e por osmose espiritual. Tudo o que o educador é e sente passa para seus educandos... Assim sendo, pelo reconhecimento ao seu valor e até por inteligência,toda comunidade:pais, políticos, religiosos, imprensa, mídia, justiça, organizações etc, deveria reconhecer sua importância e influencia em todos os setores da comunidade através de seu alunado: -até onde seu contato inicial se faz sentir? È impossível mensurar,pois são muitos os alunos,e cada qual possui:pais,avós,tios,irmãos,amigos,colegas etc... Sem dúvida,é incomensurável a força de um professor e a dimensão de sua influencia. E levando em consideração sua importância é que toda comunidade deveria desfraldar uma bandeira de valorização e vontade política para que esse profissional seja respeitado, sendo-lhe pago um salário digno que é seu meio de subsistência. O professor precisa estar sempre alegre,feliz,cheio de energia e entusiasmo para comunicar a seus alunos a alegria de aprender. E como conseguir isso,se seu salário não cobre as suas necessidades vitais e de sua família?Se suas preocupações ,às vezes extrapolam suas resistências emocionais?
Qualidade em educação passa essencialmente ,primordialmente pelo professor,passa pela sua satisfação,seu equilíbrio,seu conhecimento,sua competência,sua esperança,sua alegria. Sem salário que cubra suas necessidades existenciais de sobrevivência,cultura e progresso,nada disso é possível,nada é verdadeiro. E a tão sonhada liberdade?Os educadores são escravos dessa condição aviltante, degradante, onde falam, questionam, protestam, reivindicam e não são atendidos. Incautos os governantes vão deixando para depois a urgência que está causa requer e merece. Os educadores sonham com um computador,com novos livros,com uma pós-graduação,um mestrado, um doutorado...Mas sua realidade não permite.
Premio por produtividade excluem os aposentados das melhorias salariais. Apesar dessa realidade,os educadores sobreviverão .A cada dia surgirão novas falas rompendo o silencio ,o medo e a vergonha da realidade a que os impuseram. E bravamente seguirão fazendo sua história acontecer. E sem dúvida continuarão a viver o poema de Cecília Meireles:”APRENDI COM A PRIMAVERA A ME DEIXAR CORTAR E VOLTAR SEMPRE INTEIRA...” E é pela ação desses educadores, que além do tempo e do espaço,surgirá uma geração mais plena e consciente,revertendo a realidade que hoje impera :A desmoralização do professor. Concluindo parabenizo a GILBERTO DIMENSTEIN pelo seu artigo, publicado no clipping de 1/2/20010
Estudo afro-brasileiro na Educação
A dificuldade de ensinar temas afro-brasileiros
Lei exige que conteúdos relacionados à cultura negra estejam no currículo das escolas, mas faltam professores qualificados e material didático adequado
Gazeta do Povo, 16/03/2010 - Curitiba PR
Renan Colombo, Jornal de Maringá On-line
Maringá - Há sete anos, a história afro-brasileira se tornou obrigatória na matriz curricular das escolas de nível fundamental e médio de todo o país, públicas e privadas. Especialistas avaliam que a exigência ampliou o conhecimento dos estudantes sobre a África e suas relações com o Brasil, mas ainda falta qualificação aos professores e adequação à parte do material didático levado para sala de aula. “Há três coisas necessárias para o sucesso da lei: a capacitação dos professores, a existência de material didático de qualidade e a criação de equipes multidisciplinares para acompanhar esse trabalho”, diz o professor Celso José dos Santos, que dá aulas de História em um colégio público de Paranavaí. Ele é integrante do Fórum Permanente de Educação e Diversidade Étnico-Racial, uma entidade, criada há quatro anos, que acompanha de perto a implantação da lei no Paraná. O órgão é formado por professores e representantes governamentais e também do movimento negro.
O problema mais sério é o despreparo dos professores, especialmente os mais velhos, já que muitos não estudaram a fundo a história e a cultura da África. “Se pedirmos para os professores de nível fundamental citar cinco países africanos e suas respectivas capitais, muitos terão dificuldade. A maioria não conheceu quase nada sobre o continente durante o curso de graduação”, afirma a professora Maria Cecilia Pilla, coordenadora de um curso de especialização em História da África, oferecido pela PUCPR.
Para suprir a falha de formação, os professores têm à disposição, além dos cursos pagos, capacitações promovidas pela Secretaria de Estado de Educação (Seed). O órgão promove oficinas sobre a história e a cultura afro-brasileira desde o ano de criação da lei, em todos os Núcleos Regionais de Educação. A lei não prevê a criação de uma disciplina exclusiva, mas estabelece que o assunto seja incluído, de forma multidisciplinar, no programa pedagógico das escolas. Na prática, as matérias que abrigam esses conteúdos são, em geral, Língua Portuguesa, Artes e História. A solução definitiva, porém, está na incorporação da temática nos cursos de graduação. “Enquanto esse conteúdo não for incluído nas licenciaturas, a lei não será efetivamente implementada. Os professores precisam chegar à rede já com esse conhecimento”, defende o coordenador do Núcleo de Educação das Relações Étnico-Raciais e Afrodescendência (Nerea) da Seed, Cassius Marcelus Cruz.
Material didático - A lei estabelece que os professores devem fazer “abordagens positivas, sempre na perspectiva de contribuir para que o aluno negro-descendente mire-se positivamente”, conforme a resolução de 2006 do Conselho Estadual de Educação (CEE). Para verificar se isso realmente ocorre, o fórum tem uma equipe que avalia o material adotado pelas escolas. “Os livros vêm procurando se adequar, mas ainda existe entre nós uma cultura que tem fortes raízes discriminatórias. Por vezes, algo preconceituoso passa despercebido por quem elabora o material”, relata Cruz.
Há ainda a questão da estrutura institucional para acompanhar esse processo. O CEE determinou a criação de equipes multidisciplinares que trabalhem com a diversidade em todas as escolas do estado. A maioria já as adotou, o que é um avanço. Na regional de educação de Maringá, que engloba 25 municípios, somente um colégio não havia cumprido a determinação, até o ano passado. Mas nem sempre as equipes, que em média são formadas por 15 professores, funcionam efetivamente. Diante da dificuldade, o fórum está elaborando uma instrução que irá orientar a atuação de todas as equipes. Outra iniciativa da entidade será criar um sistema exclusivo na ouvidoria da Seed para o relato dos casos de discriminação em sala de aula, considerados um termômetro do sucesso da lei. O sistema deve ser concluído neste semestre e permitirá avaliações mais concretas sobre o ensino da África nas escolas do Paraná.
Lei exige que conteúdos relacionados à cultura negra estejam no currículo das escolas, mas faltam professores qualificados e material didático adequado
Gazeta do Povo, 16/03/2010 - Curitiba PR
Renan Colombo, Jornal de Maringá On-line
Maringá - Há sete anos, a história afro-brasileira se tornou obrigatória na matriz curricular das escolas de nível fundamental e médio de todo o país, públicas e privadas. Especialistas avaliam que a exigência ampliou o conhecimento dos estudantes sobre a África e suas relações com o Brasil, mas ainda falta qualificação aos professores e adequação à parte do material didático levado para sala de aula. “Há três coisas necessárias para o sucesso da lei: a capacitação dos professores, a existência de material didático de qualidade e a criação de equipes multidisciplinares para acompanhar esse trabalho”, diz o professor Celso José dos Santos, que dá aulas de História em um colégio público de Paranavaí. Ele é integrante do Fórum Permanente de Educação e Diversidade Étnico-Racial, uma entidade, criada há quatro anos, que acompanha de perto a implantação da lei no Paraná. O órgão é formado por professores e representantes governamentais e também do movimento negro.
O problema mais sério é o despreparo dos professores, especialmente os mais velhos, já que muitos não estudaram a fundo a história e a cultura da África. “Se pedirmos para os professores de nível fundamental citar cinco países africanos e suas respectivas capitais, muitos terão dificuldade. A maioria não conheceu quase nada sobre o continente durante o curso de graduação”, afirma a professora Maria Cecilia Pilla, coordenadora de um curso de especialização em História da África, oferecido pela PUCPR.
Para suprir a falha de formação, os professores têm à disposição, além dos cursos pagos, capacitações promovidas pela Secretaria de Estado de Educação (Seed). O órgão promove oficinas sobre a história e a cultura afro-brasileira desde o ano de criação da lei, em todos os Núcleos Regionais de Educação. A lei não prevê a criação de uma disciplina exclusiva, mas estabelece que o assunto seja incluído, de forma multidisciplinar, no programa pedagógico das escolas. Na prática, as matérias que abrigam esses conteúdos são, em geral, Língua Portuguesa, Artes e História. A solução definitiva, porém, está na incorporação da temática nos cursos de graduação. “Enquanto esse conteúdo não for incluído nas licenciaturas, a lei não será efetivamente implementada. Os professores precisam chegar à rede já com esse conhecimento”, defende o coordenador do Núcleo de Educação das Relações Étnico-Raciais e Afrodescendência (Nerea) da Seed, Cassius Marcelus Cruz.
Material didático - A lei estabelece que os professores devem fazer “abordagens positivas, sempre na perspectiva de contribuir para que o aluno negro-descendente mire-se positivamente”, conforme a resolução de 2006 do Conselho Estadual de Educação (CEE). Para verificar se isso realmente ocorre, o fórum tem uma equipe que avalia o material adotado pelas escolas. “Os livros vêm procurando se adequar, mas ainda existe entre nós uma cultura que tem fortes raízes discriminatórias. Por vezes, algo preconceituoso passa despercebido por quem elabora o material”, relata Cruz.
Há ainda a questão da estrutura institucional para acompanhar esse processo. O CEE determinou a criação de equipes multidisciplinares que trabalhem com a diversidade em todas as escolas do estado. A maioria já as adotou, o que é um avanço. Na regional de educação de Maringá, que engloba 25 municípios, somente um colégio não havia cumprido a determinação, até o ano passado. Mas nem sempre as equipes, que em média são formadas por 15 professores, funcionam efetivamente. Diante da dificuldade, o fórum está elaborando uma instrução que irá orientar a atuação de todas as equipes. Outra iniciativa da entidade será criar um sistema exclusivo na ouvidoria da Seed para o relato dos casos de discriminação em sala de aula, considerados um termômetro do sucesso da lei. O sistema deve ser concluído neste semestre e permitirá avaliações mais concretas sobre o ensino da África nas escolas do Paraná.
segunda-feira, 15 de março de 2010
Faculdade particular dá aula de reforço a calouro
Faculdade particular dá aula de reforço a calouro
Instituições oferecem curso de português e matemática para suprir defasagem. Para sindicato, ampliação de vagas derrubou o preço dos cursos e atraiu alunos de menor renda, que precisam aprender disciplina básica
Folha de São Paulo, 14/03/2010 - São Paulo SP
LIGIA SOTRATTI DA FOLHA RIBEIRÃO
Dificuldades em cálculos básicos -como multiplicar frações e achar porcentagens- ou dúvidas em grafia e concordância verbal e nominal. Devido à defasagem da maioria dos novos alunos, instituições particulares de ensino superior têm oferecido cursos de reforço em português e matemática a todos os calouros. Em muitos casos, os cursos são gratuitos e optativos e não constam da grade curricular. O que os diferencia é o nome: algumas instituições chamam de curso de aprimoramento, outras, de nivelamento. De acordo com o Semesp (Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo), cerca de 70% das faculdades particulares paulistas oferecem algum programas de nivelamento. "O modelo é bastante diversificado. Tem instituição que faz plantão de dúvidas, outras fazem o reforço a distância e existe também a aula presencial", disse o diretor-executivo da entidade, Rodrigo Capelato.
Segundo a entidade, a preocupação com a defasagem do aluno surgiu nos últimos cinco anos e foi impulsionada pela ampliação da rede particular. "Com mais vagas no nível superior, caiu o preço médio e a população que vem do ensino público de má qualidade passou a ter acesso à faculdade", diz ele. Além da expansão das universidades privadas, professores também atribuem o aumento do acesso a programas como o ProUni e o Fies (fundo que financia o curso). Em Ribeirão Preto (313 km de SP), por exemplo, a Unaerp oferece as duas disciplinas. No Centro Universitário Moura Lacerda, o apoio é para exatas. "Como temos muitos cursos tecnológicos e de engenharia, as matérias optativas são física e matemática, áreas em que os alunos têm mais problema", disse o reitor da instituição, Glauco Eduardo Cortez.
Na Unip, há monitorias e revisão de conteúdos on-line. A vice-reitora da instituição Melânia Dalla Torre disse que o reforço visa "refrescar a memória" dos alunos. A estudante Karolyna Mendes Moura, 22, caloura de serviço social da Unaerp e bolsista do Prouni, faz parte do grupo de alunos que busca reforçar conteúdos escolares de matemática e português. A jovem, que estudou em escola pública no ensino fundamental e médio, diz que pretende aproveitar a oportunidade de corrigir seus erros. "Fiz cursinho na USP durante dois anos e pude aprender regras de acentuação, mas ainda tenho um pouco de dificuldade e troco letras. O som de "s" e "z" me confunde."
Instituições oferecem curso de português e matemática para suprir defasagem. Para sindicato, ampliação de vagas derrubou o preço dos cursos e atraiu alunos de menor renda, que precisam aprender disciplina básica
Folha de São Paulo, 14/03/2010 - São Paulo SP
LIGIA SOTRATTI DA FOLHA RIBEIRÃO
Dificuldades em cálculos básicos -como multiplicar frações e achar porcentagens- ou dúvidas em grafia e concordância verbal e nominal. Devido à defasagem da maioria dos novos alunos, instituições particulares de ensino superior têm oferecido cursos de reforço em português e matemática a todos os calouros. Em muitos casos, os cursos são gratuitos e optativos e não constam da grade curricular. O que os diferencia é o nome: algumas instituições chamam de curso de aprimoramento, outras, de nivelamento. De acordo com o Semesp (Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo), cerca de 70% das faculdades particulares paulistas oferecem algum programas de nivelamento. "O modelo é bastante diversificado. Tem instituição que faz plantão de dúvidas, outras fazem o reforço a distância e existe também a aula presencial", disse o diretor-executivo da entidade, Rodrigo Capelato.
Segundo a entidade, a preocupação com a defasagem do aluno surgiu nos últimos cinco anos e foi impulsionada pela ampliação da rede particular. "Com mais vagas no nível superior, caiu o preço médio e a população que vem do ensino público de má qualidade passou a ter acesso à faculdade", diz ele. Além da expansão das universidades privadas, professores também atribuem o aumento do acesso a programas como o ProUni e o Fies (fundo que financia o curso). Em Ribeirão Preto (313 km de SP), por exemplo, a Unaerp oferece as duas disciplinas. No Centro Universitário Moura Lacerda, o apoio é para exatas. "Como temos muitos cursos tecnológicos e de engenharia, as matérias optativas são física e matemática, áreas em que os alunos têm mais problema", disse o reitor da instituição, Glauco Eduardo Cortez.
Na Unip, há monitorias e revisão de conteúdos on-line. A vice-reitora da instituição Melânia Dalla Torre disse que o reforço visa "refrescar a memória" dos alunos. A estudante Karolyna Mendes Moura, 22, caloura de serviço social da Unaerp e bolsista do Prouni, faz parte do grupo de alunos que busca reforçar conteúdos escolares de matemática e português. A jovem, que estudou em escola pública no ensino fundamental e médio, diz que pretende aproveitar a oportunidade de corrigir seus erros. "Fiz cursinho na USP durante dois anos e pude aprender regras de acentuação, mas ainda tenho um pouco de dificuldade e troco letras. O som de "s" e "z" me confunde."
Preparação para acesso no ensino superior
Para educadores, preparação é necessária
Folha de São Paulo, 14/03/2010 - São Paulo SP
DA FOLHA RIBEIRÃO
Para especialistas da área de educação, são positivas e necessárias as aulas de reforço para manter o aluno no ensino superior. "Uma vez que esses alunos entraram, chegaram até a universidade, as escolas têm que se modificar para dar os conteúdos, aprender a trabalhar com esse aluno", afirma o professor da Faculdade de Educação da USP Rubens Barbosa. A coordenadora do curso de pedagogia da Unicamp (Universidade de Campinas), Maria Márcia Sigrist Malavasi, diz que é preciso cuidado para formular o curso de recuperação de conteúdos. "Como vai ser dado esse aprimoramento, qual a duração, quem serão os professores, qual o preparo deles? Tudo isso tem que ser pensado", diz.
Para o especialista em políticas educacionais da USP de Ribeirão Preto José Marcelino Rezende Pinto, a deficiência dos estudantes não está somente nas escolas particulares. O problema ocorre também em faculdades públicas que, embora apliquem um processo de seleção mais rigoroso, têm alunos com dificuldades. "Mesmo na USP, há estudantes com deficiências de aprendizagem. Acho que as disciplinas são muito desarticuladas. Por exemplo, em um curso de biologia, o professor precisa também corrigir o português." Diferentemente das instituições particulares, a USP não mantêm programas regulares de reforço para ingressantes.
Folha de São Paulo, 14/03/2010 - São Paulo SP
DA FOLHA RIBEIRÃO
Para especialistas da área de educação, são positivas e necessárias as aulas de reforço para manter o aluno no ensino superior. "Uma vez que esses alunos entraram, chegaram até a universidade, as escolas têm que se modificar para dar os conteúdos, aprender a trabalhar com esse aluno", afirma o professor da Faculdade de Educação da USP Rubens Barbosa. A coordenadora do curso de pedagogia da Unicamp (Universidade de Campinas), Maria Márcia Sigrist Malavasi, diz que é preciso cuidado para formular o curso de recuperação de conteúdos. "Como vai ser dado esse aprimoramento, qual a duração, quem serão os professores, qual o preparo deles? Tudo isso tem que ser pensado", diz.
Para o especialista em políticas educacionais da USP de Ribeirão Preto José Marcelino Rezende Pinto, a deficiência dos estudantes não está somente nas escolas particulares. O problema ocorre também em faculdades públicas que, embora apliquem um processo de seleção mais rigoroso, têm alunos com dificuldades. "Mesmo na USP, há estudantes com deficiências de aprendizagem. Acho que as disciplinas são muito desarticuladas. Por exemplo, em um curso de biologia, o professor precisa também corrigir o português." Diferentemente das instituições particulares, a USP não mantêm programas regulares de reforço para ingressantes.
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